3.01.2013

EU VOU
 
NO DIA 2 DE MARÇO,
AJUDAR PORTUGAL
A LIBERTAR-SE DO JUGO.
DOS SIPAIOS, DOS VENDIDOS,
DOS MIGUÉIS DE VASCONCELOS,
DOS VAMPIROS.
 
PORQUE ELES
 
 
SÓ PARAM
DE
NOS MORDER
SE LHES PARTIRMOS
OS DENTES

2.07.2013


Seita é seita
 

 
 
Franquelim Alves, um dos novos secretários de Estado agora empossados, é o mesmo Franquelim Alves que foi administrador do grupo Sociedade Lusa de Negócios/BPN, organização criminosa que levou a cabo a maior fraude financeira algumas vez acontecida em Portugal. Chegou a pensar-se que se estaria perante uma confrangedora coincidência de nomes, mas cedo se concluiu que não. Um antigo responsável da instituição onde – e quando – o crime sucedeu, acabava de entrar no governo de Portugal. Por sugestão de Santos Pereira, vontade de Passos Coelho e com o ámen de Cavaco.

Isso mesmo: enquanto a seita de altos figurões do PSD, com alguns socialistas à mistura, se entretinha a meter no seu próprio bolso – e no bolso dos amigos – algo que pode chegar a mais de sete mil milhões de euros, o senhor Franquelim olhava para o lado e mantinha um prudente silêncio. Mais tarde, haveria de confessar que percebera tudo o que se passava mas, por razões de prudente estratégia – não foi em nome do interessa nacional, mas quase – preferiu ficar mudo e quedo. E até assinou um relatório de contas perfeitamente criminoso.

Como se não bastasse estar a coberto de qualquer acusação, como, aliás, muitos outros responsáveis pela cratera que, segundo se estima, lesou o país nos tais mais de sete mil milhões de euros – o mais certo é verificarmos, um dia destes, que tudo o que aconteceu não teve autores – Franquelim ainda foi premiado com um lugar no governo, substituindo Carlos Nuno Oliveira, na secretaria de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação.

Se já era escabroso que o Estado só quisesse estar no BPN para assumir os prejuízos, o que chamar então ao facto de ser o espírito empreendedor, competitivo e inovador, made in BPN, a estar bem dentro do aparelho do Estado? A coisa só explica porque uma seita é sempre uma seita e, quando assim é, o resto é conversa fiada.

Cientes do que estavam a fazer, os energúmenos que governam (salvo seja!) este arremedo de país, tiveram o cuidado de omitir, no currículo do novo governante, a sua dignificante passagem pelo BPN. Sempre inteligente e subtil, Passos Coelho apressou-se a esclarecer o país que tal omissão se justificava pelo facto de toda a gente saber esse precioso detalhe do passado do novo secretário de Estado.

Já o Álvaro – o dos pastéis de nata – depois de muito esmifrar os neurónios, descobriu que a criatura que ele chamou ao governo até fora o primeiro cidadão deste país a denunciar, por comovente e heroica epístola, a gigantesca burla. Azar! Sabe-se que há uma missiva a tocar no assunto, mas não é do atual secretário de Estado, e sim de toda a administração da SLN. E só surge depois de se saber das irregularidades no grupo.


Portugal não é só um lugar mal frequentado. É, principalmente, um covil de gente que, por falta de adjectivos, já não é possível qualificar.

Lá do alto, o Cardeal Cavaco abençoa a seita que descobriu o Maná.

2.05.2013


O banqueiro e o seu gás
Ziklon-B
 
 
Quando um banqueiro com o rei na barriga, que julga que a história parou em Portugal e no mundo, se atreve a dizer que os portugueses que ainda não alcançaram o invejável estatuto de sem-abrigo estão aptos a aguentar com mais austeridade no pelo, está dito e confessado, embora involuntariamente, o que é a natureza do sistema capitalista. A sua matriz desumana e predadora.



