2.07.2010

Portugal estilhaçado




A divulgação das escutas que implicam Sócrates numa teia conspirativa para controlar a comunicação social e restringir, assim, a liberdade de opinião e expressão e, também, para condicionar a actuação do presidente da República, foi um magnífico exemplo de consciência e acção cívicas e patrióticas.


Na mesma semana em que Sócrates – em alto e bom som, ao que consta – exigiu o silenciamento de um jornalista incómodo, na senda do que já fizera em relação a outros jornalistas e órgãos de comunicação social, a divulgação das escutas do Face Oculta não só nos dá a verdadeira imagem da sua desprezível estatura moral e política – o que não será uma novidade absoluta – mas do ambiente de verdadeira promiscuidade que se estabeleceu entre o poder judicial e o poder político.

Referi, há tempos, neste mesmo espaço, que Sócrates estava a ser cozinhado em lume brando, e em lenha que ele próprio carregara. Disse, também – e cito:
Sócrates, como político, entrou em coma. Resiste, ainda, porque está ligado à máquina dos interesses partidários e económicos – enfim, da conjuntura politica actual. Respira, porque está ventilado, mas já cheira a defunto. Já fede.

Não me preocupa a agonia de Sócrates, mas a agonia em que, por culpa dele e das suas políticas, está Portugal e estão os portugueses. E quando Sócrates se for, dele apenas ficando uma justa nódoa para a página que a história lhe reservar, iremos ver se a lição nos serviu para alguma coisa.

1.26.2010

Pinto da Costa - um bom rapaz


O xadrez da nacional-vigarice


Oscilo entre o espanto, a indignação, a revolta, o merecido escárnio e uma angustiante dúvida sobre o que, enquanto povo, ainda nos reservará o futuro, caso se mantenha o ambiente social e político que sustentou, absolveu e tentou abafar esse escabroso processo, Apito Dourado, de seu nome. E pergunto-me quem se terá sentido mais incomodado com a divulgação das escutas.


Pinto da Costa? Certamente que não, pois está provado que os seus padrões morais não lhe permitem ter complexos de qualquer natureza. É o que se diz um descarado compulsivo, alguém para quem a vergonha e o bom-senso são coisas absolutamente desconhecidas. Vai continuar a destilar a sua ironia rançosa, a percorrer a sua senda de conspirações e vilezas, a promover ódios incendiários e, no fundo, a alimentar-se dessa amálgama de sordidez e perversão. É esta a sua natureza, dela não pode sair.

Mas se Pinto da Costa não perde o sono com estes sucedimentos, já muitos responsáveis judiciários e políticos, que têm mais massa encefálica que o dirigente tripeiro – ou, pelo menos, têm-na em melhor estado – perceberam que a divulgação das escutas representa um duro golpe para a sua credibilidade e para o seu estatuto. Perceberam que, a partir de agora, é justo concluir que se as coisas são assim com a corrupção no futebol, então é porque são assim – ou pior – em todos os outros casos sabidos ou a saber, incluindo, principalmente, os pesadíssimos processos que envolvem gente graúda do nosso país. Já se sabia – e agora provou-se – que há gente intocável, e que o poder legislativo e certos sectores da justiça – do arremedo dela – sabem como se fazem as coisas para proteger quem deve ser protegido.


Pinto da Costa é, feitas as contas, uma figura menor, um simples peão, no xadrez da nacional-vigarice. Mas é intocável porque, no dia em que um peãozinho destes cair, caem torres, cavalos, bispos, rainhas e reis.

Perceberam?

1.10.2010

1.03.2010

EDP - uma arma da exploração nacional

A EDP tem razões para sorrir. Ou melhor: os seus accionistas têm razões para sorrir.
Depois de terem recebido esta jóia da coroa das mãos do governo, aumentam as tarifas como querem
e, ainda por cima, só pagam impostos sobre 50% dos dividendos que recebem.
Se…

Se a EDP estivesse nacionalizada, os 5.400 milhões de lucro líquido que obteve nos últimos 5 anos e nove meses, teriam servido para permitir que os aumentos que aí vêm, na ordem dos 2,9%, se ficassem por muito menos. Um por cento, não mais. E permitiriam que a maioria desse lucro fosse canalizada para reforçar os orçamentos da Saúde e da Educação, ou da Segurança Social, por exemplo.

Assim, como foi privatizada, os lucros vão encher os bolsos dos accionistas que, ainda por cima, pagam impostos apenas sobre 50% dos valores que embolsam em dividendos.

Se a EDP fosse uma empresa nacionalizada, os seus lucros permitiriam que os portugueses tivessem melhor Saúde, melhor Educação, ou melhor Segurança Social, e pudessem consumir mais, porque uma electricidade mais barata permite mais poder de compra e a produção de bens e serviços menos caros, logo mais acessíveis.

Isto é: se a EDP fosse uma empresa pública, os portugueses viveriam melhor e o país poderia desenvolver-se. E o que se passa com a EDP, passa-se com todos os sectores estratégicos da nossa economia.

Se o PS fosse um partido de esquerda, mesmo que socialista só de nome, nacionalizava a EDP, para não permitir que os portugueses pagassem, com língua de palmo, os lucros fabulosos dos ricos. E para que o país saísse desta apagada e vil tristeza em que está hibernado.

Mas isso era
Se…

1.01.2010

Apostas mútuas? Com estes?!


Mais vale prevenir...

Sempre que o responsável máximo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é do PS, deixo, pura e simplesmente, de participar nos concurso de apostas mútuas e de comprar lotaria.

Não é por ser mauzinho ou por alergia a tudo o que me cheira a «socialistas» (salvo seja... ). É porque há muitas probabilidades de estar a ser intrujado. Os tipos são capazes de tudo. Não me espantaria nada, por isso, que, um dia destes, a bronca estoirasse. Qualquer coisa do género:
O jackpot saiu à casa!... e a casa ser no Largo do Rato.

Ná, à cautela... Com aquela gente, nunca se sabe.

12.27.2009

A propósito do Natal


Quem matou Cristo?


Quando o Cristo e o cristianismo morreram, no Concílio de Niceia, 325 anos depois de Cristo ter nascido, nasceram também todos os Papas, paridos - veja-se bem! - por um homem chamado Constantino e que era, ao momento, Imperador de Roma.


Milagre? Nem por isso. Talvez a compra mais valiosa que o poder (económico e político) fez até hoje.

