10.31.2010

OGE - Outro Gigantesco Engano


Aleluia!



O país respirou de alívio. Depois de negociações verdadeiramente dramáticas, o OGE vai passar. Muito obrigado, PS. Obrigadíssimo, PSD. Com este OGE, Portugal vai salvar-se da bancarrota, reconquistar o prestígio internacional a abrir o caminho a um futuro finalmente radioso. Ou, pelo menos, tranquilo e estável. A crise vai ser vencida. Aleluia!



Apenas me ficou uma dúvida. Se toda a gente detinha - dos governantes actuais aos governantes passados - as receitas para salvar o país e transformá-lo, pelo menos, numa coisa menos fétida, porque se deixou chegar o doente ao estado a que chegou? Desconfio que nenhum dos salvadores da pátria sabe a resposta. Ou, se a sabe - o que é mais certo - prefere guardar um prudente silêncio.



Mas o país vai salvar-se, e isso é que interessa. E vai salvar-se porque vem aí mais fome, mais desemprego, mais crédito malparado, mais falências, mais criminalidade. Todos os indicadores económicos a sociais baterão no fundo, mas o país estará a salvo. Em termos estatísticos, teremos uma acentuada melhoria no que respeita à saúde dos portugueses a ao progressivo envelhecimento da população, pois haverá menos doentes e menos velhos, sem ser necessário recorrer às câmaras de gás. Morrerão natural e antecipadamente em consequências das medidas sabiamente adoptadas.



Parabéns, PS. Parabéns, PSD. Um país roto e faminto, mas grato pela vossa competência, agradece o esforço. E até acha que não merecia tanto.



Chocalham de riso os ossos de Salazar. Mas isso, só os mais velhos ouvem.

10.03.2010

República





República?


De vez em quando cai uma bandeira

e outra se levanta em seu lugar.

Agita-se a nação, unida, inteira,

de mão estendida e esperança no olhar.


De vez em quando alguém cai da cadeira

e a noite rumoreja um despertar.

De vez em quando um cravo é a maneira

que a Liberdade tem de se mostrar.


De vez em quando ao Rei sucede o Ás

e um bando de doutores e engenheiros

(ou disso se gabando, tanto faz).


No trono continuam cem banqueiros,

de gula tão feroz e tão voraz,

que nada resta aos homens verdadeiros.

9.09.2010

Pedófilos e pedofilia


Aos incréus

Muitos anos antes do Processo Casa Pia ter rebentado, já eu sabia, através de uma pessoa das minhas relações que trabalhava na casa de um dos apresentadores do programa ZIP-ZIP, das porcarias em que certos sujeitos estavam envolvidos. A coisa não era totalmente às claras, mas era feita à vontadinha. Quase que uma gracinha de gente rica - ou com uma boa vida - e famosa. Uma extravagância.
Os nomes que essa pessoa referia (um deles, de alguém já falecido) correspondiam, entre outros, a quase todos os que agora foram julgados. Para mim, também por isso, é tudo fumo e fogo da mesma fogueira. Bem real. Não perceber isto é, no mínimo, padecer de uma grande dose de ingenuidade. Dar o benefício da dúvida é, nas actuais circunstâncias - e à luz dos factos divulgados - andar cá por ver andar os carros eléctricos que ainda circulam.

O fenómeno, é verdade, atravessa a nossa sociedade, infectando todas as classes sociais, mas não há dúvida que os ricos, por terem dinheiro, podem ter carne fresca servida à lista. O Bibi, que não pode ter sido o único predador de crianças e jovens, era, também, como ficou mais do que provado (até pela sua confissão), o fornecedor - e disto penso que ninguém duvida. É muito difícil de acreditar que tenha inventado - tal como os jovens utilizados - os nomes dos abusadores. O que é fácil de acreditar é que outros houve que escaparam à justiça. Ou seja: pecou-se por defeito; não por execesso.

E, agora, é isso que mais me dói - e enraivece: é ter a certeza que há nomes que não foram divulgados e outros que, apesar de o serem, se livraram do banco dos réus. Porquê? Porque estão bem encostados politicamente. E fosse o PS um partido sem expressão e sem o poder que tem a nível da manupilação dos diversos cordelinhos, e teríamos visto muitos mais nomes sonantes a pagar pelos seus crimes.
Mas Portugal é isto mesmo: um lugar muito mal frequentado.

7.20.2010

Fascistas e glutões - ou os novos vampiros



Afinal, quem é mais fascista?

Anda por aí um interessante texto, que abaixo reproduzo. Se lermos até ao fim, percebemos a pergunta em título. E percebemos porque andam por aí muitos «democratas» a fazer-nos crer que tudo isto é... «democrático». É porque lhes escorre, ou esperam que lhes venha a escorrer.

Tenho dito que esta Democracia é a maior - e melhor - entidade empregadora do país. E o mais eficaz esquema de segurança social. Basta ver como eles se reformam cedo, muito bem e, nalguns casos, várias vezes. É a democracia do glutões.


Mas leiam, leiam...


