
Quando o instante singular revela
o sentido da folha ou a minúcia do pólen,
há um espaço translúcido onde a palavra nasce
consonante e pura.
é edificar a nuvem, gota a gota,
e da janela vê-la ir,
como se não fosse nossa.




Sócrates só contabiliza os postos de trabalho criados.
Carvalho da Silva no Congresso da CGTP, desmontou as políticas assassinas do PS. A comunicação social esforçou-se por omitir as críticas mais contundentes
Uns dias antes, um homem que não se conforma com a situação miserável a que o país chegou, perguntava. «Como é que se percebe que, em 2006, em Portugal, 100 famílias tenham visto crescer os seus rendimentos em 36%, quando a esmagadora maioria da população teve os seus vencimentos estagnados?». A pergunta, feito por Carvalho da Silva, na apresentação de um estudo sobre as desigualdades elaborado pela CGTP, revela que, no outro lado da moeda, existem mais de 300 mil famílias sem rendimentos. Face a isto, quem se poderá espantar que Portugal seja, no âmbito da UE, o país onde o fosse entre ricos e pobres mais largo é, e, ainda por cima, está em alargamento constante?
A ilustrar o que acabei de dizer, dou-vos um belo e sugestivo exemplo. No campo Grande, foi construído, e está em fase de comercialização, um condomínio de luxo. Os preços começam em 1 milhão de euros nos pisos inferiores, vão subindo conforme a altura, e terminam em 4,5 milhões de euros, nos pisos superiores, ou seja, oscilam entre os 200 mil e os 900 mil contos. Uma ninharia. Apenas quero esclarecer que os pisos superiores (os tais de 900 mil contos), já foram todos vendidos.
Entretanto, milhares de portugueses, especialmente jovens casais, perdem as suas casas, pois o desemprego ou a degradação dos seus salários retiram-lhes o direito a uma habitação digna e, inclusivamente, à sua própria subsistência, tal como a Constituição da República determina e a Declaração Universal dos Direitos Humanos consagra. Em Portugal, pelo que se vê, tanto a Constituição da República, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, só têm aplicação prática em 10% da população.
O major Reinado era um instrumento dos norte-americanos, 
Sócrates, de intenso fala-barato, passou, recentemente,
Outras notícias dizem-nos que quase duas mil famílias tiveram de pedir auxílio para não perderem as casas. As dívidas são o novo flagelo da sociedade moderna portuguesa. A crise perpétua em que vivemos, agravada pela subida das taxas de juro e pelo desemprego, está a deixar cada vez mais famílias em situação desesperada.
Associado a isto, está o crescimento do crédito malparado, que mantém a tendência iniciada no final de 2006. De acordo com dados do Boletim Estatístico do Banco de Portugal, o crédito de cobrança duvidosa atingiu, no final de Novembro, os 2.367 milhões de euros, o que representa um crescimento de 129 milhões, face ao mês anterior, e de 209 milhões, face ao período homólogo.
E Sócrates sem tugir nem mugir.
Mas, às vezes, Sócrates ainda fala. No dia 10 de Janeiro, garantia que iria ser construída uma nova ponte sobre o Tejo, aliás um projecto que já não é novo e, por acaso, bastante consensual. Porém, dias depois, o impagável ministro Mário Lino vem informar que, afinal, mandou o LNEC estudar outras alternativas. O que era certo num dia, passou a incerto noutro.
E Sócrates, que durante meses nunca se calava, voltou a meter a viola no saco.
E Sócrates nada tem a dizer.
Aparentemente, eclipsou-se a verve do senhor «engenheiro» de (pelos vistos) obras feitas… mas pelos outros.
Mas o que interessa aos portugueses a vida nacional? Na verdade, e a julgar pelos noticiários, o que realmente é importante para nós – e para o mundo – é o folclore milionário das escolhas dos candidatos às eleições presidências norte-americanas.
Pelo que somos forçados a engolir diariamente – e pelo que comemos por tabela em resultado da política do império – bem deveríamos exigir o direito de também votarmos naquela palhaçada.
Não acham?

Recebeu 9,732 milhões de euros de «compensações» e «remunerações variáveis». E enquanto a juntas médicas obrigam cancerosos a trabalhar até à morte, ele não se possa queixar. Paulo Teixeira Pinto, ex-presidente do BCP, passou "à situação de reforma em função de relatório de junta médica" . O banqueiro, de 46 anos, foi considerado inapto para o trabalho, apesar de já ter arranjado um cargo numa consultora financeira.
Os «manos» e os cunhados (propriamente ditos)
Na semana passada falei de casos em que o tráfico de influências, favorecimento pessoal a partir do poder que se detém, o amiguismo e o clientelismo são moeda corrente atrás dos reposteiros da política. Da nova classe de boys, os chamados «manos», que por estarem ligados a altas figuras do PS, conseguiram os seus jobs na administração pública. Também nas câmaras municipais abundam os cunhados e demais elementos dos agregados familiares dos senhores presidentes e respectivos acólitos. O que é preciso é a malta safar-se, enquanto a coisa está a dar.