O homem que lavrou a sentença chama-se Fernando Ulrich. Aqui há uns meses largos, já tinha manifestado outro dos seus pontos de vista, que se resume a isto: um trabalhador deveria poder ser despedido no preciso momento em que a sua entidade patronal entendesse. Desta vez – e em defesa da sua opinião – ainda teve tempo para perguntar a um jornalista: "Se você andar aí na rua, e infelizmente encontramos pessoas que são sem-abrigo, isso não lhe pode acontecer a si ou a mim porquê? Isso também nos pode acontecer”.
Como deveríamos perceber, se não fôssemos uns pobres mentecaptos, ser-se sem-abrigo é algo que pode acontecer, natural e frequentemente, assim como acontece a chuva, uma manhã de nevoeiro ou uma tarde de sol. Acontece porque acontece, não tem causas, a não ser causas naturais. É uma coisa má, mas sem culpados. Um homem pode perder a sua fonte de subsistência e a da sua família, ver-se atirado para a mais profunda miséria, ser transformado num ser humano destroçado a quem nada mais resta do que estender a mão à caridade e dormir entre cartões e plásticos nas arcadas do Terreiro do Paço, mas isso é só porque as coisas são mesmo assim.
Não acredito que Fernando Ulrich não saiba aquilo que Almeida Garrett, aqui há 170 anos, já sabia: que são precisos muito pobres para se fazer um rico. Por outras palavras: que ele, Fernando Ulrich, banqueiro de pança cheia com o dinheiro que é dos outros, é o autor de muitas centenas de sem-abrigo que por aí se esvaem sem pão e sem esperança; que ele, Fernando Ulrich, come, por consequência, seres humanos ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar; que ele, Fernando Ulrich, é a prova viva de como a sociedade que o enriquece – o sistema político e económico onde medra – é uma máquina infernal de fazer pobres. Que ele, Fernando Ulrich, acha que até se ser um sem-abrigo, é natural que um homem tenha que aguentar aquilo que ele acha que se deve aguentar. E de bico calado. Para quê? Para, por exemplo, ele enriquecer mais com milhares de milhões de euros saídos dos bolsos – e do esforço produtivo – de milhões de seres humanos. 
Portugal é, hoje em dia, um imenso campo de concentração, um Auschwitz moderno, diferindo do outro, do verdadeiro, em alguns pequenos detalhes: não se impede os prisioneiros de saírem, mas apenas para se poupar nas câmaras de gás e nas dores de cabeça; não se usa o gás Zyklon B nem os fornos crematórios: usa-se a Crise; e não se pretende o extermínio total dos prisioneiros: apenas o dos mais fracos e velhos. Os outros, os produtivos, são usados para sustentar Fernando Ulrich e os seus pares.
É verdade: o que é que aconteceu aos carrascos de Auschwitz? Acabaram pendurados numa corda, não foi?


 
 
 
 

1.20.2013


Têm fome? E depois?

Há quem esteja muito pior…

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este, por exemplo…

Há cada vez mais crianças a passar fome em Portugal.

Há crianças que chegam doentes ao Hospital de Santa

Maria, em Lisboa, por terem fome.

Cerca de 94 mil crianças são, em média, assistidas por dia

pelos bancos alimentares, número que seria ainda maior

se incluísse a Madeira, que não é abrangida pela rede.

 
A culpa é do desempenho da economia, diz Gaspar.

 
Nada que não estivesse nas previsões do governo,

diz Passos.

 
Ai aguentam, aguentam, diz o banqueiro.


Para além disso, há quem esteja muito pior.

Olhem para África, por exemplo.

1.06.2013


A explicação da Crise

 
No ano de 2012, as sete maiores fortunas portuguesas viram o seu património aumentado 13%, acompanhando, de resto, a tendência mundial.
 
Ou seja: no ano passado, TODOS os ricos ficaram mais ricos. E TODOS os pobres ficaram mais pobres

 Confirma-se o que disse o poeta:

 
Estas crises que acontecem

são de efeitos desiguais.