«Corria o ano de 1960 quando foi publicada no "Diário do Governo" de 6 de Junho a Lei 2105, com a assinatura de Américo Tomaz, Presidente da República, e de A. Oliveira Salazar, Presidente do Conselho de Ministros. Conforme nos descreve Pedro Jorge de Castro no seu livro "Salazar e os milionários", publicado pela Quetzal em 2009, essa lei destinou-se a disciplinar e moralizar as remunerações recebidas pelos gestores do Estado, fosse em que tipo de estabelecimentos fosse. Eram abrangidos os organismos estatais, as empresas concessionárias de serviços públicos onde o Estado tivesse participação accionista, ou ainda aquelas que usufruíssem de financiamentos públicos ou "que explorassem actividades em regime de exclusivo". Não escapava nada onde houvesse investimento do dinheiro dos contribuintes.


E que dizia, em resumo, a Lei 2105 (de António de Oliveira SALAZAR)? Dizia simplesmente que quem quer que ocupasse esses lugares de responsabilidade pública não podia ganhar mais do que um Ministro. Claro que muitos empresários logo procuraram espiolhar as falhas e os buraquinhos por onde a Lei 2105 pudesse ser torneada, o que terão de certo modo conseguido pois a redacção do diploma permitia aos administradores, segundo transcreve o autor do livro, "receber ainda importâncias até ao limite estabelecido, se aos empregados e trabalhadores da empresa for atribuída participação nos lucros".


A publicação desta lei altamente moralizadora, que ocorreu no período do Estado Novo de Salazar, fará muito brevemente 50 anos.


Em 13 de Setembro de 1974, catorze anos depois da lei "fascista", e seguindo sempre as explicações do livro de Pedro Castro, o Governo de Vasco Gonçalves, militar recém-saído do 25 de Abril, pegou na ambiguidade da Lei 2105/60 e, pelo Decreto Lei 446/74, limitou os vencimentos dos gestores públicos e semi-públicos ao salário máximo de 1,5 vezes o vencimento de um Secretário de Estado. Vendo bem, Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar, quando assinaram o Dec.-lei 446/74, pura e simplesmente reduziram os vencimentos dos gestores do Estado do dobro do vencimento de um Ministro para uma vez e meia o vencimento de um Secretário de Estado. O Decreto- Lei 446/74 justificava a alteração nos referidos vencimentos pelo facto da redacção pouco precisa da Lei 2105/60 permitir "interpretações abusivas", o que possibilitava "elevados vencimentos e não menos excessivas pensões de reforma".


Perceberam, agora, como os marmanjos se amanham? Mas é tudo democrático, não é?

5.16.2010

Portugal, hoje como ontem...


Em 100 anos não melhorámos nada

«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.»
Guerra Junqueiro, 1896
Realmente, já nem as orelhas sabemos sacudir, quanto mais dar um coice!

5.11.2010

Ricardo Rodrigues


A nova estrela «socialista»

Nasceu uma estrela no panorama da política nacional. Chama-se Ricardo Rodrigues e, entre várias especialidades, é perito em furtar gravadores a jornalistas. Como não podia deixar de ser, é socialista – dizendo melhor: é do Partido Socialista, o que, como amargamente aprendemos, não significa ser-se socialista, em termos práticos – e é homem de confiança do senhor engenheiro José Sócrates. Dizendo isto, estaria tudo dito. Dá-se o caso, no entanto, de a rapaziada ser bastante desatenta e, para além do mais, não ter condições de acesso a muita informação que por aí circula, mas que a generalidade da comunicação social esconde. Por isso, é preciso explicar quem é este eminente político, apanhado agora a surripiar uns gravadores aos incautos jornalistas que o entrevistavam.


Ricardo Rodrigues é aquele senhor irascível, muito dado a ataques de mau humor e a tentações censórias, que o PS designou para a Comissão de Ética da Assembleia da República, onde se esforça para que a verdade sobre as tentativas do seu partido controlar a comunicação social não seja apurada. É advogado e foi membro do governo regional dos Açores, do qual se demitiu na sequência do caso Farfalha, um escândalo de pedofilia que abalou a região. O seu nome, aliás, aparece envolvido em outras situações que deixam sérias dúvidas sobre a sua idoneidade e a sua competência. De facto, se como advogado nunca primou pelo sucesso, sendo até acusado de deixar «condenar estupidamente» clientes seus, como cidadão apareceu associado a processos nebulosos que muito deram que falar na sociedade açoriana. Foi a atribulada falência de um jornal do PS, em Ponta Delgada, e o processo dos milhões de euros desviados da Caixa Geral de Depósitos de Vila Franca do Campo, onde foi constituído arguido e, segundo José Maria Martins, que, como advogado, esteve no mesmo processo, «alguém se encarregou de o safar», contrariando a posição da Polícia Judiciária. Ao afirmar isto, José Maria Martins desafiou mesmo Ricardo Rodrigues a processá-lo, coisa que até agora – e que se saiba – não foi feito.