Trinta e quatro anos depois do 25 de Abril, a distinta classe política está bem e recomenda-se. Entrou em concubinato descarado com os senhores do cimento, das finanças e de outros valores e instrumentos que vão passando carinhosamente do público para o privado e, entre ternas manifestações de amiganço, satisfazem-se uns aos outros, revezando-se no deter das rédeas, num toma-lá-dá-cá indecente e, até ver, completamente impune.
Mas é um festim caríssimo, onde os chorudos ordenados, as opíparas e várias reformas, os abundantes e sempre disponíveis altos cargos na administração pública ou no privado, as muitas e variadas benesses e mordomias – carro às ordens, gasolina, cartões de crédito, despesas de representação, motorista, telemóvel, linhas de crédito especiais e, principalmente, impunidade absoluta em caso do caldo azedar – exigem dos miseráveis plebeus a contribuição necessária à liquidação da factura.
É um baile macabro, porque, para o consumarem, tiram vida às vidas de cada um de nós – e, como se viu, sacrificam até a vida daqueles que, mais infelizes ou desprotegidos, com ela pagam o facto de terem nascido neste triste e anémico país.
Até ver, é o triunfo dos porcos.
As urgências foram transformadas, pelo governo PS ,em antecâmaras dos cemitérios
O que me rala são as pessoas que morrem à porta de urgências encerradas, e as palavras criminosas de um ministro da Saúde, ao defender a tese sublime de que ninguém pode provar que as pessoas se salvariam caso as urgências estivessem abertas.
Espero bem que um dia seja julgado, tal como o seu presidente do conselho de ministros, o inefável e sinistro «engenheiro» Sócrates (o verdadeiro promotor destas políticas), por todos estes atentados à vida e à saúde dos portugueses.
E não deixo de registar, com repulsa, a pressa do pai do bebé de Anadia em absolver o governo, o que me levou a pensar aquilo que depois se confirmou. «Aí está um socialista de gema». Não quero dizer que, naquele caso concreto, a morte não fosse o desfecho inevitável. Mas não será que afastar os serviços de urgência das populações é arriscar a perda de vidas em nome de critérios economicistas. O que vale mais? A vida, ou o défice?
Por tudo isto, Portugal enoja-me. Como nunca me enojou. E – podem crer – a náusea é minha velha companheira, pois já tinha os olhos e o espírito bem abertos durante os tempos em que a ditadura impunha as suas regras e fazia cumprir os seus desígnios.
Mas se em ditadura tudo se espera, em democracia o que é expectável é o respeito pelo cidadão que elege quem se propõe governá-lo e, com os seus impostos, sustenta o Estado. Estado que outro papel não tem que não seja fazer reverter para os cidadãos e para o país, de forma justa e eficaz, o que recolhe de cada um de nós. Escuso de me cansar a dizer que nada disso acontece em Portugal.
Tenho afirmado várias vezes que, hoje em dia, as diferenças entre o sistema democrático em vigor – se de democrático merece o nome… – e a ditadura, são apenas as que se relacionam com o voto (é menos condicionado), a liberdade de expressão (é teoricamente permitida) e a garantia, também teórica, de ninguém ser prejudicado pelas suas opções ideológicas, o que impede a existência, por exemplo, de presos políticos.
Na verdade, as coisas não são bem assim. Antes do 25 de Abril, tive oportunidade de votar em listas da oposição, e lembro-me de acompanhar o meu pai às mesas de voto nas eleições presidências a que concorreu Humberto Delgado. É certo que os resultados nas urnas, fossem eles quais fossem, eram sempre transformados em vitórias dos candidatos do regime, tal como é certo que os cadernos eleitorais eram uma enorme farsa, de onde eram excluídos milhares de eleitores, mas onde os mortos podiam votar, pois faziam-nos pelas mãos dos legionários e outros esbirros do fascismo.
Partidos do Poder - a antítese da democracia
Os partidos que ocupam o poder arrebanham apoiantes, votos e fidelidades, que depois traem indecorosamente
Mas o que se passa, hoje, com o nosso voto? Votamos em quem? Porquê? Para quê? Fomos induzidos a tomar opções partidárias, a fidelizar-nos a um determinado partido e, a partir daí, tornamo-nos servos dessa estrutura política, abençoando-a com o nosso voto e apoio activo. Ou remetendo-nos, passivamente, como silenciosos cúmplices, às suas piores práticas.
Aceitamos como prática normal – e até achamos excelente, se tal vier do partido a que aderimos – que a mentira, o discurso ardiloso, a vã promessa eleitoral e a manipulação ou coação psicológicas sejam armas da luta pelo poder. Sujeitamo-nos, depois, às consequências nefastas das políticas levadas a cabo, mesmo que estejam nos antípodas do prometido e se revelam absolutamente contrárias aos nossos interesses e direitos, atirando-nos para o desemprego, levando-nos a casa e o pão, limitando-nos – ou vedando-nos – o acesso à saúde e à educação. A isto, de facto, se chegou.