Aos pobres, mais emagrecem;

aos ricos… engordam mais.

 
Está explicada a Crise?

Ou é preciso fazer um desenho?

11.10.2012


A megera

 
 





A megera que se entretém a distribuir esmolas
que os outros dão, destinadas a matar a fome que por
aí grassa, acha que ainda é preciso «empobrecer mais»,
pois «vivemos acima das nossas possibilidades».
Além disso, a culpa da pobreza e, obviamente,
dos próprios pobres.

Isabel Jonet - é o nome da megera - esqueceu-se de
informar quanto é que ela ainda vai empobrecer,
ou se deixa essa tarefa apenas para os... pobres.

Sobre a necessidade de se produzir mais riqueza
(mais e melhor indústria, mais e melhor pescas,
mais e melhor agricultura) a generosa senhora nada disse.

 

11.08.2012


O criminoso bombardeamento de Dresden.

 
 
Muito se fala dos crimes nazis – e nunca será demais deles falar, para que os potenciais hitlers possam conter-se. Mas os aliados também cometeram crimes, e Dresden foi apenas mais um deles. A cidade não era um alvo militar, o poderia bélico alemão já quase não existia, a guerra estava decidida. Tratou-se de pura barbárie.

Hoje – como ontem – os bárbaros andam por aí. Entre nós. Às vezes, dentro de nós.

Nunca é tarde para aprender que não há criminosos bons – os «nossos» – e criminosos maus – os dos «outros» - porque todos eles são criminosos.

Tal como não há boys e girls bons – os nossos – e boys e girls maus – os dos outros. Nem corruptos e corruptores bons – os nossos – e corruptos e corruptores maus – os dos outros, porque todos são o que são, independentemente da cor do cartão partidário.

E o mesmo para ladrões, para vigaristas, para mentirosos, para imbecis, para devassos.

Quando tivermos aprendidos isto – e só então – é que podemos limpar o país do lixo humano que o infecta.

9.09.2012



Passos dirigiu-se aos portugueses através do Facebook.

 
«Queria escrever-vos hoje, nesta página pessoal, não como primeiro ministro mas como cidadão e como pai».

 
Não chega, estimado «cidadão». Eu queria que nos escrevesses era na condição de um português desempregado, ou – vá lá… – com o salário mínimo.

6.17.2012

Jorge Nuno Pinto da Costa mantém os hábitos
A Casa de Alterne



O senhor Jorge Nuno Pinto da Costa foi recebido na Assembleia da República, onde jantou com deputados azuis e brancos. Ao que consta, deputados de todos os partidos teriam estado representados no convívio. Não é a primeira vez que a Assembleia da República se dignifica ao receber nas suas vetustas paredes tão insigne e modelar figura, alguém que pelo seu exemplo de vida honra a casa da democracia.

Não sabemos se a actual – e jovem – concubina do ilustre ancião o acompanhou, algo que não seria de estranhar, sabendo-se que a sua anterior amásia mereceu a honra de entrar, por sua mão, no Vaticano e ali se inclinar perante Sua Santidade. Consta que a actual presidente do parlamento, também ela portista dos quatro costados, teve o cuidado de telefonar a Jorge Nuno Pinto da Costa, indicando-lhe o percurso desde a entrada em Lisboa até S. Bento.


- O senhor está onde, senhor Jorge Nuno?

- Olhe, estou a ber um morcóm com um braço esticado a apuntar em friente.

- Está no Saldanha. Pois siga nessa direcção que o Duque de Saldanha aponta, senhor Jorge Nuno. É sempre em frente.

- Pois sim. Olhe, já estou a ber outro morcóm agarrado a um leóm.

- É o Marquês. Corte na segunda à direita, e siga sempre em frente.  

- E depois?

- Depois, vai ter ao Largo do Rato e corta à esquerda, numa rua estreitinha, que desce. Vem ter logo a S. Bento.