Ora, era precisamente sobre estas matérias que os jornalistas da revista Sábado estavam a questioná-lo quando o senhor deputado resolveu agarrar nos gravadores, metê-los no bolso e dar a conversa como acabada. O senhor deputado, para justificar o seu acto, disse que as perguntas constituíam uma «violência psicológica insuportável». Ficámos a saber que, na lógica dos socialistas – tal como, anteriormente, na lógica dos fascistas – os jornalistas não podem fazer perguntas que desagradem aos senhores entrevistados, sempre que os entrevistados sejam eles. E como, por enquanto, não se pode prendê-los, opta-se por lhes palmar os gravadores. Não basta não responder – ou, até, aproveitar o momento para esclarecer dúvidas, repor a verdade, desmontar boatos e limpar o nome. Nada disso. A solução e confiscar o material de gravação, metê-lo ao bolso… e por aqui me sirvo. Ficámos a saber, também, o que pensam os socialistas da liberdade de imprensa e do direito a informar e ser informado, já que a acção mereceu palmas e apoio incondicional dos seus correligionários e apaniguados.


Se o senhor deputado socialista tem caldinhos na sua vida – e não serão poucos, pelos vistos – e não quer ser questionado sobre eles, não se meta na vida pública, pois todos temos o direito de escrutinar a vida daqueles que ocupam lugares que exigem um passado limpo de qualquer mancha. A um deputado da nação exige-se uma vida transparente, e a comunicação social tem o direito – e o dever – de a passar a pente fino, não só para informar e esclarecer a opinião pública, como, também, para dar ao visado a oportunidade de demonstrar que é uma pessoa imaculada e digna de deter um cargo que foi obtido através do voto, e é pago por todos nós. O senhor deputado não quis – ou não pôde – mostrar-nos que é uma pessoa de bem. Ao invés – e como o seu acto atesta – deu-nos a entender que não é pessoa de princípios, nem de confiança. E, por acréscimo, que não prima pela estabilidade emocional nem pela inteligência.


Resumindo: está muito bem no PS.


Estava eu nestas cogitações, quando me chega a notícia que o distinto deputado foi nomeado para consultor do primeiro-ministro em matéria de segurança interna. Curioso, fui à procura de mais dados sobre o cavalheiro, tendo esbarrado com a informação de que também faz parte do Conselho Superior do Ministério Público. Cada vez mais interessado, vasculhei até me surpreender, a pontos de quase cair para o lado: sua excelência foi um dos obreiros, durante a legislatura passada, das alterações do Código Penal e de Processo Penal, dotando-os de artigos de protecção em matéria de investigação criminal a políticos. Ou, por palavras mais simples: domesticar a investigação criminal, subordinando-a ao poder político. A Lei deixou, pura e simplesmente, de ser igual para todos.


Portugal, conduzido pelo Partido Socialista, está à beira da falência. Mas no que respeita à decência é à ética, já faliu há muito tempo.


Como o senhor deputado Ricardo Rodrigues abundantemente testemunha.

5.01.2010

25 de Abril de 2010


A fome é problema de quem a passa

Os democratas, os revolucionários, os patriotas (quase todos) estão muito bem aconchegados nos seus cargos, nas suas reformas (nos seus tachos, ou jobs, como se queira), ou entretidos a falar sozinhos, ou em circuito fechado, nos centros de trabalho.

Desligaram-se da vida, foram engolidos pela «democracia» em curso. São meninos bem comportados, politicamente correctos, inodoros, incolores, insípidos.Venha o cheque ao fim do mês, e o resto é conversa.


2.07.2010

Portugal estilhaçado




A divulgação das escutas que implicam Sócrates numa teia conspirativa para controlar a comunicação social e restringir, assim, a liberdade de opinião e expressão e, também, para condicionar a actuação do presidente da República, foi um magnífico exemplo de consciência e acção cívicas e patrióticas.


Na mesma semana em que Sócrates – em alto e bom som, ao que consta – exigiu o silenciamento de um jornalista incómodo, na senda do que já fizera em relação a outros jornalistas e órgãos de comunicação social, a divulgação das escutas do Face Oculta não só nos dá a verdadeira imagem da sua desprezível estatura moral e política – o que não será uma novidade absoluta – mas do ambiente de verdadeira promiscuidade que se estabeleceu entre o poder judicial e o poder político.

Referi, há tempos, neste mesmo espaço, que Sócrates estava a ser cozinhado em lume brando, e em lenha que ele próprio carregara. Disse, também – e cito:
Sócrates, como político, entrou em coma. Resiste, ainda, porque está ligado à máquina dos interesses partidários e económicos – enfim, da conjuntura politica actual. Respira, porque está ventilado, mas já cheira a defunto. Já fede.

Não me preocupa a agonia de Sócrates, mas a agonia em que, por culpa dele e das suas políticas, está Portugal e estão os portugueses. E quando Sócrates se for, dele apenas ficando uma justa nódoa para a página que a história lhe reservar, iremos ver se a lição nos serviu para alguma coisa.

1.26.2010

Pinto da Costa - um bom rapaz


O xadrez da nacional-vigarice


Oscilo entre o espanto, a indignação, a revolta, o merecido escárnio e uma angustiante dúvida sobre o que, enquanto povo, ainda nos reservará o futuro, caso se mantenha o ambiente social e político que sustentou, absolveu e tentou abafar esse escabroso processo, Apito Dourado, de seu nome. E pergunto-me quem se terá sentido mais incomodado com a divulgação das escutas.