Ou seja: pela força e atropelo – em ditadura – ou pela subtil manipulação – em dita democracia – os resultados são iguais. O poder político faz o que sabe fazer, que é, ontem como hoje, asfixiar o mais possível o cidadão, extorquindo-lhe directamente (pelos impostos) ou indirectamente (pelos mecanismos que levam à perda do poder de compra, de que a inflação superior aos aumentos salariais é o melhor exemplo), e oxigenar os detentores do poder económico que, com as variações que o tempo e os métodos construíram, são os mesmos que o fascismo alimentava.
Quanto à liberdade de expressão, meus caros amigos, experimente usá-la quem depender profissionalmente de alguém afecto ao partido no poder, caso não partilhe das mesmas simpatias. Experimente um candidato a um emprego deixar entender a sua ideologia ou cor partidária, e depois diga que não percebeu as razões da exclusão.
Ainda sobre a liberdade de expressão, veja-se quem tem acesso às grandes tribunas da comunicação social escrita e falada, e atente-se nos critérios, ditos jornalísticos, que alinham cientificamente as notícias, seleccionam os comentadores, convidam analistas e valorizam – ou desvalorizam – as diversas iniciativas políticas ou partidárias. Mais uma vez, aquilo que a ditadura impunha pela censura, esta «democracia» alcança pelo controlo dos meios de comunicação social dominantes – ditos de referência – para que a plebe continue a ser plebe, e os senhores feudais continuem a ser os senhores feudais.
No resto, é o mesmo – ou pior – forrobodó. Acredito, até, que esta «democracia» e estes «democratas» estão a fazer coisas que os homens da ditadura não fariam. Acuso-os, até, de irem mais longe em desumanidade e indiferença pelo sofrimento dos cidadãos do que os próprios fascistas.
Os manos - nova classe de boys
Corupção, tráfico de influências, amiguismo? No PS? Que ideia!
Sócrates, neste momento, é um fala-barato, um rei nu que ainda não percebeu a velocidade a que está a resvalar para o ridículo e para o descrédito. Há factos e sinais alarmante, que provam ter o homem assumido que a maioria absoluta é poder absoluto. Que as regras e a moral deixaram de contar. Por exemplo:
Há dias, o deputado do PCP, Manuel Tiago, perguntou ao Governo porque razão certo advogado foi contratado duas vezes pelo Ministério da Educação para levar a cabo determinado trabalho. Da primeira vez, embora a remuneração fosse cumprida integralmente, o trabalho não foi concluído. Apesar disso, o Ministério da Educação voltou a contratar o mesmo advogado, só que, desta vez, aumentou-lhe a retribuição, que fora de 1.500 euros mensais, no primeiro contrato, para 20 mil euros mensais, no contrato actual. O deputado quer saber – e muito bem – porque razão não foram utilizados os recursos internos do Ministério, que motivos justificaram a nova contratação, exactamente com o mesmo advogado que não cumpriu os compromissos anteriormente contratualizados, e, também, que motivos justificam um aumento de 1.233,33%.
Eu julgo que tenho a resposta para esta perguntas todas. É que, segundo consta por aí, o distinto advogado é irmão de uma célebre figura do PS, envolvido num escândalo que tem agitado a opinião pública e merecido grande cobertura da comunicação social.
O rídiculo reizinho não sabe, mas vai nu...

Mas há mais: há dias, recebi um e-mail que dizia o seguinte:
«Sabe quem é António Pinto de Sousa? É o novo responsável pelo gabinete de comunicação e imagem do Instituto da Droga e Toxicodependência. Tem competência atribuída para empossar quem quiser, independentemente da sua qualificação académica e profissional, para os cargos dirigentes do Instituto, contrariando os próprios estatutos do IDT. Ah! Já me esquecia de dizer que é irmão de José Sócrates...»
Como estas duas situações circulam sem respostas, esclarecimentos ou desmentidos, perdoe-se a veleidade, mas muito gostaria que esta simples crónica contribuísse para apurar a verdade. É que se isto for verdade, como tudo leva a crer, já nada faltará para que a náusea se transforme em vómito.
São portugueses, senhores!
Depois de tanta coisa triste – e feia – uma velha anedota para encerrar a nossa crónica de hoje – e fazer sorrir, ainda que o sorriso seja triste:
Os portugueses, hoje em dia...
Afinal, Mário Lino engoliu a areia toda do deserto da Margem Sul... Como se vê.
Dava um jeitão ao Berardo transferir o Fundo de Pensões do BCP para a Segurança Social, não dava? E ao Governo, também...
No meio deste circo, um escândalo enorme parece estar escondido sobre o já de si grande escândalo do BCP. Fazendo rir o pagode – como compete a uma troupe que se preze – Sócrates garante que o Governo em nada interferiu na escolha dos futuros administradores do BCP. Deixaríamos de lado a óbvia mentirola, se ela não estivesse relacionada com uma manobra muito mais vasta que se relaciona com o controlo de défice de 2008.
A grande diferença está só na indumentária e na mãozinha aberta. O resto...