Comecemos por uma mensagem que anda aí a circular pela Internet.
"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado".
Agora passemos à nossa trágica vidinha doméstica. À vidinha que levamos neste lixeira, nesta espelunca, nesta pocilga, neste pântano ou, como disse Carlos Queiroz, «neste local mal frequentado», entregue a pedófilos, a corruptos, ladrões, a oportunistas de toda a espécie. Local onde se fazem fortunas inexplicáveis, impossíveis – como, por exemplo, a de um pequeno boy socialista, chamado Mesquita Machado – e tudo fica na mesma, numa impunidade imprópria de uma democracia e, até, de certas ditaduras com alguma vergonha na cara.
Voltemos a este lodaçal onde, finalmente, apareceu um político que se atreve a contrariar um «engenheiro» feito à pressa, licenciado ao domingo, metido em várias outras trapalhadas, bem maiores que aquelas que levaram Sampaio a pôr Santana na rua. «Engenheiro» que é primeiro-ministro, governando com maioria absoluta, em nome da esquerda e ao serviço da direita, que controla grande parte dos órgãos de comunicação social, que mente com todos os dentes – e todos os dias – mas que, segundo parece, continua a contar com vasto apoio popular. Estou a falar do «engenheiro» José Sócrates, como já perceberam.
E quem é o atrevido que ousa enfrentá-lo e garante ir fazer o que ele não fez? Inverter as suas políticas e transformar o país, afirmando mesmo que vêm aí tempos de mudança? Nada mais, nada menos que um tal José Sócrates de Carvalho Pinto de Sousa, que se propõe governar a partir das próximas eleições, fazendo realmente uma política de esquerda, tirando aos ricos para dar aos pobres, ou seja, o contrário daquilo que o actual primeiro-ministro fez ao longo deste longuíssimos quatro anos – ou quase. Um Sócrates que quer mudar tudo aquilo que o outro Sócrates fez.
Tempos de mudança, então, apregoa este novo herói socialista, capaz de enfrentar corajosamente o até agora incontestado líder do PS. É parecido com o seu rival – quase igual a ele – usa o mesmo nome, mas não é ele. Não pode ser, a menos que se trate de um caso inverosímil de dupla personalidade, uma variante de uma bipolaridade suicida, ou coisa assim. Para além de, com o seu discurso, arrasar toda a política do seu homónimo e correligionário – mais e melhor do que fez o pessoal da oposição – parece que é neste segundo Sócrates que o PS vai apostar.
Coitado! Não vai ter muito apoio partidário, pois só cerca 35 mil militantes socialistas poderão votar nele – e não é líquido que todos o façam – num universo de cerca de 90 mil filiados. E é isto o partido que governa o país? Bem, mas uma coisa é certa: o outro Sócrates, o que tem governado, pobrezinho, nem a votos se atreve a ir…
(A propósito: só com cerca de 35 mil militantes a pagar quotas, onde arranjará o PS fundos para sobreviver? Em Alcochete? Na Guarda? Na Covilhã? Na Póvoa do Varzim? Ou será a vender Magalhães?)
Resta saber o que este Sócrates, o que quer ser primeiro-ministro, tem para propor ao eleitorado lá mais para a frente, já que, para além de arrasar o seu camarada, «engenheiro» Sócrates, só se lembrou de mariquices, como o caso da regionalização e do casamento entre pessoas do mesmo sexo. A ver vamos, como dizia o cego – e cegos é coisa que não falta em Portugal.
Voltando ao Sócrates que manda hoje – e ainda ao Freeport – quero que se lembrem dum senhor chamado Rui Gonçalves, que foi secretário de Estado do Ambiente, quando Sócrates titulava a pasta. E que o veio defender, com unhas e dentes, na televisão, jurando a pés juntos que tudo se passou na mais estrita legalidade.
Espero que o outro Sócrates, o que aí anda a fazer campanha para ser o futuro primeiro-ministro, dê uma valente vassourada nesta corja toda, já que, pelo que diz, renega em absoluto este Sócrates. Nas políticas e no plano ético…
Falando em professores da Universidade Independente, que o actual Sócrates em boa hora mandou fechar para que não mais se vasculhasse nos seus arquivos, sei que o tal professor que passou o actual primeiro-ministro a quatro cadeiras, de seu nome José Morais – e que chegou a integrar o mesmo governo que Sócrates, e que Sócrates nem conhecia (outra coincidência do caraças… ) – foi acusado num processo de corrupção passiva e de branqueamento de capitais relativamente ao concurso e adjudicação da obra da central de tratamento de lixo da Cova da Beira, caso que, por incrível coincidência (ou será outra terrível cabala?) também toca em José Sócrates – o actual governante.
Recorde-se, ainda, que este processo dá conta de que José Sócrates, Jorge Pombo e João Cristóvão, à data dos factos secretário de Estado do Ambiente, presidente da Câmara da Covilhã e assessor deste último, respectivamente, teriam recebido dinheiro da sociedade HLC, que ganhou o concurso para a construção da estação de tratamento de resíduos sólidos da Associação de Municípios da Cova da Beira.
Não sei se é por estarmos a falar de lixos, mas sai de tudo isto um cheiro tão nauseabundo, que me faz pensar que o senhor Presidente da República deve andar bastante constipado para não dar por ele.
Até eu, que nunca estive perto de José Sócrates (o actual primeiro-ministro e incontestado engenheiro) começo a sentir vómitos.
Desculpem-me. Vou ali vomitar, e volto já.




