Pinto da Costa? Certamente que não, pois está provado que os seus padrões morais não lhe permitem ter complexos de qualquer natureza. É o que se diz um descarado compulsivo, alguém para quem a vergonha e o bom-senso são coisas absolutamente desconhecidas. Vai continuar a destilar a sua ironia rançosa, a percorrer a sua senda de conspirações e vilezas, a promover ódios incendiários e, no fundo, a alimentar-se dessa amálgama de sordidez e perversão. É esta a sua natureza, dela não pode sair.

Mas se Pinto da Costa não perde o sono com estes sucedimentos, já muitos responsáveis judiciários e políticos, que têm mais massa encefálica que o dirigente tripeiro – ou, pelo menos, têm-na em melhor estado – perceberam que a divulgação das escutas representa um duro golpe para a sua credibilidade e para o seu estatuto. Perceberam que, a partir de agora, é justo concluir que se as coisas são assim com a corrupção no futebol, então é porque são assim – ou pior – em todos os outros casos sabidos ou a saber, incluindo, principalmente, os pesadíssimos processos que envolvem gente graúda do nosso país. Já se sabia – e agora provou-se – que há gente intocável, e que o poder legislativo e certos sectores da justiça – do arremedo dela – sabem como se fazem as coisas para proteger quem deve ser protegido.


Pinto da Costa é, feitas as contas, uma figura menor, um simples peão, no xadrez da nacional-vigarice. Mas é intocável porque, no dia em que um peãozinho destes cair, caem torres, cavalos, bispos, rainhas e reis.

Perceberam?

1.10.2010

1.03.2010

EDP - uma arma da exploração nacional

A EDP tem razões para sorrir. Ou melhor: os seus accionistas têm razões para sorrir.
Depois de terem recebido esta jóia da coroa das mãos do governo, aumentam as tarifas como querem
e, ainda por cima, só pagam impostos sobre 50% dos dividendos que recebem.
Se…

Se a EDP estivesse nacionalizada, os 5.400 milhões de lucro líquido que obteve nos últimos 5 anos e nove meses, teriam servido para permitir que os aumentos que aí vêm, na ordem dos 2,9%, se ficassem por muito menos. Um por cento, não mais. E permitiriam que a maioria desse lucro fosse canalizada para reforçar os orçamentos da Saúde e da Educação, ou da Segurança Social, por exemplo.

Assim, como foi privatizada, os lucros vão encher os bolsos dos accionistas que, ainda por cima, pagam impostos apenas sobre 50% dos valores que embolsam em dividendos.

Se a EDP fosse uma empresa nacionalizada, os seus lucros permitiriam que os portugueses tivessem melhor Saúde, melhor Educação, ou melhor Segurança Social, e pudessem consumir mais, porque uma electricidade mais barata permite mais poder de compra e a produção de bens e serviços menos caros, logo mais acessíveis.

Isto é: se a EDP fosse uma empresa pública, os portugueses viveriam melhor e o país poderia desenvolver-se. E o que se passa com a EDP, passa-se com todos os sectores estratégicos da nossa economia.

Se o PS fosse um partido de esquerda, mesmo que socialista só de nome, nacionalizava a EDP, para não permitir que os portugueses pagassem, com língua de palmo, os lucros fabulosos dos ricos. E para que o país saísse desta apagada e vil tristeza em que está hibernado.

Mas isso era
Se…

1.01.2010

Apostas mútuas? Com estes?!


Mais vale prevenir...

Sempre que o responsável máximo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é do PS, deixo, pura e simplesmente, de participar nos concurso de apostas mútuas e de comprar lotaria.

Não é por ser mauzinho ou por alergia a tudo o que me cheira a «socialistas» (salvo seja... ). É porque há muitas probabilidades de estar a ser intrujado. Os tipos são capazes de tudo. Não me espantaria nada, por isso, que, um dia destes, a bronca estoirasse. Qualquer coisa do género:
O jackpot saiu à casa!... e a casa ser no Largo do Rato.

Ná, à cautela... Com aquela gente, nunca se sabe.

12.27.2009

A propósito do Natal


Quem matou Cristo?


Quando o Cristo e o cristianismo morreram, no Concílio de Niceia, 325 anos depois de Cristo ter nascido, nasceram também todos os Papas, paridos - veja-se bem! - por um homem chamado Constantino e que era, ao momento, Imperador de Roma.


Milagre? Nem por isso. Talvez a compra mais valiosa que o poder (económico e político) fez até hoje.

12.25.2009

Cristo e o Império

Quando o Império Romano percebeu que os ideais cristãos
não podiam ser vencidos pela força, «converteu-se»
ao cristianismo. Não para o seguir, mas para o converter,
de facto, ao Império. E encontrou, entre os cristãos vendáveis,
os Judas que, até hoje, dão a Roma o que não é dela.


Esta coisa de Festas Felizes...


Deseje-se o que se desejar - e é sempre bom ouvir, ou ler, votos sinceros de festas felizes - a verdade é que em Portugal não as teremos como desejamos.

