10.02.2007

A propósito de terrorismo

O terror dos utentes do

Serviços Nacional de Saúde

e, especialmente, das grávidas



Os actos e os rótulos



Leio nos jornais:


«A política de redução de salas de partos realizada pelo Ministério da Saúde, conduziu a que no concelho de Resende (o mais pobre do País) um em cada oito nascimentos ocorra no transporte por ambulância dos bombeiros locais». Resende é o concelho onde os nascimentos fora de um ambiente hospitalar atingem maior expressão. Por todo o País, no entanto, os bombeiros dizem não haver memória da situação atingir tais proporções. Pelo menos 31 casos foram noticiados desde há um ano».



«“Nunca tínhamos visto uma coisa destas. Desde 27 de Abril – em cinco meses – realizámos cinco partos”, disse o comandante dos Bombeiros Voluntários de Resende, José Ângelo. Um número que os bombeiros dizem ser elevado, dada a quantidade de crianças que nascem no concelho. José Ângelo aponta o encerramento da sala de partos de Lamego, há cerca de um ano, como causa principal para as crianças nascerem na estrada».Cravado no vale do Douro e com acesso por estradas sinuosas, Resende viu nascer 92 crianças no ano passado, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística. Um número que, repartido pelos 12 meses do ano, dá uma média de oito partos por mês. Verificados que nos últimos cinco meses ocorreram cinco partos em ambulâncias, uma em cada oito crianças nasceu num ambiente extra-hospitalar. O comandante dos bombeiros garante que “nunca foram realizados tantos partos, como agora, em ambulâncias”».



Se a situação é inédita no concelho de Resende, em todo o País os partos realizados pelos bombeiros não param de aumentar, com especial incidência em concelhos que viram encerrar os blocos de partos mais próximos. “Não tenho memória de haver tantos partos em ambulâncias como agora”, disse ao CM Rui Ramos Silva, do conselho executivo da Liga dos Bombeiros Portugueses. Também o presidente da Liga, Duarte Caldeira, afirma “ser possível estabelecer uma relação causa/efeito entre o encerramento de um bloco de partos e o nascimento de uma criança numa ambulância”.



José Ângelo teme que a prática constante de partos pelos seus homens possa ter riscos perante uma gravidez mais complexa. Indica que apenas têm uma formação básica do Instituto Nacional de Emergência Médica, e que a ambulância não está habilitada para a realização de partos. Também Rodolfo Baptista, dos Bombeiros Voluntários da Merceana, no concelho de Alenquer, considera que a reestruturação nacional das salas de partos não foi a mais correcta para as seis freguesias da Serra de Montejunto, que são servidas pela sua corporação. “Apesar de estarmos a apenas 15 minutos da maternidade de Torres Vedras, esta foi classificada como municipal, pelo que somos obrigados a encaminhar as grávidas para o Hospital de Vila Franca de Xira. São 40 quilómetros de más estradas que obrigam a uma viagem de um hora”, afirmou.



Claro que há mais: 31 partos foram noticiados nos últimos 12 meses. Sete na Figueira da Foz, seis em Resende, três em Mirandela e Lourinhã, dois em Penafiel, seis no Alentejo e um em cada um nos concelhos de Baião, Ansião, Alenquer e Ourém. Os casos mais falados são os da Figueira da Foz, onde após o encerramento da sala de partos nesta cidade, cujo concelho conta com 63 mil habitantes, ocorreram sete partos de emergência. Dois foram feitos no próprio hospital e cinco em ambiente extra-hospitalar, sendo que um foi feito em plena garagem da parturiente. Também em Mirandela, fechada a sala de partos em Setembro de 2006, pelo menos três bebés nasceram na estrada, assistidos pelos bombeiros.



Se isto não é terrorismo, vou ali e já venho.



Mas serão estas notícias incómodas para os carniceiros que mandam na Saúde? Não sei. Costuma-se dizer que quem não tem vergonha…



Porém, outra desgraça veio agora a público. Os maus cuidados prestados aos doentes valeram a Portugal o 19.º lugar num ranking que avaliou os sistemas de saúde de 29 países europeus. Uma posição atrás de estados como o Chipre, a República Checa, a Estónia ou a Eslovénia, numa lista que tem como objectivo aferir quais os serviços mais amigos do doente. A comparação foi ontem divulgada pela Health Consumer Powerhouse, uma organização sueca que visa avaliar e defender o papel do cidadão perante os diferentes sistemas de saúde. O desempenho do sistema de saúde português ressentiu-se dos resultados em áreas como a espera por uma consulta de clínica geral ou de especialidade e por uma cirurgia; a mortalidade por enfarte ou AVC; as operações às cataratas e os cuidados dentários disponíveis nas unidades públicas. Em todas estes pontos, o País recebeu uma classificação negativa.



O Ministério da Saúde diz que a sua avaliação coincide com este estudo. Isto é: não nega. E está muito feliz da vida, garantindo que vai continuar a sua política de destruição do SNS, que vai trespassando, calmamente, para os privados. Recordo que nas zonas onde o governo fechou maternidade e outros serviços de saúde, os privados apressaram-se a ocupar a vaga. Mais terrorismo social, ou haverá por aí designação melhor?



Mudando de assunto, para aliviar.



Leio que duas irmãs, de 16 e 33 anos, foram detidas pela GNR na cadeia de Custóias, quando tentavam, durante o horário da visita, introduzir droga no estabelecimento prisional, a pedido de um dos reclusos. As 100 gramas de haxixe que as duas mulheres tentaram introduzir estavam dissimuladas na comida que diziam levar para o recluso que iam visitar, contou uma fonte policial ao JN. Segundo contaram as detidas, a droga destinava-se a um dos reclusos, que a havia encomendado. Foram presentes a tribunal. Francamente! Presas por só levarem 100 graminhas de haxixe. Afinal, em que ficamos? As pessoas já não se podem drogar nas prisões? Então, para que servem as seringas e o resto do material que o Estado vai oferecer aos presos?



Voltando ao terrorismo, impõem-se a pergunta: Afinal, quem são os terroristas? O Parlamento iraniano aprovou a designação de "organizações terroristas" para a CIA e o Exército dos Estados Unidos da América, numa resposta à resolução do Senado norte-americano de atribuir designação idêntica aos Guardas Revolucionários do Irão. Para o Parlamento iraniano, a CIA e as Forças Armadas dos Estados Unidos são terroristas por causa do lançamento de bombas atómicas no Japão; da utilização de munições com urânio empobrecido nos Balcãs, Afeganistão e Iraque; do apoio às matanças de palestinianos por Israel; e do bombardeamento e matança de civis iraquianos e tortura a suspeitos de terrorismo.







«Os agressores, Exército dos EUA e a CIA, são terroristas e também alimentam o terror», refere uma declaração subscrita por 215 dos 290 deputados iranianos, divulgada anteontem à noite. A sessão parlamentar foi transmitida em directo pela rádio. A Casa Branca recusou-se a comentar a decisão.


Não é por nada, mas ao passar os olhos pela história dos conflitos armados e das agressões e invasões de países estrangeiros, os EUA ocupam os lugares todos do pódio. Nos últimos 60 anos, ninguém esteve na origem de tanta barafunda, de tanto morte, de tanto sangue inocente, de tanta destruição, de tanto massacre como os norte-americanos.


Mas continuando a ler os jornais vejo isto: «Em 2006, os EUA mantiveram o primeiro lugar na venda de armas no mundo, revelou um relatório do Congresso ontem divulgado em Washington. Num ano em que o comércio de armamento para os países em desenvolvimento movimentou 28,8 mil milhões de dólares, o Governo americano foi responsável por 36% desses negócios. Em segundo lugar surge a Rússia, com 28%, e em terceiro o Reino Unido, com 11%».

O relatório intitulado Transferência de Armas Convencionais para as Nações em Desenvolvimento revela ainda que os três principais compradores foram o Paquistão, a Índia e a Arábia Saudita. Com negócios de 10,3 mil milhões de dólares, os EUA mantiveram, contudo, a liderança deste mercado. Por outras palavras. Os norte-americanos não só matam que se fartam, como põem os outros a matar por eles, para além de fazerem do negócio da guerra e da morte uma das suas melhores fontes de receita.


Mas agora vai ser preciso muito tento na língua. Punir o elogio ao terrorismo é um dos objectivos da UE. De facto, o comissário europeu para a Liberdade, Segurança e Justiça, Franco Fratini, anunciou, durante o Conselho de Ministros da Justiça e da Administração Interna da União Europeia, que vai propor, no início do próximo mês, uma série de medidas que visam um endurecimento do combate ao terrorismo.


Vou ter que pensar muito bem antes de falar. Se eu disser que Bush é um uma excelente pessoa, uma espécie de Madre Teresa de Calcutá de calças, estarei a elogiar o terrorismo? Na minha opinião, estou. Na opinião deles, estarei a gozar, logo devo ser simpatizante daqueles a quem eles chamam terroristas.


E se eu disser que os palestinianos têm direito a usar a força para constituírem o seu Estado e se libertarem o jugo sionista, ou que os iranianos e os norte-coreanos têm o mesmo direito que paquistaneses, chineses, franceses, norte-americanos ou indianos de enriquecer urânio, estarei a elogiar o terrorismo, ou expressar um ponto de vista perfeitamente legítimo e compreensível? Na opinião deles, estarei a elogiar o terrorismo.

Mas sabem uma coisa? De quem eu tenho medo, por mim e pelo mundo inteiro, não é da Al-Quaeda, do Irão, da Eta, dos norte-coreanos, do Hamas ou das FRAC.


De quem eu tenho medo é de quem possui os grandes arsenais de armas convencionais, químicas, biológicas e nucleares, e que deles se valem para pilhar os recursos do planeta. Isto é: dos norte-americanos e dos seus aliados. Eles é que são capazes de incendiar isto tudo, seja por petróleo, seja por água, seja pelo que for.


E é a isso, meus caros, que eu chamo TERRORISMO. Com maiúsculas.