12.25.2009

Cristo e o Império

Quando o Império Romano percebeu que os ideais cristãos
não podiam ser vencidos pela força, «converteu-se»
ao cristianismo. Não para o seguir, mas para o converter,
de facto, ao Império. E encontrou, entre os cristãos vendáveis,
os Judas que, até hoje, dão a Roma o que não é dela.


Esta coisa de Festas Felizes...


Deseje-se o que se desejar - e é sempre bom ouvir, ou ler, votos sinceros de festas felizes - a verdade é que em Portugal não as teremos como desejamos.

Teremos festas felizes para uns poucos milhares, festas razoáveis para outros tantos e, a partir daí, serão festas aungustiadas, ensombradas, tristes ou desesperadas para vários milhões.

O sistema político e económico que nos amachuca, assim determina, quer - e faz. Não tem nada de cristão. Não tem nada de santo, não tem nada de paz. Tem tudo de violento, injusto, falso e sanguinário. E não peço perdão para eles - os donos desse sistema - porque eles sabem muito bem o que fazem. A começar pelo próprio Papa.

Porque eu não me esqueço que desde o Concílio de Niceia, no ano em 325DC, convocado por Constantino, imperador romano (convertido ao cristianismo para passar a controlá-lo) que a Igreja se colocou ao lado do império contra os cristãos e os seus ideais de liberdade, justiça e solidariedade. O Dinheiro e o Poder político haviam comprado a Fé e a Verdade. É essa a Igreja Católica, Apostólica e Romana.

Até hoje!

11.22.2009

Face Oculta

Com o PS, os valores mínimos da decência,
da moral e da dignidade foram totalmente destruídos.
O país foi transformado num antro de ladroagem
e devadissão absoluta. Desbragada e descaradamente
A República apodrece


Já percebi. Sócrates está a cima da lei. É intocável.


O Procurador-Geral da República e o Presidente do Supremo Tribunal Administrativo não vislumbram - ou não querem vislumbrar - nas conversas entre Vara e Sócrates qualquer matéria digna de ser investigada. Exactamente o contrário do que pensam os investigadores e os magistrados de Aveiro.


Arquivar as escutas - ou destruí-las - parece ser a saída mais conveniente para o caso.


Sócrates agradece.


O país ri-se.


A República apodrece.




11.08.2009

Face Oculta



Um belo diálogo

Isto foi publicado no CM de 08-11-09:


«A ‘Operação Face Oculta’ não pára de surpreender todos os dias. Primeiro foi a descoberta de uma rede tentacular dirigida por um sucateiro de Ovar que conseguiu entrar em várias empresas públicas ou participadas pelo Estado, entre as quais a Galp e a EDP, dois pesos-pesados da Bolsa portuguesa.


Agora, começam a surgir notícias sobre escutas a conversas entre Armando Vara, arguido do processo e vice-presidente do BCP com funções suspensas, e o primeiro-ministro. Obviamente que não são conversas de circunstância entre amigos de longa data que fizeram uma carreira política de mãos dadas. Nada disso. São conversas sobre negócios e amigos que atravessam dificuldades económicas e financeiras e em que ambos tentam encontrar a melhor forma de ajudar a se ultrapassar a tormenta.




Lê-se e custa a acreditar que tudo isto aconteça em Portugal. É claro que pode ser tudo legal. Mas claramente não é uma situação normal. E como o País tem assistido nos últimos anos a trapalhadas e a situações menos claras em que aparece sempre envolvido Sócrates, é imperioso que na hierarquia do Estado haja alguém que seja o último bastião da confiança dos portugueses.


As sondagens podem ser negativas para Cavaco Silva, mas no meio desta selva valha-nos o Presidente da República».


António Ribeiro Ferreira


A isto, alguém inspirado retorquiu:


Sócrates e o PS estão metidos na Face Oculta até aos cabelos? Então isto não vai dar em nada. O senhor Procurador-Geral da República já mostrou que não está lá para arranhar o poder socialista, mas que, pelo contrário, está lá ao serviço do poder socialista. O Freeport já esclareceu isso.


E enquanto assim for, Portugal será um país sem rei nem roque. Um chavascal.


Só quero aplaudir.

9.17.2009

Varrer Sócrates. Limpar a democracia



Varrer o lixo


Abro esta crónica com a questão que aqueceu o último programa Provocações. Uma ouvinte não apreciou a maneira muito cordata como Jerónimo de Sousa se opôs a Sócrates. Na sua opinião, aquilo mais parecera uma conversa de amigos. Chegou a sugerir que, após o debate, teriam ido os dois beber um copo. Se bem percebi, quis dizer que esperava de Jerónimo de Sousa, em nome do povo que o PCP garante defender intransigentemente, uma atitude de justa indignação e necessária denúncia, confrontando Sócrates com todas as malfeitorias praticadas durante o seu governo. Como, seguramente, teria feito Álvaro Cunhal, disse essa ouvinte.


Esperaria ela que Jerónimo de Sousa, frente ao homem e ao político que agravou todos os problemas existentes em Portugal e que, pelo seu pendor para a trapaça e para a arrogância fez alastrar pelo país um sentimento de desmoralização e perda de valores éticos e democráticos, aproveitasse para, em nome dos portugueses desempregados ou sem salário digno, sem dinheiro para medicamentos, sem reformas decentes, sem condições para constituir família, por viverem de trabalhos precários, ou forçados a emigrar para terem rendimentos decentes – e chegam aos muitos milhões os portugueses nestas várias condições – ser o porta-voz desta gente vilipendiada pelo governo socialista, ser o rosto dos sem esperança, dos injustiçados, dos que já não sabem como vai ser o dia de amanhã, ou sabem que vai ser pior do que o de hoje.


Confesso que também era isso que eu esperava. Que Sócrates fosse posto a nu e confrontado com todas as suas políticas criminosas e – porque não? – com todas as trapalhadas em que esteve (e está) envolvido, impróprias de gente honrada, quer na esfera pública, quer na privada. Vi, há dias, o vídeo desse debate e reparei que Jerónimo foi muito político. Não fez ondas. Não encurralou o «animal feroz» – ou o Lobo Mau – que anda agora disfarçado de Capuchinho Vermelho.