Teremos festas felizes para uns poucos milhares, festas razoáveis para outros tantos e, a partir daí, serão festas aungustiadas, ensombradas, tristes ou desesperadas para vários milhões.

O sistema político e económico que nos amachuca, assim determina, quer - e faz. Não tem nada de cristão. Não tem nada de santo, não tem nada de paz. Tem tudo de violento, injusto, falso e sanguinário. E não peço perdão para eles - os donos desse sistema - porque eles sabem muito bem o que fazem. A começar pelo próprio Papa.

Porque eu não me esqueço que desde o Concílio de Niceia, no ano em 325DC, convocado por Constantino, imperador romano (convertido ao cristianismo para passar a controlá-lo) que a Igreja se colocou ao lado do império contra os cristãos e os seus ideais de liberdade, justiça e solidariedade. O Dinheiro e o Poder político haviam comprado a Fé e a Verdade. É essa a Igreja Católica, Apostólica e Romana.

Até hoje!

11.22.2009

Face Oculta

Com o PS, os valores mínimos da decência,
da moral e da dignidade foram totalmente destruídos.
O país foi transformado num antro de ladroagem
e devadissão absoluta. Desbragada e descaradamente
A República apodrece


Já percebi. Sócrates está a cima da lei. É intocável.


O Procurador-Geral da República e o Presidente do Supremo Tribunal Administrativo não vislumbram - ou não querem vislumbrar - nas conversas entre Vara e Sócrates qualquer matéria digna de ser investigada. Exactamente o contrário do que pensam os investigadores e os magistrados de Aveiro.


Arquivar as escutas - ou destruí-las - parece ser a saída mais conveniente para o caso.


Sócrates agradece.


O país ri-se.


A República apodrece.




11.08.2009

Face Oculta



Um belo diálogo

Isto foi publicado no CM de 08-11-09:


«A ‘Operação Face Oculta’ não pára de surpreender todos os dias. Primeiro foi a descoberta de uma rede tentacular dirigida por um sucateiro de Ovar que conseguiu entrar em várias empresas públicas ou participadas pelo Estado, entre as quais a Galp e a EDP, dois pesos-pesados da Bolsa portuguesa.


Agora, começam a surgir notícias sobre escutas a conversas entre Armando Vara, arguido do processo e vice-presidente do BCP com funções suspensas, e o primeiro-ministro. Obviamente que não são conversas de circunstância entre amigos de longa data que fizeram uma carreira política de mãos dadas. Nada disso. São conversas sobre negócios e amigos que atravessam dificuldades económicas e financeiras e em que ambos tentam encontrar a melhor forma de ajudar a se ultrapassar a tormenta.




Lê-se e custa a acreditar que tudo isto aconteça em Portugal. É claro que pode ser tudo legal. Mas claramente não é uma situação normal. E como o País tem assistido nos últimos anos a trapalhadas e a situações menos claras em que aparece sempre envolvido Sócrates, é imperioso que na hierarquia do Estado haja alguém que seja o último bastião da confiança dos portugueses.


As sondagens podem ser negativas para Cavaco Silva, mas no meio desta selva valha-nos o Presidente da República».


António Ribeiro Ferreira


A isto, alguém inspirado retorquiu:


Sócrates e o PS estão metidos na Face Oculta até aos cabelos? Então isto não vai dar em nada. O senhor Procurador-Geral da República já mostrou que não está lá para arranhar o poder socialista, mas que, pelo contrário, está lá ao serviço do poder socialista. O Freeport já esclareceu isso.


E enquanto assim for, Portugal será um país sem rei nem roque. Um chavascal.


Só quero aplaudir.

9.17.2009

Varrer Sócrates. Limpar a democracia



Varrer o lixo


Abro esta crónica com a questão que aqueceu o último programa Provocações. Uma ouvinte não apreciou a maneira muito cordata como Jerónimo de Sousa se opôs a Sócrates. Na sua opinião, aquilo mais parecera uma conversa de amigos. Chegou a sugerir que, após o debate, teriam ido os dois beber um copo. Se bem percebi, quis dizer que esperava de Jerónimo de Sousa, em nome do povo que o PCP garante defender intransigentemente, uma atitude de justa indignação e necessária denúncia, confrontando Sócrates com todas as malfeitorias praticadas durante o seu governo. Como, seguramente, teria feito Álvaro Cunhal, disse essa ouvinte.


Esperaria ela que Jerónimo de Sousa, frente ao homem e ao político que agravou todos os problemas existentes em Portugal e que, pelo seu pendor para a trapaça e para a arrogância fez alastrar pelo país um sentimento de desmoralização e perda de valores éticos e democráticos, aproveitasse para, em nome dos portugueses desempregados ou sem salário digno, sem dinheiro para medicamentos, sem reformas decentes, sem condições para constituir família, por viverem de trabalhos precários, ou forçados a emigrar para terem rendimentos decentes – e chegam aos muitos milhões os portugueses nestas várias condições – ser o porta-voz desta gente vilipendiada pelo governo socialista, ser o rosto dos sem esperança, dos injustiçados, dos que já não sabem como vai ser o dia de amanhã, ou sabem que vai ser pior do que o de hoje.