E para terminar, mais uma notícia sobre terrorismo: A taxa de desemprego harmonizada em Portugal acelerou para 8,3 % em Agosto passado, após ter estabilizado nos 8,2 % nos meses de Maio, Junho e Julho, anunciou ontem o departamento de estatística da Comissão Europeia, o Eurostat.

E eu é que sou terrorista, não é?

10.01.2007

Portugal regressa ao passado - ao pior passado - com as políticas do político
mais desumano que conheci ao longo de toda a minha vida: Sócrates
O desrespeito pela vida humana não tem expressão apenas
nos campos de concentração nazis. Também se vai lá por decreto.

Regresso ao Passado

A comunicação social está a dar, desde ontem, novas sobre o apoio do governo à natalidade. No fundo, trata-se de antecipar o início da prestação do abono de família a partir dos primeiros meses da gravidez, e de o aumentar consoante o número de filhos ou a magreza do orçamento familiar.


Numa altura em que os portugueses decidiram deixar de procriar, porque vivem no país onde isso é de todo desaconselhável - desemprego, emprego precário, salários baixíssimos, perda constante do poder de compra, insegurança a todos os níveis - não será uma pálida, irrisória e ridícula prestação social, ligeiramente melhorada, chamada abono de família, que motivará os nativos deste rectângulo mal afamado a deitar crianças ao mundo. Seria deitá-las ao pântano em que vivemos.


As políticas do senhor presidente do conselho, «engenheiro» José Sócrates - e de todo o bando que o rodeia, tanto no governo, como na Assembleia da República, ou nos vários patamares do aparelho do Estado, onde os camisas cor-de-rosa foram metódica e cientificamente instalados - revelam-se mais desumanas e anti-sociais que as dos seus antecessores de má memória, Salazar e Caetano.


Custa-me dizê-lo, mas com a autoridade que tenho por ter vivido, com plena lucidez e consciência política, as últimas décadas da ditadura e estes negros anos da governação socialista, afirmo, sem a menor hesitação, que as políticas de Sócrates se revelam, para a maioria da população, mais nefastas e desumanas do que algumas vez o foram as seguidas pelos antigos ditadores. E para as velhas minorias, tão ou mais férteis e favoráveis como então o eram.


O futuro de nove milhões de portugueses é, no actual contexto, um tristíssimo e revoltante regresso ao passado.

9.26.2007

Ele anda muito contente

Quando o défice estiver como o Governo quer,
os portugueses estarão (quase) todos assim, no Balcão de
Sócrates

O Balcão de Sócrates
No última crónica, com o título «Um Código à maneira», que também é lida na rádio, numa rubrica chamada «Provocações», um ouvinte entrou em linha para emitir uns desabafos e classificar o programa como um tempo de antena do PCP (partido ao qual ele disse já ter pertencido, confessando-se agora um admirador do PS e de José Sócrates).
Entendia o ouvinte que, aliás – e pelo que disse – muda de posto sempre que as «Provocações» entram no ar, que o programa não é democrático, pois, para além de desancar no governo, na maioria dos casos só entrariam em linha comunistas e afins. Para quem, como disse, não ouve o programa – ou raramente o ouve – não deixa de ser curiosa tão definitiva conclusão. Como não deixa de ser curioso o facto de ter entrado em linha e ter dito tudo o que lhe apeteceu. Democraticamente.

Convém dizer, mais uma vez, que as posições que assumonestas crónicas são da minha conta e risco, nada mais pretendendo fazer para além do chamar à discussão factos da nossa vida real, situações que, na maioria dos casos, decorrem dos aspectos sociais e políticos que, em termos nacionais ou internacionais, mexem com a nossa vidinha. Nada mais faço que exprimir críticas e opiniões – que são as minhas – e denunciar situações, muitas delas escandalosas, que fazem da vida dos portugueses um autêntico inferno.
E devo realçar que nunca, na rádio – como nunca, no jornal Outra Banda, que dirigi durante seis anos – fui obrigado a fazer um desmentido, por ter relatado ou comentado factos falsos. Se o ouvinte, apesar de me ouvir pouco, alguma vez me apanhou (ou apanhar) a mentir, agradeço que logo me desminta, pois não gostaria de ser comparado a muitos políticos que conheço, alguns deles primeiros-ministros, ministros e deputados, líderes partidários e outros escroques que fazem da política – e da mentira – o seu ganha-pão. E de alguns deles diz-se fã o tal ouvinte.

Também é preciso dizer, para quem não me conhece, que nunca tive jeito para ser yes men, ou fazer eco da voz do dono, seja lá o dono quem for. E se um dia entender – como é meu direito – participar partidariamente num programa ou num debate público, terei toda a honra em esclarecer que o faço nessa condição.
Porém, na rádio só fala o cidadão João Carlos – por especial deferência da sua direcção, que nada me paga – nem cobra – por esse facto. Depois, telefona quem quer, diz o que quer, e como quer. Se há coisa mais simples do que isto, desconheço. Daí, que eu seja levado a pensar que, bem lá no fundo, o que incomoda o ouvinte é virem a lume coisas que, por ele ser, hoje em dia, simpatizante do PS, bem gostaria que fossem caladas. Pois é. Ainda não há censura, é uma chatice…

Por exemplo:
Eu não devia dizer...

Eu não devia dizer que a crise económica, resultante das políticas seguidas e diariamente agravadas pelo governo de Sócrates, fez duplicar o número de famílias em situações de falência. Em 2006, segundo os últimos dados oficiais, o número de portugueses declarados falidos ascendeu a 635, um aumento de 74,5 por cento face aos 364 casos de insolvências de pessoas singulares registados no ano anterior.

Para o responsável da Associação Portuguesa de Gestores e Liquidatários Judiciais e dos Administradores da Insolvência, Artur Ribeiro da Fonte, não existem dúvidas de que este «é um número muito elevado», a ponto de frisar que tem «conhecimento de pessoas que estão em situações muito, muito, difíceis».

O crédito malparado (de cobrança duvidosa) totalizou 2,201 mil milhões de euros em Julho último, mais 1,8% que no mês anterior. Na verdade, quem vive com ordenados baixos – os mais baixos da Europa, recorde-se – não aguenta o aumento selvático das taxas de juro nem suporta, todos os meses, gastar mais dinheiro para comprar as mesmas coisas – ou menos.

Eu também não devia dizer que todos os dias aumenta o número de bebés que nascem em ambulâncias, nem que milhares de pequenos alunos são agora obrigados a levantarem-se de noite – e a chegarem a casa de noite – porque são forçados a frequentar escolas que ficam a quilómetros das suas residências.

Eu não devia dizer que nunca tantos portugueses (aos milhares) saem todos os anos de Portugal, para procurarem no estrangeiro uma vida melhorzinha, fartos que estão de cheirar a miséria que por aí alastra.
Eu também devia fingir que não sei que nas últimas décadas, onde a governação do PS teve peso decisivo, Portugal perdeu 40% da sua frota de pesca. Com o forte contributo da política de reestruturação e de abate financiada pela União Europeia, passámos de 14 mil embarcações, em 1986, para as actuais nove mil. Acresce que muitas dos barcos de pesca que sobrevivem foram compradas por espanhóis. E que mais embarcações vão ser abatidas nos próximos tempos, já que o plano de recuperação de pescada e lagostim implica a redução dos dias de pesca permitidos anualmente (menos 10%). E consequentemente o abate de mais navios. Assim, eu devia esconder que em apenas duas décadas perdemos 20 mil pescadores (alguns foram trabalhar para Espanha) e que, com uma costa destas, sejamos obrigados a comprar peixe aos espanhóis, que pescam o que querem e onde querem.

Talvez eu devesse estar muito contente – e até dar pulos de alegria – por Sócrates anunciar a abertura de um balcão onde se pode dirigir quem tiver perdido a carteira, e logo ali lhe passarem novos documentos.
Tantos balcões por abrir...
Mas o que gostava, era que Sócrates, que abriu o tal balcão chamado «Perdi a Carteira», abrisse outro ao lado, chamado «Perdi o Emprego», e outro logo a seguir, com o título «Perdi a minha Casa», e mais outro, muito grande, pois iria ter milhões de utilizadores, chamado «Perdi o meu Poder de Compra».
E ainda outro, que deverá chamar-se «Perdi o meu Centro de Saúde», ao pé de outro que seria «Perdi a minha Maternidade», e outro ainda, chamado «Perdi a minha Escola». E como o país perde, todos os dias, capacidade produtiva, porque as fábricas fecham, a agricultura definha, as pescas agonizam e estamos, cada vez mais, dependentes dos interesses e da vontade do estrangeiro, logo à frente de todos estes balcões, estaria o principal, com um grande letreiro lá no topo, onde se leria: «Perdi o meu País»

E, já que os balcões, pelos vistos, são como as cerejas, sugiro o mais triste de todos os balcões, que se chamaria, simplesmente, «Perdi a Esperança».

E – porque não? – mais um balcão apenas destinados a Sócrates e à sua troupe? Com que nome? É fácil. Chamar-se-ia apenas: «Perdemos o Vergonha».

9.22.2007

O homúnculo, «matou» Mandela


O grande líder do mundo livre zurrou outra vez

Mas o «mundo livre» - a começar pelos EUA - não merece melhor. Bush é o líder que merecem todos aqueles que aceitam os EUA como o novo Reich que dominará o mundo para todo o sempre.

Vamos à última alarvidade. Farto de matar em todo o lado - só no Iraque e no Afeganistão o número de vítimas civis ronda o milhão - e convencido que a sua receita para acabar com os fogos (que é cortar todas as árvores) também se aplica na sua geoestratégia de dominação mundial, Bush, o homúnculo, está convencido que o extermínio - a morte - é o caminho para a concretização dos seus desígnios imperiais. Assim, concluiu que Mandela já não existe. «Mandela está morto, porque Saddam Hussein matou todos os Mandelas», zurrou o imbecil.

Em todo o «mundo livre», os seus fiéis lacaios fingiram que não souberam de nada. É que se a profissão de lacaio já é uma coisa humilhante, ser lacaio duma besta destas é, de facto, a aviltação completa.