Afinal, não há fome no país? Afinal, não morreu ninguém às portas de urgências fechadas ou à espera de socorro? Afinal, não passou a ser moda parir nas ambulâncias, ou ir parir a Espanha? Não florescem, agora, as clínicas privadas, precisamente nos sítios onde Sócrates mandou fechar maternidades, urgências e serviços de saúde públicos? Não morrem portugueses à espera de uma operação, especialmente centenas de doentes oncológicos? Não há falências em série e não asfixiam as pequenas e médias empresas? Afinal, não há instabilidade de emprego, e desemprego para muito mais de meio milhão de portugueses? E onde meteu Sócrates os mais 150 mil empregos? Afinal, não aumentou a criminalidade e a insegurança? Afinal, a corrupção não se tornou um modo de vida, especialmente ao nível das várias estruturas do poder, enchendo os bolsos dos corruptos e os sacos azuis dos partidos, e a grande roubalheira, de colarinho branco, não é compensada com milhões de euros pagos por nós? Então, não nos afastámos mais da média europeia e não aumentou o fosso entre ricos e pobres? Então, com Sócrates, não passaram os patrões a fazer gato-sapato dos trabalhadores, com um Código do Trabalho pior do que aquele que Bagão Félix cozinhou – e que nem Salazar alguma vez se atreveu a imaginar? Então, não está a pata do PS a esmagar a liberdade de informação, comprando, ameaçando ou neutralizando as vozes incómodas? Não continuam os boys e as girls socialistas a banquetear-se com os tachos a granel que as mãos-largas do poder cor-de-rosa lhes reservam? Enfim – e afinal – não estão o povo e o país piores, em todos os sentido, incluindo o dos valores, muito pior agora do que estavam há quatro anos?


E mais: quando é que Portugal teve um primeiro-ministro envolvido em tantas situações comprovadamente ilícitas e indubitavelmente imorais, incompatíveis com o cargo e, principalmente, impossíveis de acontecer com alguém que faz do carácter, da dignidade e da ética as bandeiras da sua vida pública e privada? Não é Sócrates um exemplo chapado da mais pura charlatanice, pontapeando a verdade a torto e a direito? Quem é que, do cidadão comum, sendo lúcido, descomprometido e sério não gostaria de estampar estas verdades na cara sem vergonha do embusteiro que comanda o país? Eu, meus amigos, adorava fazê-lo.


Não quis ir por aí Jerónimo – como também não foram os outros líderes partidários – e creio que os especialistas e conselheiros de imagem lá saberão porquê. Uma coisa é certa: neste ciclo de debates, em nome do politicamente correcto e da imagem que se julga necessário transmitir para a opinião pública, foram todos muito iguais. O sentir – posso até dizer: a revolta – do povo esteve ausente. Não teve eco pela boca de ninguém. Resultado: milhões de portugueses – entre os quais eu – não ouviram dizer a Sócrates o que eles gostariam de lhe ter dito. Foi pena, pois essa desilusão pode levar muita gente a não se sentir identificada com o actual quadro partidário e, por consequência, a não votar, ou a votar branco ou nulo.


Mas vamos à vida. Depois dos debates a dois, com todos os intervenientes muito bem penteados e maquilhados, cheios de boas maneiras e sorrisos perfeitamente ensaiados e meramente de circunstância, a campanha está aí. Cumpra-se, então, a liturgia. Vá-se às urnas como os católicos vão a Fátima, ou os muçulmanos vão a Meca. Se alguém espera um milagre, desiluda-se. O povo ainda não percebeu – por preguiça, descrença, medo atávico ou pura indigência mental – que deve deixar-se de perigosas fidelidades partidárias ou simpatias pessoais (uma espécie de estúpida clubite em versão política) e correr com aqueles que, servindo-se do seu voto, se têm limitado a iludi-lo e a explorá-lo, década após década.


Há, então, que escolher novos rumos e deitar fora a quinquilharia política que por aí anda há mais de 30 anos a encher-se e a encher as arcas do grande capital, enquanto esvazia os bolsos de quem trabalha. E nisto, o PS é especialista.


Entretanto, eu falo no que se quer esconder: Por exemplo: Sócrates e o PS, 35 anos depois da ditadura, da Pide e da Censura, calaram o Jornal de Sexta, da TVI, e Eduardo Moniz e Moura Guedes foram eliminados. Bem podem chorar lágrimas de crocodilo e bradarem inocência, porque nem o mais néscio de entre os néscios (desde que não seja um socretino puro, é claro) é que acredita que o bando socialista nada teve a ver com o assunto.


Pode-se gostar ou odiar Manuela Moura Guedes, mas sem ela não se tinha sabido nem da missa a metade do caso Freeport, especialmente do DVD de Charles Smith, onde acusa Sócrates de corrupto, nem que havia um «Gordo», que por acaso também é primo de Sócrates, e que a PJ fotografou a sair de um balcão do BES com uma mala, depois de uma avultada verba ter sido enviada pelos homens de Londres. Sem Moura Guedes, a Justiça já tinha enterrado o caso, porque a magistrada Cândida Almeida, uma socialista dos quatro costados, não queria saber do DVD para nada e o Procurador-Geral da República até estava farto do caso «até aos olhos».
Na verdade, só há uma coisa que eu não percebo nesta altura. É a razão pela qual o Presidente da República se tem remetido a um misterioso silêncio sobre as trafulhices de Sócrates, e os lideres partidários do PSD, PCP, BE, CDS/PP e demais clássica política não dizem, sem papas na língua, que um homem como Sócrates não pode estar à frente do governo de um país que se diz livre e democrático. Muito menos recandidatar-se ao cargo. Porque se calam todos?


Por isso, devemos nós, em 27 de Setembro, varrer o lixo.

Sócrates, claro.

8.09.2009

Intermezzo VII




Tríptico



Útero

No teu silêncio táctil, quase nuvem,
é de vitral submerso a alquimia.
Em lumes brandos me fazes e modelas,
enquanto as tuas mãos, lá fora,
desenham flores e vagos medos no berço em que me esperas.


Alma pater

Tu eras um afago de pão ainda quente,
o sal e o leite misturados no lento caminhar dos dias.
De longe, o teu olhar viril
vigiava o restolho nos meus passos
e reduzia o universo aos limites do meu corpo.
Nunca choravas, mas hoje sei das tuas lágrimas invisíveis,
quando decidiste abrir a mão que segurava a minha.


Em nome do filho

Pudesse eu de novo conceber-te
e receber o teu primeiro grito, pequena ave que fugiste incauta,
e abriria a porta de um poema onde morresse em teu nome.
Talvez assim voasses outros céus
e no sangue dos meus versos conseguisses alcançar o sol.


8.05.2009

Portugal está a saque


Viva a horda! Abaixo a ordem!


