11.22.2007

Picasso - Guernica

Poema para quem ficar

Um dia, virão pelo mel que guardámos.

Queimada a casa e degolado o cão

imolarão os nossos filhos em nome de verdades

decretadas entre sedas e olhos de serpentes.

Talvez te violem sobre cardos,

depois de me encostarem às tábuas da lei

para que pareça justo o festim das balas.

Já hoje os decifro, ainda no seu aspecto de pombas

tecendo labirintos de brisas onde esvoaçam outros ventos,

promessas de novos holocaustos,

coloridos com frágeis açucenas.

Mulher. Esconde estas palavras onde ninguém saiba,

para que as possam ler os cegos sobrevivos.

5 comentários:

Graça Pires disse...

Sim. Esconderei estas palavras onde ninguém saiba, para que um dia possa dizê-las aos cegos sobrevivos...
Um beijo para ti.

São disse...

Não, não as esconderei.
Farei delas uma bandeira para que nos levantemos contra quem nos "tita a vida e inveja o pão.!!
Grandabraço...e já sei como irá ser com Rita Lee!
Muito, muito grata!

Vieira Calado disse...

Um poema muito bom.
É a minha 1ª visita.
Prometo voltar.

Monte Cristo disse...

Amigos (Graça, São, Vieira Calado)

Esta casa é sempre vossa, mesmo que, um dia, não gostem do que escrevo.

Um abraço para todos.

Mar Arável disse...

Não tens que pedir nada

abraço