9.18.2007

Libertai-vos uns aos outros


Um Código à maneira…

Passado um breve período de ausência (que, a dada altura, me pareceu demasiado longo) verifico que voltei ao ramerrão de uma vida sem graça – ou, dizendo melhor – à desgraça de uma vida que todos os dias piora.

Farto disto, andei por sítios que, não sendo propriamente locais perdidos no meio de nada, ainda assim me permitiram um certo alheamento do que se ia passando no planeta Terra e – principalmente – neste local pouco recomendável chamado Portugal. Tentei, esforçadamente, desligar dos jornais e da televisão, razão porque regressei mais calmo. Contudo, mal caí na realidade, rapidamente perdi o sossego mental entretanto adquirido e a náusea voltou a ser a companheira do meu quotidiano. O problema é que não consigo alhear-me das coisas. Nem devo. Nem quero.
O grande cozinhado europeu

Caio, então, na vida real e reparo que andam por cá umas senhoras e uns senhores muito bens vestidos, comendo, bebendo e passeando à custa do orçamento, conversando e rindo muito, enquanto, pelo meio, discorrem sobre as voltas que pretendem dar às nossas vidas. A sua preocupação final, segundo vão tentando não dizer, é impor um novo tratado que regule o espaço comunitário, transformando-o num feudo dirigido pelas grandes potências e, consequentemente, pelos interesses económicos que nelas estão baseados.

No fundo, nada mais pretendem do que transformar a Europa num espaço regido ferreamente pelos interesses do grande capital, transformando a «outra parte» - ou seja: os milhões de seres humanos que vivem do seu trabalho – numa enorme massa obediente e manietada aos ditames da chamada economia de mercado. Os aspectos sociais e, de uma maneira geral, todos os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos europeus ficariam dependentes da vontade dos potentados económicos, perante os quais – e no caso concreto de Portugal – se esgotariam todos os vestígios de nossa independência e da nossa soberania.
Declaração Universal dos Direitos Humanos? O que é isso?

Se atentarmos bem no que aqui e ali vão dizendo, ouviremos que defendem, já sem qualquer indício de vergonha ou cuidado, que nenhum serviço público é sagrado, legítimo ou, sequer, compreensível, salvo se for aberto aos interesses da iniciativa privada. Dito de outra maneira: do nascimento à morte, todos os seres humanos devem ser fonte de lucro para um qualquer grupo económico. Ou seja: o primado do lucro sobre o direito à vida. Os Direitos Humanos, tal como a sua Declaração Universal os proclama, só prevalecem enquanto couberem no saco de interesses da oligarquia financeira global.

Talvez para que isto não se discuta, nem se compreenda em todo a sua criminosa dimensão – e para evitar que suceda o que sucedeu em França e na Holanda – os grande «democratas» que dirigem os nossos destinos, fogem do referendo ao novo/velho tratado como se diz que o diabo foge da cruz.
Sócrates (em cuecas) vai ao beija-mão

No meio disto tudo, Sócrates arranjou tempo para ir ao beija-mão a Washington. Deu a sua pública e ridícula corridinha em cuecas, para gozo de George Bush, esse atrasado mental que, como criminoso de guerra que é, já devia estar enjaulado e à espera, no mínimo, do destino que teve Saddam. Afinal, é bom não esquecer, que os crimes pelos quais Saddam foi executado tiveram lugar enquanto ele era um amigo de peito dos EUA, e com armas e métodos fornecidos pelos próprios norte-americanos.
Afinal, era a sede de petróleo...

Falando disto, não posso deixar de me referir ao que escreveu agora o insuspeito Alan Greenspan, até há pouco presidente do Banco Central norte-americano, o equivalente ao nosso Banco de Portugal. Escreveu ele, entre outras coisas, que «foi a sede de petróleo que provocou a guerra no Iraque». No seu livro «A Idade das Turbulências», Greenspan afirma literalmente: «Sinto-me triste por ser politicamente inconveniente reconhecer o que todos sabem: que a guerra no Iraque é, em boa parte, sobre o petróleo».

Para mim – e, certamente, para todos os que me ouvem ou lêem – nada disto é novidade. Por isso, aqui me sinto tentado a repetir que Bush é culpado de crimes contra a humanidade e, com ele, todos os que, de um modo ou de outro, apoiaram – e apoiam – por acção ou omissão, as suas sangrentas aventuras.
Um código muito conveniente

Domesticamente, o que se discute, hoje em dia, é o novo Código do Processo Penal. A confusão é tremenda. Se, por um lado, há quem defenda que a prisão preventiva é uma pena efectiva que pode estar a ser aplicada a alguém inocente (já que a sua culpabilidade ou inocência só serão decididas em julgamento), a estranha verdade é que criminosos condenados, só porque recorreram da pena aplicada, são, automaticamente, considerados presos preventivos enquanto não for julgado o seu recurso. Assim – e porque as novas disposições do CPP, que agora entrou em vigor, obrigam a uma maior burocracia, conforme já referiu Maria José Morgado, e porque o tempo limite de prisão preventiva foi substancialmente encurtado – criminosos perigosíssimos e já condenados por crimes hediondos, podem ser devolvidos – e alguns já foram – à liberdade plena.

De facto – e para já – um traficante condenado a 9 anos de prisão por tráfico de estupefacientes deixou o Estabelecimento Prisional do Porto, no sábado. Saiu com Termo de Identidade e Residência, a mais branda medida de coacção prevista na lei. Note-se que o traficante tinha um recurso pendente no Supremo Tribunal de Justiça, depois de o Tribunal da Relação ter confirmado o acórdão da primeira instância.

Outro beneficiário do novo CPP foi o tristemente famoso Fábio Cardoso, condenado por violar o enteado até à morte (uma criança deficiente, com seis anos de idade). Os juízes soltaram-no no sábado, tudo porque o criminoso ainda espera decisão do seu recurso e o prazo de prisão preventiva foi reduzido para dois anos. Mas porque raio é que um criminoso já condenado é considerado um preso preventivo só porque interpôs recurso, é coisa que ainda ninguém me explicou, já que na maioria dos países, conhecida a sentença, o arguido é preso e termina a prisão preventiva. Praticamente, só em Portugal a preventiva continua até a sentença transitar em julgado. Enfim…
O paraíso para os crimes de colarinho branco

Mas talvez nem seja para os criminosos – grandes ou pequenos – de faca e alguidar que o novo CPP foi pensado. Segundo muitas opiniões, quem vai beneficiar das novas disposições legais serão os envolvidos na quase totalidade dos processos de crime económico, corrupção e de outros crimes complexos, que poderão vir a ser arquivados na sequência deste novo CPP. Carlos Anjos, presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da PJ, tem uma expressão para classificar a situação «É o descalabro total».

Em causa estão os prazos que a nova lei prevê, bastante mais reduzidos, a que se agrega a falta de recursos humanos para apoio à investigação. «São processos normalmente morosos, que não se coadunam com os tempos de investigação que a nova lei prevê», apontou o presidente da ASFIC. Muitos dos processos estão no Ministério Público, que os está a avaliar – um por um – à luz da nova lei. «Ou acusa ou manda para arquivamento, mas é muito provável que o destino da quase totalidade seja o arquivamento. É difícil, para já, avançar um número, mas podemos falar em 70 a 80%».O novo CPP reduz para oito meses a investigação, mas Carlos Anjos alerta que «isto é manifestamente insuficiente», tanto mais que, a par da complexidade dos casos, há o problema da falta de recursos, em particular a nível das perícias. «Só há, em todo o país e para todos os processos, 30 peritos financeiros, o que já de si atrasa em média os processos nove a dez meses».

Entrevistado pelo CM, Carlos Anjos realçou outro aspecto preocupante do novo CPP. Na sua opinião, e dado que com o novo Código os prazos de investigação serão de seis meses para crimes simples e de oito meses para a criminalidade organizada, a «Assembleia da República matou a investigação. Ao aprovar o Código, não teve em conta que uma perícia de laboratório demora, em média, nove meses e uma financeira quatro meses». Exemplifica, dizendo que «no caso Freeport estamos à espera há dois anos de informações do Reino Unido e no chamado caso João Pinto esperamos há oito meses uma resposta do Luxemburgo. Assim, terminados os prazos o que acontece é o arguido, detido ou solto, poder consultar a investigação realizada pela Polícia Judiciária e assim arruinar o trabalho. O advogado do arguido pode ainda realizar diligências, como pedir uma carta rogatória no estrangeiro – cuja resposta sabe que vai demorar meses a obter – para fazer com que os autos acabem por ser arquivados. Isto dá cabo de toda a investigação».

PS prevenido vale por dois

Também a impossibilidade de os jornalistas publicarem o teor das escutas telefónicas, mesmo daquelas que já tenham sido divulgadas em tribunal, parece uma medida orientada para proteger casos semelhantes aos do Apito Dourado e Casa Pia. Aliás, o próprio Partido Socialista está agora sob sérias suspeitas de estar ligado a actividades ilegais no Brasil, relacionadas com o financiamento das suas campanhas junto do círculo da emigração. Resta saber se o teor das escutas telefónicas realizadas pelas autoridades brasileiras no âmbito deste escândalo, também estará sujeito ao sigilo imposto aos casos julgados pelas autoridades portuguesas.

Mas o que fica disto tudo, para além de um claro incremento dos índices de insegurança em que vivemos, é que o novo CPP foi feito à medida dos interesses dos criminosos de colarinho branco – essencialmente os que se dedicam ao crime económico e à grande corrupção.

O que não admira, sabendo nós quem são eles, onde estão instalados e em que círculos se movem.

8.22.2007

Notícias do país do «engenheiro»



A bela sesta lusitana
Campeões Europeus da Desigualdade


Portugal é o Campeão Europeu da Desigualdade. E ninguém, no Governo, fala disso. Bico calado, é a ordem do «engenheiro» feito à pressa. Mas o que acontece – e contra factos não há argumentos – é que as políticas económicas neoliberais executadas em Portugal desde há muitos anos – e selvaticamente intensificadas pelo governo Sócrates – reflectem-se nos indicadores estatísticos.