"Portugal é hoje um paraíso criminal onde alguns inocentes imbecis se levantam para ir trabalhar, recebendo por isso dinheiro que depois lhes é roubado pelos criminosos e ajuda a pagar ordenados aos iluminados que bolsam certas leis".

(Barra da Costa, criminologista)


A frase, na sua singeleza, diz tudo. Acrescentaria, por desfastio, que Portugal é um país de chicos-espertos, a começar por Sócrates e comandita, para quem, a verdade, a honra, a moral e os valores são coisas supérfluas e incómodas. Na realidade, o país está saque. Uma horda heterogénea saqueia o mais que pode.

Horda onde - note-se bem - se misturam as mais altas e respeitáveis figuras das administrações pública e privada e os vulgares gatunecos que por aí proliferam.

7.28.2009

Parlamento - um santo e virtuoso altar

Enquanto eles se divertem, bem pagos e com o futuro garantido,
a maioria dos portugueses vive com a corda na garganta.
O Parlamento e o Governo, ambos ao serviço do capital financeiro,
fingem que o Povo é a sua preocupação.
No final, o povo não passou de um pretexto
para a representação de uma farsa chamada Democracia.
A responsável palhaçada


Um conhecido activista dos direitos dos homossexuais, chamado Miguel Vale de Almeida, esteve, até há pouco, encostadinho ao Bloco de Esquerda. Homossexual assumido e orgulhoso daquilo a que chama opção (coisa discutível, pois parece-me que tudo se resume a uma embaraço biológico e não a uma qualquer opção, já que opção implica uma escolha consciente e praticável entre, pelo menos, duas possibilidades), passou os últimos anos a desancar ferozmente o PS e os seus dirigentes. Disse deles o que um feirante assanhado não diz dos inspectores da ASAE.
Agora, aceitou integrar as listas de candidatos do PS às legislativas. Traindo os bloquistas e concubinando-se com os seus antigos inimigos de estimação, a cujo piscar de olho maroto não conseguiu resistir, Vale de Almeida caiu, literalmente, nos braços de Sócrates. Enfim, La donna è mobile. Que sejam muito felizes, apesar de os dois terem ficado mal nesta fotografia nupcial. Mas que fazer? Nos últimos tempos o PS não acerta uma…


Ainda na senda das modernices, a Assembleia da República exaltou-se com as petições que ali chegaram, ao abrigo de um direito (por enquanto…) constitucional, especialmente com uma petição que pedia a suspensão da lei do aborto. Não exactamente pelo pedido em si próprio, mas pela linguagem utilizada. Não gostaram os senhores deputados – especialmente uma inflamada deputada do PS – que os cidadãos peticionários se atrevessem a chamar-lhes irresponsáveis e outras evidências, pois a Assembleia da República, como todos estamos fartos de saber, é um altar de santos imaculados. Santos e sábios. Sábios e trabalhadores. Trabalhadores e assíduos. Assíduos e competentes. Competentes e responsáveis. Responsáveis e eficazes. Especialmente eficazes.


É por serem tudo isto, que passam o seu tempo, de forma diligente, descomprometida, objectiva e solidária, a resolver – ou a obrigar o governo a resolver – os magnos problemas nacionais. Foi graças ao esforço destes briosos rapazes e raparigas, damas e cavalheiros – e espécies híbridas – que no Parlamento se desunham em intenso labor, que o desemprego desapareceu, que os ordenados e pensões foram fixados em níveis compatíveis com a dignidade inerente a qualquer ser humano e que se esfumaram os mais de dois milhões de pobres que aviltavam a nossa esplendorosa democracia. Foi graças a eles e à sua consabida responsabilidade e alto sentido dos deveres dos deputados, que os grandes vigaristas e pedófilos da nossa praça foram todos detidos, as forças de segurança prestigiadas, o inepto que governava o Banco de Portugal substituído por um indivíduo medianamente competente e que tem, pelo menos, um olho.
Deve-se, pois, a este grupo de sapientes e doutas criaturas, unidas na ingente tarefa de levantar hoje, de novo, o esplendor de Portugal, que o nosso país seja um caso de respeito no contexto europeu e um exemplo de como uma nação sem grandes recursos pode andar por aí de cara lavada e espinha direita. Que não seja uma anedota ou uma excrescência.


É graças a eles, enfim, que os governos emanados desta respeitável e santa casa, a Assembleia da República, conseguem ser eficientes e produtivos, pois os rapazes e raparigas, damas e cavalheiros – e produtos similares – que resfolgam de canseira nos estofos do hemiciclo, não os deixam pôr o pé em ramo verde, e logo cortam pela raiz qualquer iniciativa que não corresponda ao interesse nacional. Nada lhes escapa do que o governo faz ou queira fazer, seja coisa linear, seja de carácter duvidoso ou seja, sem a menor dúvida, uma pulhice descomunal.


Por isso, nada de tratar a Casa Mãe da nossa honrada democracia como uma casa de alterne ou um bordel, pois se o fosse nunca lá entraria, para confraternizar com deputados, alguém como o senhor Jorge Nuno Pinto da Costa. Ele é, só por si, um aval à respeitabilidade do Parlamento. Disse-o antes; repito-o agora com redobrada convicção.


Por isso, a Assembleia da República é o nosso sol. A nossa água. O nosso ar. O nosso porto de abrigo em tempo de borrasca, como essa crise que por aí anda. Ali, com ordenados miseráveis, reformas ainda piores, horários extensíssimos, disciplina férrea, assiduidade inquestionável, os rapazes e raparigas, as damas e os cavalheiros – e os deputados de outras espécies – que nós elegemos, não sossegam enquanto houver um único problema a afligir um português que seja.


É vê-los e ouvi-los, sempre que a televisão nos oferece aspectos do seu labor, como discutem os problemas com objectividade, sem se perderem em conversa fiada e discussões estéreis, sem risinhos parvos ou apartes de humor duvidoso, sem o menor galhofar circense. Pondo de lado eventuais interesses pessoais ou de grupo, apenas e unicamente atentos ao bem público, o que fazem – benza-os deus! – fazem-no com toda a elevação e mérito. Vê-se como só o país lhes interessa. E como só o povo povoa os seus pensamentos.