- Sabe uma coisa, senhora presidenta? Se estiverem a grabar esta combersa, hão-de logo pensar noutra grabaçom, em que eu fazia o que Bossa Excelência está a fazer agora, e o árbitro Augusto Duarte era quem recebia as indicaçuões que eu estou a receber. Bire à esquerda, agora bire à direira, depois é sempre em friente.


E tudo correu como se fosse um jantar entre Deus e os anjos. E outra coisa não seria de esperar. Afinal, o presidente do FCP é um homem mundano. Se não há casa de alterne onde ele não seja bem recebido, porque não haveria de sê-lo na Assembleia da República?




6.09.2012



Do circo da selecção… ao circo da governação.

A pátria de chuteiras
- e de brincos, tatuagens, lamborghinis e lindos penteados



O «português» Pepe (só as patas) mostra a sua raça, arreganho e outras virtudes

Da querida selecção, era melhor nem falarmos. Mas ficava mal, agora que os «nossos rapazes», suprassumos da raça (Pepe também?), estão em liça para elevar ao mais alto nível as virtudes lusitanas. (Pausa para limpar uma incontida e patriótica lágrima).

Entre brincos de milhares, tatuagens lindíssimas (se aquilo é na pele, como não estará no cérebro…), lamborghinis e ferraris, penteados exóticos impulsionados por neurónios alienígenas, a troupe, liderada por um capitão sempre à coca das câmaras para fazer carinhas larocas, está ali para o que der e vier. E se vier depressa, poupam-se umas massas...

Sim, porque gente fina é outra coisa, por isso, a selecção nacional é a que paga mais por diária, mas já se sabe que a ordem é rica. Por cá, mantém-se a sopa dos pobres (perdão: isso era no tempo do fascismo; agora, são cantinas sociais) e os peditórios contra a fome – fome, mas democrática, note-se bem, que é perfeitamente suportável, compreensível e legitimada pela vontade popular. Fome negra, terrível, era a dos tempos da outra senhora.

Fátima em Maio; Futebol em Junho; Fado –triste – todo o ano. Outra vez os três efezinhos. Podia acrescentar outro F, mas é melhor suster os ímpetos.

Afinal, havia outra…
Portugal vai ter 500 mil jovens agricultores, a maior parte licenciados


O Primeiro-ministro aconselha agora os jovens desempregados a olharem para a Agricultura, como uma boa perspectiva de futuro. Pedro Passos Coelho lançou o repto, durante a visita que realizou à Feira Nacional de Agricultura, em Santarém. Aqui há um mês, a solução para os desempregados jovens era a emigração. Mas afinal, havia outra (solução). Dediquem-se à agricultura.

Mas como vai ser? Ocupam terras improdutivas? Isso é muito feio, antidemocrático e pode ser considerado um regresso ao PREC. E à Reforma Agrária. O Estado dá as terras? Ou vende? Ou estaremos a falar de hortas urbanas, quiçá, nas banheiras e marquises?

Ó Pedro, pá, podes explicar isso melhor à malta? Emigrar, é fácil, basta um mano meter os pés ao caminho. Mas ir para a ingrícula, assim do pé para a mão, meu, como é que estás a ver a cena?




4.29.2012

Os usurpadores de Abril

 

Há dias, um fala-barato – ou melhor: um escreve-barato, apesar de não dever receber pouco pelo que escreve –, cujo nome me escapou, dizia que a ausência da Associação 25 de Abril, de Soares e de Alegre das comemorações oficiais que assinalavam a data, era uma atitude reprovável, pois as políticas que assim pretendiam contestar são decorrentes da vontade do povo, democraticamente expressa pelo voto. Logo, contestá-las era agredir o espírito de Abril, dado que os ideais da Revolução não têm donos. Ou, a tê-los, somos todos nós.