Os dados agora revelados pelo Eurostat, o serviço estatístico da União Europeia, revelam que Portugal já é o campeão europeu da desigualdade na distribuição do rendimento nacional: tem o pior Coeficiente de Gini do continente. Os ricos esfregam as mãos, os pobres e remediados enganam a fome. É o país de Sócrates a caminho do apogeu.
Uma economia fraquejante

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português desacelerou no segundo trimestre do ano face ao anterior, mas apesar do abrandamento o Governo diz-se optimista e, segundo o ministro das Finanças, é o investimento e não o consumo das famílias (que estão tesas) quem está a "puxar" pela economia nacional. O aumento do PIB ficou 0,1% acima do ritmo de crescimento da Zona Euro, como, aliás, acontecera entre Janeiro e Março. Ainda assim, face à União Europeia (que cresceu 0,5%), a economia portuguesa volta a não convergir. É a Europa cada vez mais longe deste beco sem saída a que chamamos Portugal.

Conclusão: a economia portuguesa fraqueja e continua a ser, na União Europeia, a segunda com uma taxa de crescimento homólogo mais baixa.

Por isso, a habitação está em queda, com menos contratos e menor volume. Foi este o comportamento do crédito à habitação no continente, no primeiro trimestre, marcado por uma queda de 12,16% no número de contratos e de 9,89% nos montantes globais dos empréstimos face ao período homólogo. Por outro lado, o aumento das taxas de juro impostas do estrangeiro estrangula o sector e destrói o direito à habitação de milhares de portugueses.
Uma chaga chamada desemprego

Também por isso, a taxa de desemprego no segundo trimestre do ano atingiu os 7,9%. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, mais de 440 mil pessoas estão sem emprego. São mais 40 mil desempregados do que no mesmo período do ano passado. Este crescimento é justificado pelo INE com a queda geral da população empregada (menos 26.200 indivíduos), a diminuição do emprego nos homens (menos 14.900 pessoas) e a perda de emprego sofrida pelos indivíduos com menos de 35 anos (caíram no desemprego 58 mil pessoas). Este fenómeno do desemprego está a atacar particularmente os jovens entre os 25 e os 34 anos. Nos meses de Abril, Maio e Junho, 17.200 indivíduos ficaram sem emprego, o que dá uma média de 191 desempregados por dia.

Mas aos 440 mil desempregados registados pelo INE é preciso somar mais 80 mil indivíduos que já desistiram de procurar emprego (inactivos desencorajados) e aqueles que, estando dispostos e em condições de trabalhar, nada fizeram para encontrar trabalho (inactivos disponíveis). Ao todo são 520 mil pessoas que estão sem emprego.

Mas os ministros falam e garantem que tudo vai bem sob a governação «socialista».
OCDE garante: os mais mal pagos da União Europeia

Contudo, num país que caminha para o zero absoluto, para se desfazer nos cofres dos senhores da banca e dos grandes impérios económicos e das multinacionais, um outro dado foi divulgado para grande alegria das hostes. Os preços médios em Portugal são cerca de 20% mais baratos do que na União Europeia a 15 membros. No entanto – e aqui é que bate o busílis – os portugueses ganham em média cerca de 40% menos que os cidadãos desta Europa da qual dizem que somos parte. E isto, meus amigos, não sou eu que digo, para denegrir Sócrates e a sua turba, mas são dados recentíssimos da OCDE, ou seja, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Os números europeus mostram, sem motivos para desmentidos, que os portugueses são os mais mal pagos da União Europeia a 15. Ou seja: apesar de conseguirem comprar os produtos mais baratos, o que é uma vantagem, os portugueses têm salários percentualmente ainda mais baixos, o que significa penúria, sofrimento, insegurança e, em última análise, cada vez mais fome e miséria.
Carga fiscal carrega cada vez mais

E o pior, é que para agravar as condições dos portugueses, a carga fiscal tem vindo a crescer. O organismo de estatísticas da União Europeia conclui que a carga fiscal portuguesa atingiu os 35,3% em 2005, quando dez anos antes se encontrava nos 31,9%. Fazendo as contas aos valores do PIB divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a preços do ano passado, esta variação representa um aumento de 5,2 mil milhões de euros. Aliás, a avaliar pelo último Boletim da Primavera do Banco de Portugal, a carga fiscal terá aumentado 37% em 2006.
Roubar na estrada
Acrescento um dado que diz tudo. Um familiar meu, que foi para França à procura de uma vida mais desafogada e digna, veio agora passar férias a Portugal. Entre as várias coisas que me contou, exemplificativas do nosso vergonhoso atraso em relação aos nossos parceiros europeus, retive para vos contar este singelo exemplo.

Tendo-se deslocado de automóvel, pagou de portagens, por 850 km, entre Paris e Espanha (fronteira de Bayonne), 25 euros. Em Espanha, entre Bayonne e Salvaterra, sempre por auto-estrada, e por 892 km, pagou 12 euros. Em Portugal, de Valença ao Porto e do Porto a Lisboa, num total de apenas 450 km, pagou 44 euros.

Isto é: por 1.742 km de auto-estrada, percorridos em França e Espanha, paga-se 37 euros. Por 450 km de auto-estrada, em Portugal, paga-se 44 euros, o que dá uma média de 2 cêntimos/Km em França e Espanha, e cinco vezes mais, ou seja, 10 cêntimos/Km em Portugal. Dito de outra maneira: É mais caro 8 euros percorrer 450 km de auto-estrada em Portugal, do que percorrer quase quatro vezes essa distância em França e Espanha.

Nunca a expressão «roubar na estrada» teve uma aplicação tão apropriada.
Drogai-vos - e copolai-vos - uns aos outros

Mas para se provar que Portugal é um país desenvolvido, aí está, finalmente, mais uma grande medida do Governo «socialista». Os presos toxicodependentes vão ter direito a um kit para satisfazerem o seu meritório e saudável vício. Será composto por duas seringas com agulha e invólucro de protecção, um filtro, um toalhete desinfectante, uma carica para preparar o caldo, uma carteira de ácido cítrico (substitui limão, para ‘cozer’ a heroína), uma ampola de água bidestilada e um preservativo.

Só falta a droga, claro, mas acho que o governo já deve ter pensado nesse detalhe, que, para mim, constitui mistério. Como é que a droga entra numa prisão – que deveria ser, por definição, o lugar mais seguro e vigiado do país – é um caso para ver. Se os guardas prisionais cumprirem a sua obrigação com eficácia, nenhuma droga entrará, mas aí, como se prevê, será legítimo que os detidos se sintam lesados nas suas justas expectativas, e perguntem ao governo para que raio serve o kit? Expliquem-me lá quem é que vai fornecer a droga – e como – para eu ficar tranquilo. Será alguma Fundação, a criar em breve, gerida por alguns boys e girls ainda sem job?
Em tratar e recuperar para a sociedade estes pobres coitados, em vez de lhes estimular o vício e as aberrações sexuais, não oiço ninguém falar. Muito menos em melhorar a segurança das prisões, não alimentando, o tráfico de droga que, aliás, a partir de agora, tem toda a razão de ser. Com que legitimidade, daqui para frente, se poderá impedir um familiar de levar droga ao detido que vai visitar, se é o próprio Estado que, em vez de o tratar, lhe oferece o necessário para que continue a drogar-se?

Entretanto, até 15 de Julho de 2008, ou seja, no espaço de um ano, o Estado português deve gastar mais de 11 milhões de euros na realização de abortos.

Está bem. Pagamos as seringas e pagamos os abortos. É verdade! Acho que nos vai sair em cima uma nova taxa para os Bombeiros. Já agora… para quando uma taxa – um imposto de circulação pedonal – para quem andar a pé na rua? É que as pedrinhas da calçada sempre se vão desgastando e, parecendo que não, conservar os passeios custa dinheiro.

Não é?

8.19.2007

É tudo natural e positivo



O Governo no País das Maravilhas


Dados agora revelados pelo Eurostat, o serviço estatístico da União Europeia, revelam que Portugal já é o campeão europeu da desigualdade na distribuição do rendimento nacional: tem o pior Coeficiente de Gini do continente. Nada que incomodo o governo, que entendeu por bem não emitir um pio sobre tão triste realidade. De férias, no estrangeiro, o «engenheiro» Sócrates com a sua «namorada», estão acima destas minudências.


A desaceleração do crescimento da nossa economia, que nos distancia cada vez mais dos nossos parceiros europeus, é desvalorizada pelo ministro das Finanças, para quem estas são "oscilações habituais e não preocupantes", não comprometendo a convergência com os 27. Portugal, garante Teixeira dos Santos, está a "aproximar-se da média europeia". Amanhã já posso ir às compras e, depois de amanhã, passo a fazer três refeições por dia.


A taxa de desemprego, no segundo trimestre do ano, atingiu os 7,9 %. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), mais de 440 mil pessoas estão sem emprego. São mais 40 mil de-sempregados do que no mesmo período do ano passado. Este crescimento é justificado pelo INE com a queda geral da população empregada (menos 26 200 indivíduos), a diminuição do emprego nos homens (menos 14 900 pessoas) e a perda de emprego sofrida pelos indivíduos com menos de 35 anos (caíram no desemprego 58 mil pessoas). O governo não acha a situação preocupante e até consegue ver, não percebi bem onde, algo de positivo nesta triste história.


Entretanto, apesar dos preços médios em Portugal serem cerca de 20 por cento mais baratos do que na União Europeia a 15 membros, os portugueses ganham em média cerca de 40 por cento menos, de acordo com os últimos dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
Os números europeus, que mostram também que os portugueses são os mais mal pagos da União Europeia a 15, indicam que as contas da água, luz e gás se contam entre os serviços mais baixos e as telecomunicações entre os mais caros. Com efeito, os preços das telecomunicações são, em média, dois por cento superiores aos dos restantes países da União Europeia a 15. Ou seja, apesar de conseguirem comprar os produtos mais baratos, o que é uma vantagem, os portugueses têm salários percentualmente ainda mais baixos, o que significa que não podem fazer grandes poupanças com base no desfasamento registado pelo Eurostat (o organismo responsável pelas estatísticas da União Europeia).
Para agravar as condições dos portugueses, a carga fiscal tem vindo a crescer. O organismo de estatísticas da União Europeia conclui que a carga fiscal portuguesa atingiu os 35,3 por cento em 2005, quando dez anos antes se encontrava nos 31,9 por cento. Fazendo as contas aos valores do PIB divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a preços do ano passado, esta variação representa um aumento de 5,2 mil milhões de euros.
Contudo, a avaliar pelo último Boletim da Primavera do Banco de Portugal, a carga fiscal terá aumentado 37 por cento em 2006.
Teixeira dos Santos sorri e diz que vamos no bem caminho.