E de todo o manancial de benfeitorias que a legislatura agora terminada nos trouxe, quero saudar a mais fundamental para a felicidade dos portugueses, aquela que todos nós queríamos ver resolvida antes de qualquer outra. A Lei do Aborto. Peço perdão pela brutalidade da expressão, perfeitamente inadequada no caso em apreço. Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez. Assim é que se diz. O aborto é uma coisa brutal, bárbara, indigna. A interrupção voluntária da gravidez é uma coisa completamente diferente. É o mais sublime dos direitos humanos, o mais civilizacional avanço social e a peça que faltava para dignificar a mulher, colocando-a, definitivamente, em pé de igualdade com o homem.


E como já temos resolvidos todos os outros problemas, tais como o desemprego, a política de rendimentos e a distribuição da riqueza – as desigualdades sociais, em suma – as questões da segurança social, com a abolição das pensões infames, ou os velhos problemas da educação, da segurança pública, da saúde, da habitação e da cultura, faltam agora duas cerejas em cima deste festivo e glorioso bolo: o casamento entre indivíduos do mesmo sexo, e a lei da eutanásia. Mal os nossos responsáveis parlamentares resolvam estas duas magnas questões, faremos roer de inveja qualquer país do mundo.


E se me for permitido, só peço uma coisa. Não. Não vou pedir que os senhores deputados sejam sempre – e obrigatoriamente – convidados para todas as uniões gays que se realizarem no nosso país, salvo, claro está, se o enlace for mesmo entre parlamentares.


O que peço é que sejam eles próprios, responsavelmente, a testar a lei da eutanásia. Não é que eu seja contra a morte assistida. Era só para nós, contribuintes, termos a certeza de que a coisa funcionava...

7.26.2009

Portugal, hoje




Poema para quem ficar

Um dia, virão pelo mel que guardámos.
Queimada a casa e degolado o cão, imolarão os nossos filhos
em nome das verdades decretadas entre sedas e olhos de serpente.
Talvez te violem sobre cardos, depois de me encostarem às tábuas da lei,
para que pareça justo o festim das balas.

Já hoje os decifro, ainda no seu aspecto de pombas,
tecendo labirintos de brisas onde esvoaçam outros ventos,
promessas de novos holocaustos, coloridos de frágeis açucenas.

Mulher. Esconde estas palavras onde ninguém saiba,
para que um dia possas dizê-las aos cegos sobrevivos.

6.01.2009

Os corruptos



Histórias feias de uma democracia emporcalhada


Mário Crespo escreveu há dias, a propósito da nova lei do financiamento partidário, um artigo intitulado «Não é a crise que nos destrói. É o dinheiro», do qual não resisto a salientar as seguintes passagens:


«Nada no mundo me faria revelar o nome de quem relatou este episódio. É oportuno divulgá-lo agora, porque o parlamento abriu as comportas do dinheiro vivo para o financiamento dos partidos. O que vou descrever foi-me contado na primeira pessoa. Passou-se na década de oitenta. Estando a haver grande dificuldade na aprovação de um projecto, foi sugerido a uma empresária que um donativo partidário resolveria a situação. O que a surpreendeu foi a frontalidade da proposta e o montante pedido. Ela tinha tentado mover influências entre os seus conhecimentos para desbloquear uma tramitação emperrada num labirinto burocrático, e foi-lhe dito, sem rodeios, que se desse um donativo de cem mil contos "ao partido", o projecto seria aprovado. O proponente desta troca de favores tinha enorme influência na vida nacional. Seguiu-se uma fase de regateio, que durou alguns dias. Sem avançar nenhuma contraproposta, a empresária disse que por esse dinheiro o projecto deixaria de ser rentável e ela seria forçada a desistir. Aí, o montante exigido começou a baixar muito rapidamente. Chegou aos quinze mil contos, com uma irritada referência de que era "pegar ou largar". Para apressar as coisas e numa manifestação de poder, nas últimas fases da negociação o político facilitador surpreendeu novamente a empresária, trazendo consigo aos encontros um colega de partido, pessoa muito conhecida e bem colocada no aparelho do Estado. Este segundo elemento mostrou estar a par de tudo. Acertado o preço, foram dadas à empresária instruções muito específicas. O donativo para o partido seria feito em dinheiro vivo, com os quinze mil contos em notas de mil escudos, divididos em três lotes de cinco mil. Tudo numa pasta. A entrega foi feita dentro do carro da empresária. Um dos políticos estava sentado no banco do passageiro, o outro no banco de trás. O da frente recebeu a pasta, abriu-a, tirou um dos maços de cinco mil contos e passou-a para trás, dizendo que cinco mil seriam para cada um deles e cinco mil seriam entregues ao partido. O projecto foi aprovado nessa semana. Cumpria-se a velha tradição de extorsão que se tornou norma em Portugal e que nesses idos de oitenta abrangia todo o aparelho de Estado.


Rui Mateus no seu livro, Memórias de um PS desconhecido (D. Quixote 1996), descreve extensivamente os mecanismos de financiamento partidário, incluindo o uso de contas em off shore (por exemplo na Compagnie Financière Espírito Santo da Suíça - pags. 276, 277) para onde eram remetidas avultadas entregas em dinheiro vivo. Estamos portanto face a uma cultura de impunidade que se entranhou na nossa vida pública e que o aparelho político não está interessado em extirpar
».

Se alguém julga impossível esta história, imaginando-a patranha de um jornalista pouco sério, posso assegurar-vos que, para mim, ela não traz nada de novo. Há anos, um querido amigo, já falecido, quadro superior numa grande empresa de obras públicas, foi encarregado de encontrar local onde pudessem ser despejadas as terras provenientes de um grande empreendimento que estava a ser realizado em Lisboa pela sua empresa. Contactados vários municípios dos arredores da capital, logo se prontificou o presidente de um deles a receber as terras, mas exigindo um donativo de 10 mil contos para, alegadamente, ser construída uma sede do seu partido.


Face à situação, a empresa aceitou a exigência, e o valor foi pago em dinheiro vivo, em duas tranches de 5 mil contos, sendo a primeira entregue pelo meu amigo a um assessor do presidente da autarquia, e a segunda entregue ao mesmo cavalheiro por um administrador da empresa.


Noutra ocasião, um conhecido empreiteiro da península de Setúbal confidenciou-me que estava com sérias dificuldades para conseguir a aprovação de um projecto de urbanização, apesar de ter entregue a sua execução a um gabinete de arquitectura sugerido por um alto quadro dos serviços de urbanismo da câmara local, que lhe garantiu que isso iria «facilitar a aprovação». Devo acrescentar que esse gabinete de arquitectura pertencera ao referido técnico camarário, do qual aparentemente se desvinculara para evitar especulações.