Não posso discordar mais desta opinião. E por várias razões, todas elas de uma evidência cristalina. Ei-las:

- Em primeiro lugar, um ponto prévio: se a Associação 25 de Abril – especialmente o coronel Vasco Lourenço – Soares e Alegres consideram que as políticas em curso são contrárias àquelas que o 25 de Abril tinha na sua génese (e eu sou o primeiro a estar de acordo com tal conclusão), há muitos anos que deveriam ter-se abstido de participar nas comemorações oficiais, pois há muitos anos, com especial destaque para os anos negríssimos de Sócrates, que essas mesmas políticas crucifixam os portugueses. Ao não fazê-lo – ou a fazê-lo só agora – é claro que o que move o senhor coronel, bem como o que dá corda à ridícula dupla Soares/Alegre, não são as políticas em si, mas interesses meramente partidárias. O que é muito feio e, por isso, totalmente contrário aos ideais de Abril.

- Em segundo lugar, nem tudo o que é formalmente democrático é inquestionavelmente democrático. A história está cheia de exemplos que o comprovam, sendo as eleições ganhas pelo partido Nazi a lição que melhor o testemunha. Muitos outros há. Aliás, eleições limpas e democráticas, ganhou-as a Frente Islâmica de Salvação, há vinte anos, na Argélia, coisa que a UE e os EUA não aceitaram, forçando a sua anulação. A partir daí, a Argélia tem vivido num quase permanente estado de sítio, algo que não embaraça dos grandes democratas que mandam no globo. Mas há mais. O que acontece, por exemplo, quando de um referendo não saem os resultados que o poder político (dito democrático, note-se) deseja? Repete-se o referendo até que o resultado seja o pretendido, como aconteceu na Irlanda. Mas há ainda melhor: actualmente, para que ninguém possa ser acusado de falta de espírito democrático, coisa que se tornou evidente no escandaloso caso da Irlanda, decide-se, muito simplesmente – e para evitar surpresas –, nem se fazer referendo, como já aconteceu em Portugal. Sobre o que é realmente democrático, quase que estaríamos conversados.

Ora, há muitos motivos para se concluir que os pressupostos necessários para conferir legitimidade democrática a umas eleições não foram cumpridos no caso do acto eleitoral do qual resultou a actual composição da Assembleia da República e, por consequência, resultou o governo PSD/PP.

Um desses motivos, é que durante o período pré-eleitoral e, mais intensamente, durante a campanha eleitoral, não só foram escamoteados ao eleitorado dados fundamentais para uma decisão informada e consciente, como foi o mesmo confrontado, por um lado, com promessas de determinadas realizações, ao passo que, por outro lado, eram os eleitores tranquilizados com garantias de que certas decisões jamais seriam tomadas.

De facto – e como, desgraçadamente, vai sendo um hábito dos políticos do «arco do poder» – prometeu-se fazer o que não se pensava fazer (e até já se confirmou que não se fará), e garantiu-se que nunca, em circunstância alguma, se tomariam decisões políticas que, meses passados, aí estão em doses inimagináveis. Isto, só por si, fere de legitimidade democrática o actual governo, como, aliás, outros antes deste foram feridos por iguais artimanhas.

Outro motivo, decorrente deste, é alegar-se ignorância sobre o verdadeiro estado das finanças públicas, algo que, a ser verdade, constituiria o mais decisivo atestado de incompetência e debilidade mental que se poderia conferir a um político. Na verdade, ninguém minimamente informado estava, à data das declarações proferidas em campanha eleitoral por Passos Coelho, alheio à real situação do país, a começar, exactamente por ele, dado que já resolvera subscrever as medidas de austeridade, mão-na-mão com José Sócrates. Sabia porque o fazia. E até pediu desculpas ao país.

Assim sendo, resta concluir que Passos Coelho mentiu com plena consciência de que estava a mentir, e que à mentira recorreu por ter a noção que, só assim, poderia merecer a confiança indispensável do eleitorado, tendo em vista a vitória nas eleições. Se isto for aceite como um acto normal e correcto em democracia, então a democracia tem que rever todos os seus valores e conceitos. Que não serão, seguramente, os valores e conceitos constantemente apregoados.