8.13.2007

Mas eles vão morrendo...

As notícias que me alegram os dias

Na panóplia diária da informação, sobram sempre as más notícias. A primeira, é que o PS ainda é governo. A segunda, é que os EUA ainda dominam o mundo. Por isso, aumentam as taxas de juro, os bancos e as seguradoras nunca ganharam tanto - mas os seguros vão aumentar - os preços dos bens essenciais vão voltar / continuar a subir, os impostos não baixam, mas o imposto sobre os combustíveis - e os próprios combustíveis ainda vão aumentar mais. No mundo, continua a guerra de pilhagem, ainda mais feroz e descarada do que nos melhores tempos da época colonial.

Sócrates e Bush abrem a boca e o mundo fica mais escuro. Mas, de vez em quando, em rodapé na TV, ou escondida no fundo de uma página par dos jornais, lá vem a boa notícia: foram mortos mais uns quantos soldados norte-americanos no Iraque e no Afeganistão.

Em Agosto, no Iraque, já foram abatidos, pela resistência, 29 inimigos, o que eleva as baixas norte-americanas para 3.684. No afeganistão, em 11 de Agosto, foram abatidos mais quatro soldados de Bush e outro britânico.

Enfim. Nem tudo são más notícias...



7.31.2007

Os contentamentos de Sócrates


O Grande Urinol
O primeiro-ministro está feliz. O ministro da Saúde ainda mais. Ambos descobriram que os portugueses que se queiram curar ou, até, sobreviverem a uma doença grave, vão tratar-se a Espanha. Um exemplo é o que li há dias sobre transplantes pulmonares. Dizia o texto que o desinteresse e a desorganização foram as causas da morte do programa de transplantação pulmonar em Portugal. Uma média anual de dois transplantes desde que foi lançado, em 2001 – quando o país precisa de 15 a 20 transplantes pulmonares anuais – e uma taxa de sucesso a longo prazo considerada "má", fazem os doentes optarem por tentar a sorte, e consegui-la, em Espanha. Para onde até já seguem, aliás, os pulmões recusados pela a única unidade portuguesa que os poderia aceitar, no Hospital de Santa Marta.

Se o panorama é por todos assumido como negro, há quem tenha esperanças que as coisas melhorem. Diz José Fragata, director do Serviço de Cirúrgica Cardiotoráxica do HSM, que se está a tentar relançar o programa e, dentro de alguns meses, ninguém terá de ir a Espanha. Pois…

Para além das opiniões médicas, mais ou menos de carácter técnico, o que importa salientar é que este exemplo é apenas mais um da política criminosa que, sob a batuta do governo dito socialista, com Sócrates como maestro e o ministro Correia de Campos como desalmado solista, o povo português está a sofrer. Enchem em boca com modernidade e outros palavrões da moda, mas deixam os portugueses morrer como morrem os tordos na época da caça.

A verdade – nua e crua – é que para se receber um transplante pulmonar, muitos portugueses seguem para a Corunha, na Galiza, onde se instalam com armas e bagagens. E descansam numa taxa de sucesso que a equipa que os recebe calcula em 60% de sobrevida aos cinco anos e 50% aos dez anos. Por cá, morre-se sob a insensibilidade e incompetência socialistas, porque até os pulmões doados e compatíveis com alguns doentes, ou são desperdiçados ou são enviados para Espanha. Por isso, Sócrates e os seus sinistros ministros – especialmente o da Saúde - andam tão felizes.

Entretanto, e continuando muito feliz e contente consigo próprio, coisa própria dos néscios ou de qualquer vendedor de banha-da-cobra, o primeiro-ministro (que certo dia se disse engenheiro) foi para o Algarve apresentar projectos que, segundo ele, são a prova provada de que a nossa economia e o país, em geral, vão no bom caminho. Cantou, na sua voz de falsete, festivas aleluias e deu hossanas aos senhores capitalistas.

De facto, duas semanas depois de o ministro da Economia ter apresentado, em Faro, oito dos dez novos investimentos turísticos privados aprovados para o Algarve, no âmbito dos designados Projectos de Interesse Nacional, foi agora a vez de Sócrates, no campo de golfe de Palmares (se calhar, queriam que fosse numa fábrica, não?), ali na zona da Meia Praia, em Lagos, dar gritinhos de contente ao falar da coisa e fazer dela a sua nova bandeira, metendo, pelo meio, rasgados elogios aos empresários.
Fechem-se as fábricas, abram-se hotéis!

Ao ouvir tanta música a sair da boca dum homem que, depois de se fazer passar por engenheiro anda a fazer-se passar por socialista (ou vice-versa), cheguei a pensar, descuidado como sou, que os tais projectos estavam relacionados com a abertura de novos complexos industriais, a reactivação das nossas pescas e a reanimação da agricultura. Isso é: pensei que Portugal estaria a voltar-se para a produção industrial e – ao mesmo tempo – a tomar as medidas necessárias para pôr os nossos campos a produzirem os produtos de que necessitamos para matar a fome a tanta gente, pelo que teríamos mais leite, mais carne, mais batatas, mais legumes, mais cereais, e mais frutos. E, no que às pescas respeita, estaria a renascer das cinzas a nossa frota pesqueira, para que, tudo somado, deixemos de comer tantos produtos importados. Para não sermos tão dependentes sob o ponte de vista económico. Enganei-me.
Saia um autódromo, morra a agricultura!

De que constam, então, estes novos e maravilhosos empreendimentos? Eu conto. São projectos no Algarve, cujo investimento global ultrapassa 1,4 mil milhões de euros, e constarão de resorts e hotéis de quatro e cinco estrelas, além de um autódromo preparado para a Fórmula 1. Diz-se que vão permitir um total de 5.100 postos de trabalho (mais um pulinho e estamos nos tais 150 mil prometidos há dois anos…). O Algarve passará a ter, em 2010, um total de 23 unidades hoteleiras de cinco estrelas, mais do dobro das existentes em 2005. Mas já em 2007 haverá 14 infra-estruturas daquele tipo a funcionar na região e integrados noutros projectos.
Frota de pesca ao fundo! Viva o campo de Golfe!

Se bem percebi, a alegria de Sócrates baseia-se no facto de o Algarve ir ter um autódromo, mais uma mão-cheia de hotéis para ricos, mais uns campos para golfe e equipamentos do género. É, então, para isto que caminhamos! Para vender sol e praia, meter meia dúzia de rapazinhos e rapariguinhas a servir os senhores abastados que vêm beber uns copos, trincar uns mariscos e dar umas braçadas ou umas tacadas – e pronto, já está. E, na volta, alguns deles desenrascarem umas criancinhas para umas brincadeiras sexuais, coisa que já não é novidade em certos meios que nós conhecemos.

A Sócrates ainda sobrou tempo para valorizar o "espírito empreendedor, a iniciativa e o risco" empresarial dos investidores, lembrando que "ninguém investe tanto dinheiro num país em que não tenha confiança". E aproveitou para fazer um auto-elogio: "nenhum político desiste da confiança, desde ao nível mais local até ao nacional. Mesmo nos momentos mais difíceis, nunca perdi a confiança nem no país nem nos portugueses e sempre soube que iríamos resolver os nossos problemas como está hoje mais claro do que há dois anos".

Porém, há uma outra realidade que este truão ignora – e da qual nem quer ouvir falar. Com uma frequência assustadora, empresas produtivas encerram as suas portas, despedindo trabalhadores aos milhares. Conforme dizem as estatísticas nacionais e estrangeiras, Portugal é o país mais desigual da Europa, onde o fosso entre os ricos e os pobres aumenta sem cessar. Fecham-se escolas, maternidades, urgências, SAPs, tribunais, golpeiam-se as reformas, e até uma mulher que ganhe 20 euros por semana a lavar as escadas do prédio onde habita, deixa de ser considerada desempregada, perdendo, por isso o mísero subsídio de desemprego.

Endividadas, milhares de famílias, lutam pela sobrevivência a tudo recorrendo para que a fome não morda os filhos nem se vejam, de um dia para o outro, a dormir debaixo da ponte.

Mas enquanto as fábricas fecham, os campos se desertificam e a frota pesqueira apodrece encalhada – e se paga para arrancar a vinha a mando do interesse estrangeiro – sua excelência, o suposto engenheiro, vai para o Algarve e fala em hotéis de luxo e equipamentos para ricaços, como se aí estivesse a salvação do país. Talvez o sonho do homem seja transformar Portugal numa qualquer República Dominicana, numa Malásia, numa Ilhas Fiji, sei lá… Um paraíso para pedófilos, para a indústria do sexo, para a proliferação de casinos, para o negócio da carne humana.