As coisas começaram a azedar quando o tal gabinete de arquitectura informou que o pagamento da execução do projecto seria feito metade em dinheiro, passando o respectivo recibo, e a outra metade com a cedência de um lote, sem qualquer recibo. Em contrapartida, seria permitido o aumento da área de construção, através da elevação de mais um piso, ao que equivalia mais uma assoalhada, do tipo estúdio, por inquilino.


Mas o pior foi quando lhe disseram que tudo ainda estaria condicionado ao aumento da área de cedência à câmara, pois o terreno era insuficiente para a construção pretendida. Aí, milagrosamente, a própria autarquia encontrou a devida solução. Mesmo ao lado, confinando com a urbanização do empreiteiro, estava um terreno, por acaso da família de um senhor vereador, que dispunha de terreno a mais. Feitos os contactos, ficou a saber-se que o negócio podia ser feito, mas com a condição de o terreno ser transaccionado por 100 mil contos, dos quais só se passaria, no entanto, um recibo de 50 mil.


Com o investimento feito, só restava ao empreiteiro aceitar, e de bico calado, pois a alternativa era o prejuízo total, com o terreno às moscas. Devo acrescentar que, na minha santa inocência, lhe perguntei se me autorizava a denunciar a situação no jornal Outra Banda, que então dirigia, mas pediu-me, por todos os anjinhos, que não o fizesse, pois se isso acontecesse nunca mais teria um projecto aprovado no concelho em causa.


Calei-me, na altura, por não ter o direito de agir contra a vontade de quem confiara em mim e, num desabafo, lamentara o lodaçal onde se tinha deixado atascar. Mas, falando em termos gerais, contei no local próprio e à frente das pessoas certas, uma estranha história que tinha ouvido algures. E querem saber uma coisa? Em duas semanas o projecto estava aprovado!


Há dias, uma amiga avisou-me para os perigos resultantes do que escrevo, pedindo-me para ter cuidado. Estranho aviso. Fez-me recordar os tempos de antigamente, quando os amigos ou a família avisavam para a necessidade de não erguer a voz, de calar a revolta, de não tocar no sistema instalado. Essa amiga, que estimo muito, avivou-me, na memória, os ecos de então. Percebo-a, agradeço-lhe, mas não lhe vou obedecer. As histórias verídicas que hoje aqui contei, sem pormenores, têm nomes, caras, datas, documentos, testemunhas. São histórias sujas de uma democracia porca – porque foi emporcalhada por senhores de colarinho branco – transformada num regime sem moral, sem valores, sem vergonha.


Um dia, quando for oportuno, as contarei – estas e outras – sem hesitar. Para resgatar Abril e as suas esperanças. Porque no 25 de Abril que vivi há mais de 34 anos, não cabia gente desta. Nem no mais negro dos sonhos.


E se eu não estiver cá para as contar – seja lá porque motivos forem – alguém as contará por mim. E, com toda a certeza, melhor do que eu.

5.28.2009

Freeport, Freeports

A corrupção é um monstro que ameaça a nossa vida colectiva.
Que nos devora. É, também, o óleo que lubrifica
tudo o que é negócio público ou privado.
Freeportes há muitos, seus palermas!



Um grupo de 23 alemães endinheirados propôs que as pessoas com um rendimento anual superior a 500 mil euros paguem, neste e no próximo ano, um imposto extra de 5%.


Não é grande oferta, especialmente porque limitada no tempo, mas vai, apesar disso, em sentido contrário ao que os patos-bravos cá do sítio defendem. Realmente, por aqui é precisamente o inverso: de Vítor Constâncio a Belmiro de Azevedo, de Silva Lopes a Américo Amorim, de qualquer ex-ministro das finanças ao presidente das associações patronais, um tal Francisco van Zeller, todos defendem, com a concordância operacional do governo, a manutenção dos seus privilégios, e que paguem a crise aqueles que trabalham. Acima de tudo, defendem a contenção – ou, até, a redução – salarial para a generalidade dos trabalhadores, salvo para eles próprios e para as suas respectivas seitas. A recente tentativa, atrapalhadamente sustida, de os administradores glutões do Banco de Portugal se voltarem a aumentar, é prova dessa mentalidade imoral.


Posso garantir, com a autoridade que a minha experiência de vida me dá, a par da excelente memória que tenho, que neste regime – de democrata e republicano enganosamente chamado – tal como no regime anterior, de Salazar e Marcelo, se pensa e se age, em termos de políticas económicas e sociais, exactamente da mesma maneira. Nesse aspecto, como em quase todos os outros, nada mudou. Ou melhor. Tudo está a voltar, aceleradamente, ao mesmo. E se quisesse acrescentar que hoje se fecham escolas e serviços de saúde onde antigamente se abriam, poderia fazê-lo sem correr o risco de me chamarem aldrabão ou coisa pior.


Digo – repetindo o que tenho dito noutras ocasiões – que nada distingue, em termos de governação da coisa pública, estes democratas dos outros ditadores. Sempre se pediram sacrifícios ao povo, fosse por causa da crise existente, fosse para pagar os custos de uma crise passada, fosse para evitar uma crise futura. Uma receita velha e gasta, mas sempre eficazmente mantida e aplicada, seja pela força do bastão, seja pela manipulação habilidosa das consciências, seja por acéfalas submissões partidárias.


Vivemos perdidos no meio de um círculo vicioso que urge romper, se queremos, como é próprio de uma verdadeira democracia e de um regime republicano, ser donos do nosso próprio destino. Devemos perceber que não é só pelo voto que lá vamos. É pela intervenção cívica e cidadã, é pela afirmação pública e permanente dos nossos direitos e garantias, é pela exigência da aplicação prática e efectiva das disposições constitucionais, é pela indignação publicamente manifestada, é pela denúncia dos desmandos praticados a todos os níveis do poder, é pela capacidade de afrontarmos, de todas as formas, um sistema onde se encavalitou uma corja de oportunistas, corruptos, parasitas e outros estafermos, todos agarrados às tetas de uma porca, que outra coisa já não é a política dos nossos tempos.