Ainda um outro motivo: aplicadas as medidas de austeridade que, conjuntamente, o PS e o PSD acordaram com a Troika estrangeira, o actual governo, a um ritmo constante, acrescenta mais austeridade à austeridade antes considerada necessária, desdizendo-se a si próprio, chegando ao extremo de, apanhado em contradições crassas e indesmentíveis, atribuir a «lapsos» as suas afirmações iniciais.

Ora, nada disto se coaduna com a Democracia e com os valores que, implicitamente, lhes estão inerentes. A mentira, o descaramento, a manipulação de dados como meio de manipular consciências, a incoerência e os caminhos ínvios para alcançar objectivos, sejam eles quais forem, tudo isto é a negação – a falsificação – da verdadeira Democracia.

- Em terceiro lugar: sendo, como se diz, a Democracia o governo do Povo, para o Povo, como se pode considerar democrática uma prática governativa que promove e agrava as desigualdades sociais, cabendo precisamente ao Povo o papel de espoliado, enquanto uma restrita faixa de oligarcas goza de privilégios que a mantém a salvo de sacrifícios, para além de estar ao abrigo de um imenso rol de impunidades, que ganham especial relevo a nível da aplicação da Lei? Nesta alegada democracia, a classe dominante (poder económico e poder político, mancomunados) põem e dispõem a seu bel-prazer no plano político, económico, financeiro e judiciário, tendo-se transformado numa casta superior, pelo que a matriz que conduz a nossa vida colectiva é, indubitavelmente, uma matriz feudal. Ou seja: antidemocrática, imoral, desumana e socialmente segregacionista.

- Em quarto lugar: não podem considerar-se democráticas práticas políticas, financeiras e económicas que conduziram o país ao descalabro actual, já que elas não foram escrutinadas por ninguém, nem foram divulgadas ou colocadas à discussão do eleitorado em nenhum momento. E, principalmente, não são práticas democráticas sujeitar-se a generalidade da população a pagar a factura do descalabro, sem que os seus autores sejam responsabilizados civil e criminalmente pelos actos praticados à revelia do país, ficando, pelo contrário, senhores de todos os seus direitos e regalias, como se nada de extremamente grave tivessem praticado.

- E, finalmente, em quinto lugar: os valores essenciais de Abril e as suas preocupações em democratizar TODAS as vertentes da sociedade portuguesa, há muito que desaparecerem das práticas governativas.

Não se combate a fome e o desemprego, que alastram de forma epidémica. Aliás, – e confessadamente – todas as opções políticas concorrem para o seu alastramento.

Ter acesso à Educação, à Saúde e à Justiça volta a ser um privilégio das classes mais elevadas da população, enquanto no lado oposto aumenta o número de portugueses que, diariamente, se vê empobrecer. A única certeza que milhões de cidadãos actualmente têm, é que o dia de amanhã será muito pior que o dia de hoje, sem que tenham contribuído minimamente para tal.

A criminalidade de colarinho branco alastra impunemente, o que a par da crise económica (o desespero), dá asas (força «moral»),à criminalidade violenta que abala o nosso quotidiano. A corrupção é um fenómeno que ninguém se atreve a negar, mas que ninguém se atreve a combater, principalmente porque quem o poderia fazer vive no ambiente onde ela medra. E dela abundantemente se mantém.

O Estado é delapidado por interesses partidários – ou de seita – acomodando, à vez, os correligionários de quem ocupa o poder, e a promiscuidade entre o poder económico e o poder político já nem precisa de se resguardar dos olhos esbugalhados da opinião pública, tão normal se tornou.

Na verdade, até os inimigos do 25 de Abril acham conveniente adornar-se com um cravo vermelho, embora tratem o povo português, em muitos casos, como nem a própria ditadura fascista alguma vez se atreveu a tratar.