O que vale, é que vamos entrar em período de férias. Deixemos ir o fulano, entretido com as suas ridículas masturbações à volta de mirabolantes sucessos governativos, que, no regresso, cá estaremos, cada vez mais definhados, mais vendidos ao estrangeiro, menos senhores do nosso destino, mais pobres e empenhados. Mas, pelo menos, durante umas semanas, somos capazes de nos esquecermos que esta gente existe.
Portugal - um grande urinol

Entretanto, Portugal cumpre o seu destino de país periférico, óptimo, por isso, para se transformar num grande e imenso urinol da União Europeia. E de quem mais quiser aproveitar o sol, o mar, a areia e outros «recursos naturais»…

7.24.2007

Portugal - Uma desgraça completa


Uma anedota
chamada governação


Não sei para que lado me hei-de virar. São tantos os temas dignos de aqui serem tratados, dando, cada um deles, para mais de uma crónica, que optei por abordá-los a todos, em prejuízo da abordar cada um deles com a devida profundidade. Deixá-lo! Depois de tudo espremido, afinal o que se verifica é que o país é um autêntico caos económico e social, não passando de puras atoardas do primeiro-ministro (que afinal já não é engenheiro) e do seu camarada do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, as patacoadas sobre os «decimais» animadores da nossa economia.
Call-center, ou o trabalho escravo

Estive ontem num call-center, que é um daqueles sítios onde as pessoas nos telefonam para divulgar produtos, fazer inquéritos de opinião, sondagens, etc. Fiquei a saber que não têm ordenado fixo, recebendo entre 1 e 2 euros por cada inquérito completo que consigam realizar. São pagos a recibo verde (o que quer dizer que 20% do que receberem vai logo para o Fisco). Por outras palavras. Podem passar dias inteiros sem receber um euro, pois, como sabemos, cada vez se reage pior a este tipo de chamadas. Entretanto, os desgraçados, gastam dinheiro em transportes e refeições só para estarem umas horas ao telefone a ouvir negas e, nalguns casos, insultos. É para a generalização deste tipo de relações de trabalho que o Governo e o grande patronato apontam, percebendo muito bem que estão a apontar para qualquer coisa parecida com o trabalho escravo.
O envelhecimento do país e a política do penso-rápido

Por estas e por outras, o país envelhece. No ano passado, registaram-se cerca de 4.300 nascimentos a menos do que no ano anterior. Quem é que quer dar ao mundo filhos num país sem futuro, sem esperança, sem condições dignas de vida? Para mostrar que está atento ao problema, a ave canora que ocupa o poleiro de primeiro-ministro, esganiçou-se e veio anunciar uma série de medidas que, no dizer da criatura, vão incentivar os portugueses a fazer mais portuguesinhos. Maior tempo para as mães acompanharem os recém-nascidos, uns aumentos nos abonos de família, que poderá começar ainda nos últimos 6 meses da gravidez e duplicar ou triplicar o seu valor à medida que outros filhos se acrescentem ao anterior. Esquecem-se de dizer que uma trabalhadora contratada a prazo, caso engravide, vai para o olho da rua, porque ninguém lhe renova o contrato.

No fundo, estamos a falar de pensos rápidos para tratar de fracturas expostas. Os portugueses não querem ter filhos porque não têm emprego certo e bem remunerado e porque não acreditam que o país lhes vá proporcionar um futuro melhor. Não é um abono de família maior que lhes vai resolver esse problema. Os portugueses não podem ter filhos porque não têm condições económicas nem sociais para os sustentarem e criarem e, principalmente, para lhes garantirem um futuro digno. Os portugueses não querem ter filhos porque, mesmo sem eles, podem ver-se lançados na mais profunda miséria ou na simples indigência. Além disso, até o próprio acto de casar e constituir família, com a precariedade de emprego que por aí vai – e mais virá se a flexisegurança for um facto – e com a constante corrosão dos salários, a que se devem juntar os custos com uma vulgar habitação, até essas decisões, em Portugal, se não forem um suicídio, para lá caminham.
Crédito malparado sobre. Estavam à espera de quê?

Aliás, veja-se o caso do crédito malparado, que nos empréstimos concedidos pela banca aos particulares portugueses bateu um novo recorde. Em Maio, os calotes das famílias à banca chegaram aos 2,235 mil milhões de euros, revelou o boletim estatístico do Banco de Portugal. Entre Abril e Maio deste ano, o volume de crédito malparado aumentou em 50 milhões de euros, o que significa uma média diária de acréscimo de 1,6 milhões de euros. A percentagem do crédito de cobrança duvidosa já representa 1,86 do total dos empréstimos concedidos pela banca aos particulares. A subida de juros, decidida pela União Europeia, está a ter consequências devastadoras nos orçamentos das famílias endividadas. Com a corda na garganta, sem poderem pagar, hoje, aquilo que meses atrás estava perfeitamente dentro das seus orçamentos – e juntando a isto a facilidade com que hoje se perde o emprego – como é que o governo e o presidente da República querem que os portugueses tragam filhos a este inferno?
Grávidas sacudidas do Garcia de Orta!

Falando de ter filhos, é bom que se saiba o que está a acontecer no Hospital Garcia de Orta. Segundo sei, existe um braço de ferro entre a administração e os médicos, porque as horas extraordinárias não estão a ser pagas. O quadro de pessoal está deficitário, o que se reflecte, também, na área da obstetrícia. Porque saíram muitos médicos e existem outros que, como têm mais de 50 anos, não trabalham entre as 20 e as 8 da manhã, há dias em que não há pessoal para manter o serviço operacional, dependendo dos turnos, pois as equipas são constituídas por um obstetra e dois internistas. Ora, porque os abortos não podem esperar, as parturientes da zona de influência do HGO só dão á luz neste hospital se o parto estiver eminente, caso contrário são encaminhadas para outras unidades hospitalares, como o Amadora-Sintra, para o Barreiro e até para mais longe.
Sobe número de portugueses em Espanha. Pudera!
Sinal de que o país está de rastos – e que talvez a ideia de formar um outro país, chamado Ibéria, como Saramago sugeriu, não seja tão utópica quanto isso – está o facto de o número de trabalhadores portugueses em Espanha ter outra vez aumentado, estando quase nos 80 mil. Contudo, o número total de portugueses a viver em Espanha é significativamente mais elevado, estimado por alguns responsáveis em próximo de 100 mil, já que o valor oficial de perto de 80 mil apenas representa os trabalhadores registados na Segurança Social, sem contabilizar os seus familiares.
Portugueses cada vez mais pessimistas. Que novidade!

Por tudo isto, depois dos húngaros, os portugueses são os cidadãos da UE «menos satisfeitos com a sua vida em geral» e, inclusive, 60% considera que a situação económica e o emprego vão piorar «nos próximos 12 meses», de acordo com o eurobarómetro, divulgado pela Comissão Europeia. Desde 2001 que o pessimismo em Portugal está a aumentar. Mas agora os portugueses assumem-se como os cidadãos mais pessimistas da Europa a 25. A tal ponto, que apenas 51% dos cidadãos afirma que a sua «vida em geral» vai melhorar nos próximos cinco anos. «O que revela algum realismo» admite a nota que acompanha o eurobarómetro, «em resultado do clima de crise prolongada» que se vive em Portugal».

O que mais «aflige» os portugueses? «Desemprego», «situação económica» e «inflação», responde o inquérito elaborado pela Comissão, vindo logo a seguir o «sistema de saúde» e o «crime». O desemprego é a preocupação central de 64% dos portugueses. Cerca de 30% dos portugueses afirmam que a União Europeia é a principal causa do desemprego. E, para o futuro, receiam a transferência de empregos para outros países. «Isto coloca Portugal entre os países que mais identificam a União com o aumento do desemprego», afirma o relatório.
Para os portugueses, a estabilidade económica não é associada com a UE, a tal ponto que, pela primeira vez em dez anos, o número de nacionais que declaram como «positivo» pertencer à EU, desceu abaixo dos 50%. É que, diz o relatório, ao avaliarem a sua situação económica e financeira, «consideram que a UE teve um papel negativo. Por isso, em relação ao futuro da União, dizem os cidadãos nacionais - principalmente os residentes em áreas urbanas -, deverá centrar-se na luta contra o desemprego, a pobreza e a exclusão».
Só há um remédio: Correr com eles!

E se juntarmos a tudo isto a que se está a passar com os professores obrigados a exercer a sua profissão mesmo afectados por doenças graves e altamente incapacitantes (e de cujos novos casos todos os dias temos conhecimento) tivemos aqui, em meia dúzia de palavras, um retrato real – mas devastador – do país de Sócrates e do PS.

Rematando: nas mãos de Sócrates e do Partido Socialista (salvo seja…), Portugal transformou-se num autêntico país negreiro.

Por isso, sem medo de bufos e de esbirros, de polícias e processos judiciais, de represálias e físicas ou cobardes ameaças anónimas, acho que chegou o momento de dar-mos as mãos, juntarmos as nossas forças e corrermos, o mais depressa possível, com esta gente do poder.

De uma vez para sempre.

7.19.2007

Os novos salazares

A redução do défice, ou a redução da vida?

A redução do défice corresponde à redução da nossa saúde, da nossa educação, da nossa segurança social, do nosso futuro. Da nossa dignidade. Para o senhor Sinistro das Finanças, não há vida para além do Défice.

Com a devida vénia ao jornalista António Ribeiro Ferreira, pessoa que anda muito longe de mim em termos ideológicos, vou ler-vos, integralmente, a crónica que este colaborador do Correio da Manhã escreveu na edição do dia 16 deste mês. São, então, palavras dele:

«Com o patrocínio de Sócrates, este sítio está, dia após dia, a voltar ao tempo em que falar de liberdade era sinónimo de subversão.

Em tempos que já lá vão, neste sítio cada vez mais mal frequentado, havia uma censura cega e muito burra, que zelava não só pelos bons costumes como pela paz podre do cemitério. Era linear, sem grandes enredos intelectuais e elaboradas justificações ideológicas. Era assim, ponto final. Uma das normas dos coronéis lateiros da saudosa censura era evitar, a todo o custo, que o povo soubesse antecipadamente os passos do senhor presidente do Conselho.

A palavra «vai» era rigorosamente cortada pelos lápis azuis. As razões para essa medida com grande sentido de Estado eram várias. Mas as mais óbvias tinham a ver com a segurança de tão alta figura, sempre preocupada com comunistas, anarquistas e outras almas perdidas no tenebroso mundo da subversão, e com o natural desprezo que a dita sentia pelo povo do sítio.

O senhor presidente do Conselho só admitia olhar para a turba à distância, longe de odores e dizeres desagradáveis, que ordeiramente era conduzida em comboios e camionetas para manifestações organizadas pelo partido único, em momentos festivos ou de combate às forças negras do reviralho, domésticas ou internacionais.