Confesso que também era isso que eu esperava. Que Sócrates fosse posto a nu e confrontado com todas as suas políticas criminosas e – porque não? – com todas as trapalhadas em que esteve (e está) envolvido, impróprias de gente honrada, quer na esfera pública, quer na privada. Vi, há dias, o vídeo desse debate e reparei que Jerónimo foi muito político. Não fez ondas. Não encurralou o «animal feroz» – ou o Lobo Mau – que anda agora disfarçado de Capuchinho Vermelho.


Afinal, não há fome no país? Afinal, não morreu ninguém às portas de urgências fechadas ou à espera de socorro? Afinal, não passou a ser moda parir nas ambulâncias, ou ir parir a Espanha? Não florescem, agora, as clínicas privadas, precisamente nos sítios onde Sócrates mandou fechar maternidades, urgências e serviços de saúde públicos? Não morrem portugueses à espera de uma operação, especialmente centenas de doentes oncológicos? Não há falências em série e não asfixiam as pequenas e médias empresas? Afinal, não há instabilidade de emprego, e desemprego para muito mais de meio milhão de portugueses? E onde meteu Sócrates os mais 150 mil empregos? Afinal, não aumentou a criminalidade e a insegurança? Afinal, a corrupção não se tornou um modo de vida, especialmente ao nível das várias estruturas do poder, enchendo os bolsos dos corruptos e os sacos azuis dos partidos, e a grande roubalheira, de colarinho branco, não é compensada com milhões de euros pagos por nós? Então, não nos afastámos mais da média europeia e não aumentou o fosso entre ricos e pobres? Então, com Sócrates, não passaram os patrões a fazer gato-sapato dos trabalhadores, com um Código do Trabalho pior do que aquele que Bagão Félix cozinhou – e que nem Salazar alguma vez se atreveu a imaginar? Então, não está a pata do PS a esmagar a liberdade de informação, comprando, ameaçando ou neutralizando as vozes incómodas? Não continuam os boys e as girls socialistas a banquetear-se com os tachos a granel que as mãos-largas do poder cor-de-rosa lhes reservam? Enfim – e afinal – não estão o povo e o país piores, em todos os sentido, incluindo o dos valores, muito pior agora do que estavam há quatro anos?


E mais: quando é que Portugal teve um primeiro-ministro envolvido em tantas situações comprovadamente ilícitas e indubitavelmente imorais, incompatíveis com o cargo e, principalmente, impossíveis de acontecer com alguém que faz do carácter, da dignidade e da ética as bandeiras da sua vida pública e privada? Não é Sócrates um exemplo chapado da mais pura charlatanice, pontapeando a verdade a torto e a direito? Quem é que, do cidadão comum, sendo lúcido, descomprometido e sério não gostaria de estampar estas verdades na cara sem vergonha do embusteiro que comanda o país? Eu, meus amigos, adorava fazê-lo.


Não quis ir por aí Jerónimo – como também não foram os outros líderes partidários – e creio que os especialistas e conselheiros de imagem lá saberão porquê. Uma coisa é certa: neste ciclo de debates, em nome do politicamente correcto e da imagem que se julga necessário transmitir para a opinião pública, foram todos muito iguais. O sentir – posso até dizer: a revolta – do povo esteve ausente. Não teve eco pela boca de ninguém. Resultado: milhões de portugueses – entre os quais eu – não ouviram dizer a Sócrates o que eles gostariam de lhe ter dito. Foi pena, pois essa desilusão pode levar muita gente a não se sentir identificada com o actual quadro partidário e, por consequência, a não votar, ou a votar branco ou nulo.


Mas vamos à vida. Depois dos debates a dois, com todos os intervenientes muito bem penteados e maquilhados, cheios de boas maneiras e sorrisos perfeitamente ensaiados e meramente de circunstância, a campanha está aí. Cumpra-se, então, a liturgia. Vá-se às urnas como os católicos vão a Fátima, ou os muçulmanos vão a Meca. Se alguém espera um milagre, desiluda-se. O povo ainda não percebeu – por preguiça, descrença, medo atávico ou pura indigência mental – que deve deixar-se de perigosas fidelidades partidárias ou simpatias pessoais (uma espécie de estúpida clubite em versão política) e correr com aqueles que, servindo-se do seu voto, se têm limitado a iludi-lo e a explorá-lo, década após década.


Há, então, que escolher novos rumos e deitar fora a quinquilharia política que por aí anda há mais de 30 anos a encher-se e a encher as arcas do grande capital, enquanto esvazia os bolsos de quem trabalha. E nisto, o PS é especialista.


Entretanto, eu falo no que se quer esconder: Por exemplo: Sócrates e o PS, 35 anos depois da ditadura, da Pide e da Censura, calaram o Jornal de Sexta, da TVI, e Eduardo Moniz e Moura Guedes foram eliminados. Bem podem chorar lágrimas de crocodilo e bradarem inocência, porque nem o mais néscio de entre os néscios (desde que não seja um socretino puro, é claro) é que acredita que o bando socialista nada teve a ver com o assunto.