Vende-se a Pátria a retalho – e nem sempre a quem dá mais. O interesse nacional é submetido aos interesses económicos, sendo que só se consideram legítimos os lucros privados, pois, segundo a ordem vigente, é crime de lesa-economia ser o Estado (o público, o país) a lucrar. Dizem que o estado não tem vocação para gerir empresas, mas não se impedem de vender uma das mais lucrativas empresas nacionais, precisamente… a uma empresa estatal estrangeira.

Para vergonha da «democracia» em vigor e dos «democratas» que dela se alimentam, muitos deles para o resto das suas confortáveis vidinhas, enquanto a ditadura abria escolas, tribunais, postos de saúde, hospitais e garantia a reforma após uma vida de trabalho, agora fecham-se escolas, tribunais, centros de saúde, maternidades, urgências hospitalares e ameaça-se com o espectro da falência da Segurança Social, enquanto que, ardilosamente, se vai sugerindo à população que entregue a sua velhice nas mãos gulosas do negócio privado.

Mas sem o mínimo de decoro, a elite governante e empresarial, sempre às custas do erário público – e enquanto aumenta a idade de reforma e diminui o valor das reformas e pensões de sobrevivência aos portugueses comuns – estabelece para si reformas rápidas, múltiplas e avantajadas.

Como podem, assim, os fala-baratos, os governantes, os senhores grandes empresários, os seus escribas e pajens, enfim, toda essa elite bem pensante e bem alimentada que detém o poder e dele vive faustosamente, reivindicar para si o 25 de Abril e dizer que tudo o que aí está não só é o 25 de Abril, como é, acima de tudo, verdadeiramente «democrático»?

Talvez se sintam animados a tal dizer porque, ainda há dias, alguém fez estralejar foguetes a festejar o 25 de Abril! Como se ficassem bem festejar o que já não está connosco.

O que aí está não é o 25 de Abril, nem é democracia. Talvez uma ditaducracia, não sei

4.23.2012

Vasco Lourenço, Soares e Alegre acordaram de uma longa hibernação!

Eu achos-lhes um piadão



A Associação 25 de Abril não vai estar presente nas comemorações oficiais do 25 de Abril. Vasco Lourenço justificou a ausência com o facto de as políticas em curso serem contrárias aos valores do 25 de Abril. Na verdade, o 25 de Abril destinou-se a conferir à nossa vivência colectiva liberdade, igualdade, desenvolvimento, solidariedade, respeito, verdade, progresso, e justiça, nas suas várias vertentes. Humanismo, em suma. E o que acontece é precisamente o inverso. Nada a dizer, portanto.


Logo de seguida, Soares e Alegre vieram solidarizar-se com os «capitães de Abril». Nada a dizer, também. Foi um gesto lindíssimo. Fui às lágrimas.


De repente, pus-me a pensar com os meus fechos éclaires. Mas espera aí. Estas políticas contra os valores de Abril (contra o Povo) começaram quando? Se a memória não me atraiçoa – e estou em crer que não – estas políticas saíram de uma célebre gaveta no preciso dia em que o doutor Soares informou o país, em directo – e já lá vão umas décadas – que acabara de meter o socialismo nessa precisa gaveta. E era só o «socialismo» dele, que nada tinha a ver, como não tem, com o socialismo a sério.


Então, o coronel Vasco Lourenço, o poeta Alegre e o doutor Soares só agora é que se demarcam das comemorações oficiais? Mas estiveram lá o ano passado, não foi? É verdade que a coisa agora é mais violenta, mas já o era bastante no consulado do «engenheiro» e «socialista» Sócrates, cujos PEC’s já eram um modelo avançado dos acordos com a Troika. Ou não?


Ó meus caros amigos, eu acho-vos um piadão! Então só agora é que toparam aquilo que eu, sem ser tão inteligente, tão político, tão por dentro destas coisas, tão doutor, tão «capitão de Abril», tão «democrata» de carreira (e bem remunerado), já topei há uma catrefada de anos? Têm andado muito distraídos nos últimos anos, não verdade?