Na sua infinita sabedoria, o povo deste sítio logo apelidou Sua Excelência de senhor Esteves. Nesses tempos que já lá vão, essa graçola marota não era castigada pelos esbirros da PIDE e os bufos do regime sabiam perfeitamente que nem sequer valia a pena denunciar quem a dizia em cafés, repartições públicas, autocarros, eléctricos, baptizados, casamentos, funerais ou simples festas de família. Era uma graçola, ponto final.

O senhor presidente do Conselho, ele próprio, sorria superiormente quando estas e outras anedotas lhe eram contadas com todo o respeito pelas figuras que tinham a seu cargo essa espinhosa missão. Os tempos mudaram, as gaivotas da democracia deram à costa há mais de 33 anos e eis que voltam, inesperadamente, não só os esbirros, como os censores e o próprio senhor Esteves.

O presidente do Conselho José Sócrates entra pelos fundos da Casa da Música no Porto, para fugir à turba, e inaugura uma ponte sobre o Tejo com o povo ao longe, rigorosamente vigiado. Os esbirros de serviço suspendem, despedem e ameaçam quem ouse dizer graçolas inocentes.

E os velhos coronéis lateiros foram substituídos pelos doutores e doutoras da Entidade Reguladora da Comunicação Social e da Comissão da Carteira dos Jornalistas. Com o alto patrocínio do senhor presidente do Conselho e dos acólitos socialistas este sítio está, dia após dia, a voltar ao tempo em que falar de liberdade era sinónimo de subversão
».

Os dois Esteves...

Isto foi escrito, como disse, pelo jornalista António Ribeiro Ferreira, pessoa que está muito longe de ser considerada de esquerda. Apesar disso – ou por isso mesmo – quero aplaudir o texto e pedir-lhe autorização para assinar por baixo.


Os dois «Esteves». E as parecenças sucedem-se assustadoramente...

O senhor Esteves (que dantes era António de nome e Salazar de apelido, e hoje foi baptizado como José e gosta de ser tratado por Sócrates, embora os apelidos sejam uns prosaicos Pinto de Sousa), então o senhor Esteves dos nossos dias que se cuide, mais a sua corte de esbirros e bufos «socialistas», porque este voltar ao passado não traz só coisas más. Também vai trazendo, aqui e além, umas ténues teias de cumplicidades e alianças, um certo reagrupar de forças e resistências, de tal forma que, um dia destes, quando menos esperarmos, as coisas deixarão de ser como são. Aliás, já Camões sabia que todo o mundo é composto de mudança…

A grande vitória de Costa,
que teve menos 17 mil votos
do que Carrilho, há dois anos

Falemos, agora, das eleições em Lisboa. António Costa é o novo presidente da Câmara, mas a grande vencedora das eleições autárquicas intercalares foi a abstenção, que bateu o valor recorde de 62,61 por cento.

Ao falar da grande vitória, os socialistas escondem que foram muito menos os lisboetas que votaram no PS vitorioso de António Costa, do que no PS derrotado de Manuel Maria Carrilho, em 2005, já que no domingo votaram no PS 57.907 cidadãos, e, em 2005, votaram em Carrilho 75.022. Isto é: o PS, em dois anos, perdeu, em Lisboa, mais de 17 mil votantes.

Para um partido que todos os dias arrota postas de pescada sobre as excelências da sua governação, e cujas sondagens não deixam de lhe conferir uma vantagem confortável, não deixa de ser significativo que, nas urnas, perante uma oposição dividida – e concorrendo com um dos seus pesos mais pesados (meus senhores, aquela barriga esférica e opada não engana: a política engorda mesmo…) tenha alcançado tão mísero resultado. Afinal, dos eleitores inscritos, só 11 % votaram em António Costa.

Mas o fenómeno da abstenção, que afectou seguramente todas as candidaturas, é o que mais significado tem. Pouco a pouco, o povo vai dizendo, com os seus votos em branco e com a sua ausência das urnas, que não acredita nesta política e nestes políticos. Que está farto. Que já sabe que o seu voto não resolve nada, e só os «adeptos dos clubes» - isto é: os indefectíveis dos partidos – se dão ao trabalho de ir ao jogo puxar pelo clube de cada um. Mesmo que, depois, nada ganhem com isso.
O país e o povo reduzidos a zero. Ou quase...

O que muita gente ainda não percebeu – e os que perceberam não disseram – é o que significa Teixeira dos Santos ter vindo dizer, com ar de festa, que o défice talvez fique abaixo dos 3%. E o homem falou disto como se o governo estivesse a realizar um feito magnífico, a que correspondesse uma benfeitoria para os milhões de portugueses que vivem e sofrem no país onde tiveram a infelicidade de nascer.

É que à redução do défice corresponde a redução de escolas, a redução de vários serviços de saúde, a redução da protecção na doença e no desemprego, a redução das reformas, vendo-se cada vez mais gente obrigada a trabalhar até morrer, como todos os dias vamos sabendo de mais casos. A redução do défice corresponde à redução da nossa vida, à redução da nossa esperança numa vida digna, à redução da nossa liberdade. A redução do défice corresponde à redução de mais leite para as nossas crianças, pois o seu preço é superior à média europeia, embora sejamos obrigados a reduzir a produção para cumprir as imposições dos países ricos da UE.
A Pátria já foi vendida por Soares e Cavaco

Daqui dou um salto para as afirmações de Saramago, segundo as quais Portugal pode estar a caminho de ser uma província de um novo país, chamado Ibéria. É claro que saíram disparadas reacções de sinal contrário. Aplausos e apupos. No fundo, esqueceram-se os mais patriotas que Portugal já não é um país independente há muitos anos, desde que aderiu a uma União Económica que o obrigou a abrir mão da sua siderurgia, que o impede de pescar o que precisa, que o obriga a arrancar vinha e olival, a produzir menos leite (embora hajam crianças que nem o cheiram), que está impedido, em suma, de produzir tudo aquilo que podia e devia para que não houvesse tanta fome por aí. Por imposição da UE, nem uma simples fava ou um singelo brinde podemos ter no bolo-rei. É claro que para esses patriotas, Portugal não foi vendido ao estrangeiro por Soares e Cavaco, nem a nossa independência económica se perdeu a troco de betão e subsídios para jipes e coutadas.

Na verdade, Saramago apenas teorizou a partir de uma realidade económica, social e geográfica, numa perspectiva de evolução política onde cada povo mantivesse a sua língua, a sua cultura e a sua autonomia.

O que eu não sei é se a outra parte da Ibéria, aquela que não fala português, estaria interessada em juntar-se a este bocado de terra e a este magote de gente, que de tão frouxa e decadente, trinta e três anos depois de se ter libertado de uma ditadura, já se deixou enredar, pacificamente, nas teias de uma outra ainda mais trituradora, feroz e descarada. Onde as vidas humanas não valem por si, mas por aquilo que dizem as contas de um fulano sinistro, chamado Teixeira dos Santos.

E um certo «socialista», que já foi presidente da República e, enquanto tal, lembrou ao governo de então (que não era PS) que havia mais vida para além do défice, anda agora muito entretido a ganhar uns milhares para fingir que combate a tuberculose no mundo, devendo achar, nos dias que correm, que, sendo o Governo «socialista», haverá sempre mais défice para justificar o sacrifício de mais vidas.

E depois, dizem que a taxa de abstenção é muito alta. E vai piorar, meus amigos, vai piorar.

7.10.2007


A grande vaia
- crónica de uma noite de Verão.


Os cerca de 40 mil espectadores que vaiaram intensamente o primeiro-ministro Sócrates, até há pouco também conhecido por «engenheiro», título que, soube-se agora de fonte segura, não pode utilizar sem que esteja a mentir (ou a brincar), dizia eu que esses cerca de 40 mil espectadores podem ser responsabilizados criminalmente por manifesta falta de respeito a uma das mais altas figuras da hierarquia do Estado.

Segundo conseguimos apurar, José Sócrates já pediu ao ministro da Administração Interna que mande visionar as cassetes gravadas pelas diversas câmaras de segurança instaladas no Estádio da Luz, no sentido de identificar os subversivos prevaricadores. Segundo parece, só Cavaco Silva, sentado a seu lado – e na altura do nefasto acontecimento a ajeitar o aba do seu impecável casaco – estará livre de qualquer suspeita. Ainda assim, há testemunhas que dizem ter detectado em Cavaco Silva um meio sorriso misterioso, embora se diga que poderia ser apenas um dos muitos esgares em que o senhor Presidente da República é pródigo.

Sócrates também já contactou os responsáveis da Liga de Clubes de Futebol Profissional e a Federação Portuguesa de Futebol, tendo em vista serem encontrados os mecanismos que possam justificar a interdição do Estádio da Luz por vários jogos, alegando-se, para o efeito, o comportamento incorrecto do público.

Por outro lado, o Ministério da Educação encarregou a directora da Direcção Regional de Educação do Norte, a virtuosa D. Margarida Moreira – recentemente nomeada Coordenadora-Chefe da Nacional Bufaria – no sentido de tentar apurar se o professor Charrua teria estado presente no Estádio da Luz, como chefe de claque, já que muitos dos insultos dirigidos ao senhor primeiro-ministro correspondem aos que, alegadamente, o dito professor teria proferido entre um grupo de amigos (amigos… salvo seja).

Outras das orientações de Sócrates dizem respeito aos autores de apupos, vaias e insultos que sejam identificados como funcionários públicos, para os quais se prevê, para além da responsabilização criminal, a imediata suspensão e a abertura de inquérito por falta de lealdade e notória postura antipatriótica.

Finalmente, Sócrates deseja que o Sport Lisboa e Benfica, como proprietário do estádio – e palco já reincidente neste lamentáveis comportamentos, uma vez que Durão Barroso ali mereceu igual tratamento – seja severamente punido, devendo descer de divisão e ficar proibido de equipar de vermelho, tido como cor subversiva – já Salazar, certa vez, se lembrara disso – e mesmo cor-de-rosa, por ser a rosa a flor do PS.