Pode-se gostar ou odiar Manuela Moura Guedes, mas sem ela não se tinha sabido nem da missa a metade do caso Freeport, especialmente do DVD de Charles Smith, onde acusa Sócrates de corrupto, nem que havia um «Gordo», que por acaso também é primo de Sócrates, e que a PJ fotografou a sair de um balcão do BES com uma mala, depois de uma avultada verba ter sido enviada pelos homens de Londres. Sem Moura Guedes, a Justiça já tinha enterrado o caso, porque a magistrada Cândida Almeida, uma socialista dos quatro costados, não queria saber do DVD para nada e o Procurador-Geral da República até estava farto do caso «até aos olhos».
Na verdade, só há uma coisa que eu não percebo nesta altura. É a razão pela qual o Presidente da República se tem remetido a um misterioso silêncio sobre as trafulhices de Sócrates, e os lideres partidários do PSD, PCP, BE, CDS/PP e demais clássica política não dizem, sem papas na língua, que um homem como Sócrates não pode estar à frente do governo de um país que se diz livre e democrático. Muito menos recandidatar-se ao cargo. Porque se calam todos?


Por isso, devemos nós, em 27 de Setembro, varrer o lixo.

Sócrates, claro.

8.09.2009

Intermezzo VII




Tríptico



Útero

No teu silêncio táctil, quase nuvem,
é de vitral submerso a alquimia.
Em lumes brandos me fazes e modelas,
enquanto as tuas mãos, lá fora,
desenham flores e vagos medos no berço em que me esperas.


Alma pater

Tu eras um afago de pão ainda quente,
o sal e o leite misturados no lento caminhar dos dias.
De longe, o teu olhar viril
vigiava o restolho nos meus passos
e reduzia o universo aos limites do meu corpo.
Nunca choravas, mas hoje sei das tuas lágrimas invisíveis,
quando decidiste abrir a mão que segurava a minha.


Em nome do filho

Pudesse eu de novo conceber-te
e receber o teu primeiro grito, pequena ave que fugiste incauta,
e abriria a porta de um poema onde morresse em teu nome.
Talvez assim voasses outros céus
e no sangue dos meus versos conseguisses alcançar o sol.


8.05.2009

Portugal está a saque


Viva a horda! Abaixo a ordem!


"Portugal é hoje um paraíso criminal onde alguns inocentes imbecis se levantam para ir trabalhar, recebendo por isso dinheiro que depois lhes é roubado pelos criminosos e ajuda a pagar ordenados aos iluminados que bolsam certas leis".

(Barra da Costa, criminologista)


A frase, na sua singeleza, diz tudo. Acrescentaria, por desfastio, que Portugal é um país de chicos-espertos, a começar por Sócrates e comandita, para quem, a verdade, a honra, a moral e os valores são coisas supérfluas e incómodas. Na realidade, o país está saque. Uma horda heterogénea saqueia o mais que pode.

Horda onde - note-se bem - se misturam as mais altas e respeitáveis figuras das administrações pública e privada e os vulgares gatunecos que por aí proliferam.

7.28.2009

Parlamento - um santo e virtuoso altar

Enquanto eles se divertem, bem pagos e com o futuro garantido,
a maioria dos portugueses vive com a corda na garganta.
O Parlamento e o Governo, ambos ao serviço do capital financeiro,
fingem que o Povo é a sua preocupação.
No final, o povo não passou de um pretexto
para a representação de uma farsa chamada Democracia.
A responsável palhaçada


Um conhecido activista dos direitos dos homossexuais, chamado Miguel Vale de Almeida, esteve, até há pouco, encostadinho ao Bloco de Esquerda. Homossexual assumido e orgulhoso daquilo a que chama opção (coisa discutível, pois parece-me que tudo se resume a uma embaraço biológico e não a uma qualquer opção, já que opção implica uma escolha consciente e praticável entre, pelo menos, duas possibilidades), passou os últimos anos a desancar ferozmente o PS e os seus dirigentes. Disse deles o que um feirante assanhado não diz dos inspectores da ASAE.
Agora, aceitou integrar as listas de candidatos do PS às legislativas. Traindo os bloquistas e concubinando-se com os seus antigos inimigos de estimação, a cujo piscar de olho maroto não conseguiu resistir, Vale de Almeida caiu, literalmente, nos braços de Sócrates. Enfim, La donna è mobile. Que sejam muito felizes, apesar de os dois terem ficado mal nesta fotografia nupcial. Mas que fazer? Nos últimos tempos o PS não acerta uma…


Ainda na senda das modernices, a Assembleia da República exaltou-se com as petições que ali chegaram, ao abrigo de um direito (por enquanto…) constitucional, especialmente com uma petição que pedia a suspensão da lei do aborto. Não exactamente pelo pedido em si próprio, mas pela linguagem utilizada. Não gostaram os senhores deputados – especialmente uma inflamada deputada do PS – que os cidadãos peticionários se atrevessem a chamar-lhes irresponsáveis e outras evidências, pois a Assembleia da República, como todos estamos fartos de saber, é um altar de santos imaculados. Santos e sábios. Sábios e trabalhadores. Trabalhadores e assíduos. Assíduos e competentes. Competentes e responsáveis. Responsáveis e eficazes. Especialmente eficazes.