O que estou a dizer é que o poder político, nos dias que correm, está tão distanciado das populações – e contra elas tão virado – como o estava antes do 25 de Abril. Do alto do seu poder, conferido pelo voto, os políticos não cuidam de servir as populações, mas de manter o cargo e, através dele, servirem-se, servirem a força política em que se estribaram (para não perderem a confiança política), cuidarem do seu futuro e, periodicamente, em épocas que antecedem os períodos eleitorais, tratarem de descer até à ralé, sem gravata e com ar desportivo, para impingirem as mesmas tretas que impingiram há quatro anos atrás. E toca a andar, que já enganámos mais estes…


Na maior parte dos casos – porque há, aqui ou ali, honrosas excepções – suas excelências incharam com o poder recebido e já se imaginam seres soberanos e inquestionáveis. Porque podem decidir, utilizam os cargos para distribuir benesses nos colos convenientes, compram cumplicidades, traficam influências, subornam e corrompem. As populações e os seus interesses deixaram de ser uma preocupação, mas apenas um pretexto e um meio para se decidirem negócios e negociatas, onde os diferentes clãs se amanham e sequiosamente se abastecem. E para melhor o fazerem – e só por isso – se acotovelam e insultam.


Há dias, pessoa amiga perguntava-me se eu não estranhava que num escândalo tão grande, como é o caso do Freeport, os partidos políticos se mantivessem tão discretos, tão cautelosos, tão pouco agressivos e exigentes na descoberta da verdade. Respondi-lhe que não, que não estranhava. No fundo, em maior ou menos escala, Freeportes é o que por aí mais há. Nenhum, que se saiba, com tão grandes dimensões como o de Alcochete, mas tudo é negociável e sujeito a um convite à lubrificação de uns quanto por cento. Do mero estaleiro de construção civil, permitido em terreno agrícola, ao famoso empreendimento inglês, passando por grandes urbanizações, em tudo se estabelece um toma-lá-dá-cá desavergonhado, onde, em boa verdade, se esbatem as diferenças ideológicas, os valores a ética e a honra.
Como referi na crónica anterior, passam-se coisas, em Portugal (sem que ninguém se demita, seja demitido ou vá preso), que têm, em qualquer país da Europa, consequências bem diferentes.


Dois exemplos:


O primeiro-ministro belga, Yves Leterme, propôs, em 19 de Dezembro do ano passado, a demissão de todo o Governo, na sequência de acusações de alegadas (alegadas, note-se!) pressões sobre a justiça. Leterme negou qualquer pressão sobre o poder judiciário, mas admitiu ter feito «contactos»;


Michael Martin, presidente da Câmara dos Comuns, anunciou em 19 de Maio, a demissão, após acusações de alegadamente (alegadamente, também, note-se) ter consentido alegados (só alegados) abusos nas despesas de representação de alguns deputados; e dois membros da Câmara dos Lordes foram suspensos por, alegadamente (só alegadamente, volte a notar-se), terem aceitado dinheiro para votar projectos de lei.


Nenhum deles tinha sido (note-se de novo) condenado por sentença transitada em julgado, e mesmo assim (abra-se a boca de pasmo), tiraram consequências políticas de alegações fundamentadas que os visavam. Então e aquela coisa da “presunção de inocência”, que, cá no burgo, é tão útil – e utilizada? Serão as democracias belga e inglesa que têm muito a aprender com a nossa, ou falta-lhes comer, como dizia o outro, muita papa Maizena para chegarem aos calcanhares da democracia portuguesa?


José Saramago escreveu, há dias, que a explicação para o facto de Berlusconi estar no poder, é porque metade de Itália é como ele, e a outra metade gostaria de ser.
Pergunto eu: será que os portugueses já são todos como Sócrates?


Eu não sou. E você?

4.19.2009

Abril das mágoas mil

Trinta e cinco anos após o 25 de Abril, a «democracia» reinante
fomenta as dádivas de alimentos como meio de matar a fome
a milhões de portugueses. O trabalhao e o pão não são direitos
efectivos do povo português, de estarem consignados na Constituição.



Abril das mágoas mil


Há cinco anos, precisamente no dia 22 de Abril de 2004, no editorial do jornal Outra Banda, que então dirigia, escrevi o seguinte texto:


«Sou dos que não alinham no foguetório que saúda cada aniversário do 25 de Abril, embora compreenda, apesar de tudo, as boas intenções de quem o lança. Não consigo festejar Abril, quando o que dele resta é o voto e uma ilusória sensação de liberdade de expressão, no fundo pouco mais do que a estafada e quase inútil conversa de café. Não consigo festejar memórias ou vestígios.


Do voto, não duvido que é, cada vez mais, a certidão de óbito da nossa cidadania, e que não serve para outra coisa que não seja a de legitimar as práticas políticas daqueles que, encaixados no partidos do sistema, vão encontrando sucessivas maneiras – e desculpas – para extorquirem a mais de nove milhões de portugueses o necessário para que as grandes fortunas, filhas dos grandes negócios, continuem no mar de abastança em que já nadavam antes do 25 de Abril. E o resto é paisagem.


Da liberdade de expressão, cada vez mais condicionada pela ressuscitada noção de que não é saudável afrontar os poderosos, restam desabafos limitados pelo sentido das conveniências, pois manter um emprego – ou consegui-lo – pode depender de sermos, ou não, pessoas dispostas a nos sujeitarmos à velha ordem natural das coisas. Em lugar da Censura, aí está, pujante, a auto-censura. Domesticados éramos, domesticados somos.


Do voto, suspeite-se somente que vai pender para quem defende uma sociedade justa, onde todos tenham o direito – e a obrigação – de trabalhar e, pelo seu trabalho, receber a justa paga; e que ligado a isso, todos – todas as pessoas e todas as empresas – tenham perante o Estado as mesmas responsabilidades, direitos e deveres (incluindo os fiscais), de modo a que a todos seja garantido uma existência segura, digna e feliz, e logo veremos como o sacrossanto voto deixa de valer, e como a democracia logo se desmascara e se vê a ditadura que lhe está nas veias. Democracia, democracia, poder económico à parte.


Da liberdade de expressão, imagine-se apenas que alguém conseguia ser um novo Messias e levar a esperança aos que a não têm, e, mais do que a esperança, a certeza de que, todos juntos, poderíamos construir um país novo, justo e solidário, e logo se veria como uma nova PIDE aí estaria para pregar na cruz o atrevido.


No 25 de Abril que eu vivi, não cabiam a fome, nem o desemprego, nem as listas de espera, nem a opulência feita à custa da miséria alheia. No meu 25 de Abril, não há lugar para os políticos de carreira, com ordenados chorudos e reformas obscenas, profissionais do embuste e do oportunismo, parasitas de um povo que continua tão vampirizado como o era até há trinta anos.