Mas se a vaia ao primeiro-ministro já foi um transtorno grande para José Sócrates, amachucando-lhe o ego até ao nível do papel higiénico depois de usado, outra vaia pode trazer ao governo sérios problemas diplomáticos. É que a Estátua da Liberdade, uma das candidatas a nova maravilha da humanidade, mereceu outra enorme vaia quando surgiu nos ecrãs do Estádio. Segundo consta, o embaixador norte-americano em Lisboa já pediu explicações ao Governo português, sugerindo mesmo que, a repetirem-se manifestações anti norte-americanas desta natureza, o país seria incluído no terrífico Eixo do Mal, o que equivale a dizer que Portugal seria considerado um estado potencialmente terrorista e passível de ser preventivamente bombardeado a qualquer momento. Convidado a comentar esta ameaça, o ministro dos Negócios estrangeiros, Luís Amado, desvalorizou a questão, dizendo que essa possibilidade não existia, tanto mais que Portugal não era um país produtor de petróleo. Só de calhaus.

Bem, meus amigos, depois deste devaneio próprio de uma noite de Verão, convém que vos diga, já mais a sério que, de facto, a grande maravilha dessa noite de novas maravilhas, foi mesmo a estrondosa, espontânea, genuína e pura vaia, saída com força e convicção da alma de dezenas de milhares de portugueses, fartinhos que estão de ser humilhados por um governo que não merece o mínimo de respeito nem o mínimo de credibilidade.

Ainda o aborto


Entretanto, todos percebemos que continua a saga do aborto (e que me desculpem os defensores da dignidade da mulher através do acto abortivo), mas é assunto que todos os dias aparece na comunicação social, por isso não vejo razão para fugir a ele.

Por um lado, porque inúmeros médicos (honras lhes sejam feitas) se recusam a praticar aquilo que, na verdade não é um acto médico – ou seja, um acto destinado a curar uma doença ou a salvar uma vida. De facto, um aborto por razões que nada tenham a ver com a saúde de mãe ou do filho, não passa de um acto expedito de eliminar uma vida que ameaça chatear a progenitora, algo que não encaixa na ética médica nem nas competências dos serviços de saúde, sejam públicos, sejam privados. Matar, não é a função dos médicos nem dos hospitais. Quando muito, o aborto encaixaria num serviço qualquer que se criasse exclusivamente para exterminar fetos, tipo matadouro municipal ou estatal, ou coisa parecida. Algo que tivesse a ver com o negócio da morte – e não com a dádiva da vida.

Por outro lado, porque já se viu que cada aborto vai custar ao SNS (isto é: a todos nós) um verdadeiro balúrdio, tanto fazendo que seja praticado no serviço público, como através das clínicas privadas convencionadas. Segundo a tabela em vigor, uma interrupção custa ao Estado entre 830 e 1.074 euros. (Na tabela de 2004 do Sistema de Gestão dos Utentes Inscritos para Cirurgia, uma interrupção voluntária da gravidez cirúrgica justificada pela saúde da mãe ou problemas graves com o feto, rondava os 590 euros). Ora, sendo agora a eliminação do feto não só legal, como gratuita (até de taxa moderadora está isenta), não admira que os diversos hospitais já digam que não vão ter capacidade para a chuva de abortos que aí vem, tendo que os reencaminhar para os privados.

De facto, se com as dificuldades antes existentes era o que era, agora, meus amigos, o aborto, como mais um método de contracepção puro e simples – e gratuito – vai disparar em flecha. Não se percebe – eu não percebo – que com a facilidade e diversidade de meios contraceptivos ao dispor das pessoas, possam ser assim tantas as gravidezes acidentais. Com o que vamos vendo e ouvindo – e com o que todos sabíamos, mas alguns fingiam não saber – aí está a prática abortiva como uma saída natural e comum para uma gravidez acidental ou, a partir de certa altura, não desejada – à mercê das venetas do momento – em vez de uma situação excepcional e justificada por indubitáveis razões de saúde.

Enfim, o que eu sei, isso sim, é que é mais um golpe nas contas do SNS, e que vai ser pago por todos nós. E – muito pior do que isso – vai dificultar e encarecer ainda mais o acesso aos serviços de saúde a quem está verdadeiramente doente. Pegando no exemplo da semana passada, é verdadeiramente escandaloso que um canceroso espere meses por uma cirurgia, que um doente cardíaco, renal ou hepático pague taxas moderadoras, que a vacina contra o cancro do colo do útero nem sequer seja comparticipada, que uma consulta de qualquer especialidade demore meses e meses, mas que um mulher saudável, que não teve os devidos cuidados nas suas relações sexuais – ou, de súbito – mudou de ideias em relação à sua gravidez, ocupe o lugar e os recursos dos verdadeiros doentes.

Enfim, não é apenas Sócrates que merece uma grande vaia.

7.08.2007









E a Primeira Grande Maravilha foi...


Dia 7 de Julho, no maravilhoso Estádio da Luz, numa cerimónica bacoca e sem qualquer significado cultural e científico, dizem que se elegeu, via mensagens telefónicas ou via internet (que tanto podiam ser enviadas por gente sensata, culta e inteligente, como por analfabetos e outros calhaus sem a mínima noção do que estavam a fazer) as novas Sete Maravilhas do Mundo e as Sete Maravilhas de Portugal. Valeu o que valeu - isto é: ZERO. As maravilhas que foram consideradas já o eram antes da votação - e nada se lhes acrescentou de maravilhoso - e as que o não foram, meus caros, não foi por isso que deixaram de ser coisas maravilhosas.


Mas houve uma grande, real, iniludível, verdadeira, sentida, espontânea e gloriosa grande Maravilha. Foi a monumental vaia com que os milhares de portugueses presentes «ovacionaram» o senhor José Sócrates Pinto de Sousa, por alcunha «o engenheiro».


Não assisti ao espectáculo, nem vi pela televisão. Soube, no dia seguinte, pelos diversos noticiários. E fiquei feliz. Percebi que essa «enorme e possante besta», que Erasmo de Roterdão dizia o povo ser, ainda mostra, de vez em quando, que não está totalmente dominado.


Que maravilha, meus amigos, sabermos que o povo, afinal, ainda mexe...


7.07.2007




Austrália confessa a verdade:

Entrámos no Iraque por causa do petróleo

Afirmações recentes do primeiro-ministro australiano, deixaram claro que a Austrália participou na invasão e ocupação do Iraque para garantir o controlo das vastas jazidas petrolíferas existentes no Iraque. Louve-se-lhe a franqueza. É o neo-colonialismo e a guerra de pilhagem no seus esplendor. Ou o Império (pela boca de um dos seus rafeiros) a confessar, sem receio, a sua condição imperialista.

Mas nem tudo são rosas...

A explosão de um camião carregado de explosivos num mercado da localidade de Toz, a norte de Bagdade, causou pelo menos cem mortes e 120 feridos, segundo informaram fontes da Polícia citadas pelas agências internacionais.

Entretanto, o exército norte-americano também confirmou a existência de seis baixas no seu contingente, em resultado de um atentado na zona de Amarli, a 90 quilómetros de Tikrit. Desculpem-me a franqueza, mas dou dois ou três pulos de contente por cada baixa sofrida pelos invasores. Estou farto de saltar.

Tikrit e Toz situam-se na província de Salahedin, que pertence ao denominado Estado Islâmico do Iraque, anunciado por um grupo sunita, em Outubro. Certo ou errado, estes, pelos menos, estão na terra deles.

7.06.2007

LISTA NEGRA
(Nunca esquecer estes nomes)

José Sócrates

Teixeira dos Santos

Correia de Campos

Vieira da Silva

Augusto Santos Silva

António Costa

Luís Amado

Maria de Lurdes Rodrigues

(a actualizar em caso de necessidade)

7.05.2007

Ontem, hoje, aqui


Intelectuais apolíticos

por Otto Rene Castillo [*]

Um dia,
os intelectuais
apolíticos
do meu país
serão interrogados
pelo homem
simples do nosso povo.


Serão perguntados
sobre o que fizeram
quando
a pátria se apagava
lentamente,
como uma fogueira frágil,
pequena e só.


Não serão interrogados
sobre os seus trajes,
nem acerca das suas longas
siestas
após o almoço,
tão pouco sobre os seus estéreis
combates com o nada,
nem sobre sua ontológica
maneira
de chegar às moedas.


Ninguém os interrogará
acerca da mitologia grega,
nem sobre o asco
que sentiram de si,
quando alguém, no seu fundo,
dispunha-se a morrer covardemente.


Ninguém lhes perguntará
sobre suas justificações
absurdas,
crescidas à sombra
de uma mentira rotunda.


Nesse dia virão
os homens simples.
Os que nunca se couberam
nos livros e versos
dos intelectuais apolíticos,
mas que vinham todos os dias
trazer-lhes o leite e o pão,
os ovos e as tortilhas,
os que costuravam a roupa,
os que manejavam os carros,
cuidavam dos seus cães e jardins,
e para eles trabalhavam,
e perguntarão,
"Que fizestes quando os pobres
sofriam e neles se queimava,
gravemente, a ternura e a vida?"


Intelectuais apolíticos
do meu doce país,
nada podereis responder.


Um abutre de silêncio vos devorará
as entranhas.
Vos roerá a alma
vossa própria miséria.
E calareis,
envergonhados de vós próprios.


[*] Revolucionário guatemalteco (1936-1967), guerrilheiro e poeta. A seguir ao golpe de 1954 patrocinado pela CIA, que derrubou o governo democrático de Jacobo Arbenz , Castillo teve de exilar-se em El Salvador. Voltou à Guatemala em 1964, onde militou no Partido dos Trabalhadores, fundou o Teatro Experimental e escreveu numerosos poemas. No mesmo ano foi preso mas conseguiu fugir. Regressou ao exílio, desta vez na Europa. Posteriormente retornou secretamente à Guatemala e incorporou-se a um dos movimentos guerrilheiros que operavam nas montanhas de Zacapa. Em 1967, Castillo e outros combatentes revolucionários foram capturados. Ele, juntamente com camaradas seus e camponeses locais, foram brutalmente torturados e a seguir queimados vivos.