É por serem tudo isto, que passam o seu tempo, de forma diligente, descomprometida, objectiva e solidária, a resolver – ou a obrigar o governo a resolver – os magnos problemas nacionais. Foi graças ao esforço destes briosos rapazes e raparigas, damas e cavalheiros – e espécies híbridas – que no Parlamento se desunham em intenso labor, que o desemprego desapareceu, que os ordenados e pensões foram fixados em níveis compatíveis com a dignidade inerente a qualquer ser humano e que se esfumaram os mais de dois milhões de pobres que aviltavam a nossa esplendorosa democracia. Foi graças a eles e à sua consabida responsabilidade e alto sentido dos deveres dos deputados, que os grandes vigaristas e pedófilos da nossa praça foram todos detidos, as forças de segurança prestigiadas, o inepto que governava o Banco de Portugal substituído por um indivíduo medianamente competente e que tem, pelo menos, um olho.
Deve-se, pois, a este grupo de sapientes e doutas criaturas, unidas na ingente tarefa de levantar hoje, de novo, o esplendor de Portugal, que o nosso país seja um caso de respeito no contexto europeu e um exemplo de como uma nação sem grandes recursos pode andar por aí de cara lavada e espinha direita. Que não seja uma anedota ou uma excrescência.


É graças a eles, enfim, que os governos emanados desta respeitável e santa casa, a Assembleia da República, conseguem ser eficientes e produtivos, pois os rapazes e raparigas, damas e cavalheiros – e produtos similares – que resfolgam de canseira nos estofos do hemiciclo, não os deixam pôr o pé em ramo verde, e logo cortam pela raiz qualquer iniciativa que não corresponda ao interesse nacional. Nada lhes escapa do que o governo faz ou queira fazer, seja coisa linear, seja de carácter duvidoso ou seja, sem a menor dúvida, uma pulhice descomunal.


Por isso, nada de tratar a Casa Mãe da nossa honrada democracia como uma casa de alterne ou um bordel, pois se o fosse nunca lá entraria, para confraternizar com deputados, alguém como o senhor Jorge Nuno Pinto da Costa. Ele é, só por si, um aval à respeitabilidade do Parlamento. Disse-o antes; repito-o agora com redobrada convicção.


Por isso, a Assembleia da República é o nosso sol. A nossa água. O nosso ar. O nosso porto de abrigo em tempo de borrasca, como essa crise que por aí anda. Ali, com ordenados miseráveis, reformas ainda piores, horários extensíssimos, disciplina férrea, assiduidade inquestionável, os rapazes e raparigas, as damas e os cavalheiros – e os deputados de outras espécies – que nós elegemos, não sossegam enquanto houver um único problema a afligir um português que seja.


É vê-los e ouvi-los, sempre que a televisão nos oferece aspectos do seu labor, como discutem os problemas com objectividade, sem se perderem em conversa fiada e discussões estéreis, sem risinhos parvos ou apartes de humor duvidoso, sem o menor galhofar circense. Pondo de lado eventuais interesses pessoais ou de grupo, apenas e unicamente atentos ao bem público, o que fazem – benza-os deus! – fazem-no com toda a elevação e mérito. Vê-se como só o país lhes interessa. E como só o povo povoa os seus pensamentos.


E de todo o manancial de benfeitorias que a legislatura agora terminada nos trouxe, quero saudar a mais fundamental para a felicidade dos portugueses, aquela que todos nós queríamos ver resolvida antes de qualquer outra. A Lei do Aborto. Peço perdão pela brutalidade da expressão, perfeitamente inadequada no caso em apreço. Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez. Assim é que se diz. O aborto é uma coisa brutal, bárbara, indigna. A interrupção voluntária da gravidez é uma coisa completamente diferente. É o mais sublime dos direitos humanos, o mais civilizacional avanço social e a peça que faltava para dignificar a mulher, colocando-a, definitivamente, em pé de igualdade com o homem.


E como já temos resolvidos todos os outros problemas, tais como o desemprego, a política de rendimentos e a distribuição da riqueza – as desigualdades sociais, em suma – as questões da segurança social, com a abolição das pensões infames, ou os velhos problemas da educação, da segurança pública, da saúde, da habitação e da cultura, faltam agora duas cerejas em cima deste festivo e glorioso bolo: o casamento entre indivíduos do mesmo sexo, e a lei da eutanásia. Mal os nossos responsáveis parlamentares resolvam estas duas magnas questões, faremos roer de inveja qualquer país do mundo.


E se me for permitido, só peço uma coisa. Não. Não vou pedir que os senhores deputados sejam sempre – e obrigatoriamente – convidados para todas as uniões gays que se realizarem no nosso país, salvo, claro está, se o enlace for mesmo entre parlamentares.


O que peço é que sejam eles próprios, responsavelmente, a testar a lei da eutanásia. Não é que eu seja contra a morte assistida. Era só para nós, contribuintes, termos a certeza de que a coisa funcionava...