E quando o meu país se torna cúmplice activo de uma guerra colonial – de descarada pilhagem e sangrenta ocupação – convictamente vos digo que já nada distingue estes “democratas” dos outros ditadores.»


Estas palavras, escrevi-as eu há cinco anos atrás, na edição número 333 do extinto Outra Banda. Hoje, nem uma palavra retiraria ao que então escrevi. Pelo contrário: várias outras, e bem piores, lhes poderei acrescentar.


Com o «socialismo» de Sócrates e do PS, aumentou o desemprego, a precariedade de emprego é a regra, os salários em atraso são o pão nosso de cada dia, diminuíram as reformas, os salários perderam ainda mais poder de compra, aumentou a criminalidade, a corrupção é uma forma de vida e de governo, o Ensino conhece os seus piores dias após o 25 de Abril, a Saúde deixou de ser um direito (porque se transformou num negócio), as desigualdades sociais acentuaram-se, o número de pobres ultrapassa os dois milhões de há três anos, e a Justiça passou a ser uma anedota, onde o poder político mete o bedelho para o pressionar e controlar a seu bel-prazer.


Fecham-se escolas às centenas, tal como maternidades e urgências hospitalares. Aumentam-se as taxas moderadoras e os medicamentos, mas reduz-se a lista dos que são comparticipados. O acesso fácil à Justiça é só para os ricos.


A classe dominante, uma mistura promíscua de políticos e altos empresários, troca favores e interesses por cima e por debaixo da mesa, e a Justiça, forte e exigente para com a arraia-miúda, é completamente cega, surda, muda e paraplégica quando confrontada com a alta corrupção reinante.


Obriga-se o povo a pagar os desfalques no sistema financeiro, onde se injectam milhões saídos dos nossos impostos, milhões que depois nos emprestam com juros de verdadeiros agiotas.


A economia está entregue à lógica do regateio e da especulação, e a estes interesses se curvam os legisladores e o aparelho do Estado. A administração pública está enxameada pelos amigos, familiares e esbirros da facção de momento no poder, e aí se conseguem, sem custo, vantagens e mordomias para o resto da vida.


E enquanto se obriga os portugueses a apertarem o cinto, continua a apoiar-se o esforça de guerra do imperialismo, enviando tropas para qualquer parte do mundo que nos seja apontado. O Iraque de hoje é uma ruína, comparado com o Iraque próspero de Saddam, e o seu petróleo é sugado directamente para as grandes petrolíferas ocidentais, com as vénias dos governantes fantoches que os invasores lá colocaram. Nisto fomos – e continuamos a ser – cúmplices activos, servis e obrigados.


Fechada no castelo do poder, a casta dominante – constituída pelo poder económico e a classe política, confundidos num só trono – governa o feudo como sempre fez: impondo à maioria restrições e sacrifícios dos quais a si própria se isenta.


Se contra tudo isto se fez, com lágrimas de alegria e cravos de festa e esperança, o 25 de Abril, quem pode, em seu perfeito juízo, agora festejá-lo?


Não! Este Abril que vivemos já não é de festa. É um Abril de mágoas mil. E, por isso mesmo, de luta e indignação.


E de revolta.

4.13.2009

Portugal, hoje em dia...



Portugal, hoje em dia…
(foto triste, com soneto)


Jardim à beira-mar, foste chamado,
agora, cemitério é o teu nome,
depois de carcomido pela fome
e por novos barões acorrentado.

Um povo adormecido, descuidado,
um come e cala (ou porque cala, come);
e enquanto isso, o Poder, incólume
enche a barriga e ri-se, desbragado.

Corruptos, pedófilos, ladrões,
saltam dos bancos para a governança
e dela para os bancos, comilões.

Enchem a mula sem qualquer temp’rança,
e tu, povo carneiro, sem colhões,
pagas, sem um berro, esta festança

4.12.2009

Israel - Um retrato de hoje



NAZISMO E SIONISMO - Uma só escola
Uma t-shirt ostentando uma palestina grávida sob uma alça de mira e a inscrição "Um tiro duas mortes", foi a imagem escolhida por snipers (atiradores de elite) da infantaria israelense. Outras t-shirts exibem bebés mortos, mães a chorarem sobre os túmulos dos seus filhos, armas apontadas a crianças e mesquitas bombardeadas.
Há uma loja em Tel Aviv especializada em imprimir as ditas t-shirts, e cada pelotão escolhe a imagem que vai usar. As atrocidades praticadas pela entidade nazi-sionista já não são escondidas – são mesmo exibidas.
A Alemanha Nazi foi uma boa escola para os sionistas.

4.04.2009

Partido Socialista - A pocilga

O triunfo dos porcos já dura há tempo demais.
Dos porcos, enquanto metáfora.
Que os porcos, os verdadeiros,
merecem respeito, simpatia e ração.
Pocilga, 5 de Abril de 2002
Estou aflito.

Jornais, rádio, televisão (todos eles controlados por gente insuspeita de pertencer a tenebrosas forças de esquerda, totalitárias e etc e tal), só falam de uma coisa - ou, principalmente, de uma coisa: o Caso Freeport.

Todos os dias, um dado novo. Hoje, foi o ministro Alberto Costa, personagem que, em Macau, passou por um aviltante processo de demissão, dado que se prestou ao que, agora, se garante que terá prestado. Puta velha, portanto.

Depois, é o caso de corrupção na Câmara da Amadora (socialista, claro), que mete a mamã de Sócrates e uma dama, de apelido Vara (socialista, ora bem) que já havia estado metida no processo Freeport. Se querem fazer uma ponte Chelas-Barreiro, bem podiam aproveitar esta: Amadora-Alcochete. É toda ela cor-de-rosa. Linda!

Quanto a mim, nenhuma dúvida tenho sobre o que se passou. Só se fosse cego, surdo e, ainda por cima, burro que nem um portão de quinta. Louro, para rematar. Ou, então, um socretino dos quatro costados.

No fundo, dou por mim a pensar se haverá alguém sério no PS.

Só se for o Melancia... Ou, então, o Abílio Curto. Talvez a Fátima Felgueiras, não acham? Ou o Armando Vara. Ou o Jorge Coelho, mais conhecido pelo Senhor Cinco por Cento. Ou o José Morais, o tal professor que passou Sócrates a várias disciplinas, por atacado, e que Sócrates nunca conheceu. Ou o próprio Zezito, também conhecido por Sócrates.

E de pedófilos, nem quero falar...

SOCORRO!