É por estas e por outras que eu também não vou às comemorações «não oficiais» do 25 de Abril. Para não me cruzar com estas excelências. Não me quero misturar com gente «distraída», que só repara que as políticas são más e contrárias ao 25 de Abril ao fim de trinta e tal anos.


Arre macho!

4.04.2012

O grande «democrata»

«Democrata» «republicano» e «socialista»
A velha múmia, que foi a primeira ratazana a roer o nosso aparelho produtivo, entregando sectores chaves da economia aos privados – e aos estrangeiros –, a primeira a chamar o FMI, para além de ser a pérfida inventora dos contratos a prazo e dos salários em atraso, devolvendo o país aos investidores, clama, agora, indignada, que há portugueses a passar fome. Como se não tivesse sido ela – a ratazana - a primeira a abrir as portas à fome.

Este estupor, que devia estar calado há muito tempo, caso soubesse o que é vergonha, decoro e virtudes semelhantes – e que ainda nos sangra, comendo à larga das verbas do OGE – esquece que foi de braço dado com o PSD, o CDS/PP e tutti quanti odiasse Abril – como o fascista e pedófilo Frank Carlucci – que começou a destruir Portugal.

Agora, o carro que o conduzia foi apanhado a 199 KM/hora, sendo detectado pelos radares da GNR, como nos conta a semanário SOL:

«
O ex-presidente da República viu o seu motorista ficar com a carta de condução apreendida e sujeito a uma multa de 300 euros, como explica o CM. Mas, segundo f9onte da GNR ao jornal, Mário Soares reagiu mal e chegou a afirmar que “o Estado é que vai pagar a multa”.

O carro, um Mercedes-Benz S350 4 Matic, é propriedade da Direcção-Geral do Tesouro e das Finanças, e seguia no sentido sul-norte quando foi mandado parar numa estação de serviço. Os guardas garantiram ao CM que o histórico socialista foi “bastante mal-educado”
».

Carro das Finanças?! «O Estado é que vai pagar a multa»?!

Ora aqui está a verdadeira face de um «democrata», «republicano» e «socialista».
«democrata», «republicano» e «socialista».


A velha múmia, que foi a primeira ratazana a roer o nosso aparelho produtivo, entregando
sectores chaves da economia aos privados – e aos estrangeiros –, a primeira a chamar e o FMI, para além de ser a pérfida inventora dos contratos a prazo e dos salários em atraso, devolvendo o país aos investidores, clama, agora, indignada, que há portugueses a passar fome. Como se não tivesse sido ela – a ratazana - a primeira a abrir as portas à fome.

Este estupor, que devia estar calado há muito tempo, caso soubesse o que é vergonha, decoro e virtudes semelhantes – e que ainda nos sangra, comendo à larga das verbas do OGE – esquece que foi de braço dado com o PSD, o CDS/PP e tutti quanti odiasse Abril – como o fascista e pedófilo Frank Carlucci – que começou a destruir-se Portugal.

Agora, o carro que o conduzia foi apanhado a 199 KM/hora, sendo detectado pelos radares da GNR, como nos conta a semanário SOL:

«O ex-presidente da República viu o seu motorista ficar com a carta de condução apreendida e sujeito a uma multa de 300 euros, como explica o CM. Mas, segundo f9onte da GNR ao jornal, Mário Soares reagiu mal e chegou a afirmar que “o Estado é que vai pagar a multa”.

O carro, um Mercedes-Benz S350 4 Matic, é propriedade da Direcção-Geral do Tesouro e das Finanças, e seguia no sentido sul-norte quando foi mandado parar numa estação de serviço. Os guardas garantiram ao CM que o histórico socialista foi “bastante mal-educado”».

Carro das Finanças?! «O Estado é que vai pagar a multa»?!

Ora aqui está a verdadeira face de um «democrata», «republicano» e «socialista».