11.08.2013

A LOIRA ABRIU (TAMBÉM) A BOCA

A loira (Margarida Rebelo Pinto) não percebe - e os loiros que lhe batem palmas também não. Não percebem o quê? Uma coisa muito simples. Esta: o que está em curso em Portugal e no mundo é um ataque gigantesco à riqueza (salvo seja) existente nos «bolsos» dos trabalhadores para os «cofres» do grande capital. A Crise é o pretexto. Mas quem fez a Crise? Esta é a pergunta chave. Não fui eu, nem milhões como eu, nem a loira (MRP), nem os loiros (que lhe batem palmas).
Mas se eu perguntar quem é que paga a Crise, aí todos sabem. Mas porque será que, só em Portugal, enquanto nove milhões empobrecem - à conta de crise - as grandes fortunas aumentaram? Só os broncos e as suas loiras é que não sabem responder a isto.
 
Ou sabem, mas então já não são loiras nem loiros. São filhos da puta.

10.22.2013


Miguel Passos de Vasconcelos Coelho

Com o Orçamento Geral do Estado para 2014, que se limita a insistir nas receitas que, supostamente, seriam a solução para a crise, as únicas coisas que teremos como garantidas serão o alastramento do desemprego e a continuação do empobrecimento das famílias, na sua maioria atiradas para uma situação de pura sobrevivência. Daí advirá a diminuição da procura interna – uma ainda maior redução do consumo – levando a cada vez mais falências das pequenas e médias empresas, a continuação da destruição do aparelho produtivo e o consequente aumento da nossa dependência do exterior. Assistiremos, como já vai acontecendo, à vulgarização da fome e da miséria – chamam a isso, cinicamente, os sacrifícios necessários para sairmos da crise – ao aumento da emigração, assente na fuga para o estrangeiro dos portugueses mais jovens e mais qualificados, porque irá continuar a bárbara e perversa abolição de direitos sociais, a par da redução obscena dos salários e reformas, do que decorrerá o aumento das desigualdades sociais: o alargamento do fosso – ou do abismo – entre ricos e pobres. Portugal estará, então, no chamado mundo ocidental, ao nível dos países terceiro-mundistas, a caminho do subdesenvolvimento absoluto, regredindo a tempos só comparáveis com os piores anos do salazarismo. Mas em vez de país colonizador, será um país colonizado. 
Aqui coloca-se uma questão: saber se tudo isto acontece porque Passos não passa de um imbecil incompetente, incapaz de tirar ilações do que é mais do que óbvio; ou se, pelo contrário, se limita a ser um competentíssimo executor de políticas destinadas a conduzirem o país, precisamente, ao que estão a conduzir. Isto é: Passos é um néscio que entrou em parafuso, ou um diligente tarefeiro ao serviço dos grandes interesses financeiros que controlam o mundo? A resposta parece-me simples: é as duas coisas.

Ele é um mentecapto, porque não percebeu – nem percebe – que só ascendeu à liderança do PSD porque nenhum dos barões do seu partido aceitou ser esturricado ao serviço da estratégia de retrocesso civilizacional em curso, visando, a nível planetário, substituir o Estado Social pelo Estado Assistencialista (o chamado Estado da Esmola), e o Trabalho com Direitos substituído pelo Trabalho Servo, a caminho de algo equivalente à escravatura. Não que o baronato do PSD não esteja de acordo com isso, mas porque é sempre preferível entregar o trabalho sujo a um bronco que, por mera vocação para a sabujice, aliada a impenitente vaidade, a isso se sujeite.

Por isso mesmo Passos é, para além de um néscio inculto e intelectualmente limitadíssimo, o tarefeiro servil, o moço-de-fretes ideal para qualquer serviço, já que na sua estreita mente de ser parasitário, forjada ao longo de uma existência fútil e nada exemplar – e que, precisamente por isso se desenvolveu à margem da vida real e dos seus problemas concretos – se encasularam os ideais desumanos do neoliberalismo, que se limita a servir mais por instinto – melhor: mais porque julga ser do seu interesse pessoal fazê-lo – do que por convicção.
Passos é uma triste e miserável réplica de outro português que sacrificou o seu povo e o seu país em nome dos interesses estrangeiros. Ele é o Miguel de Vasconcelos (1) do nosso tempo. E, tal como o lacaio traidor que fazia de primeiro-ministro da duquesa de Mântua, também ele desempenha, em nome de interesses estrangeiros, o mesmo papel que o seu antecessor executava ao serviço da dominação filipina.

Passos sabe muito bem que a austeridade com que fustiga os portugueses só tem um objectivo: sujeitar à vontade – aos interesses – da oligarquia financeira que pretende dominar definitivamente o mundo, um exército de homens e mulheres dispostos a tudo por uma côdea de pão. E o pior é que isso não colide com a sua visão da sociedade, de democracia, ou, sequer, de Liberdade.

(1)  – Miguel de Vasconcelos e Brito. Político português, desempenhou no Reino de Portugal os cargos de escrivão da Fazenda e de secretário de Estado (primeiro-ministro) da duquesa de Mântua, vice-Rainha de Portugal, em nome do Rei Filipe IV de Espanha (Filipe III de Portugal) e valido do conde duque de Olivares.

Era odiado pelo povo por, sendo português, colaborar com a representante da dominação filipina. Tinha alcançado da corte castelhana de Madrid plenos poderes para aplicar em Portugal pesados impostos, os quais deram origem à revolta das Alterações de Évora (Manuelinho) e a motins em outras terras do Alentejo. Foi a primeira vítima do golpe de estado do 1.º de Dezembro de 1640. Depois de morto, foi arremessado da janela do Paço Real de Lisboa para o Paço da Ribeira, pelos conjurados. No chão, foi esquartejado pelo povo e os seus restos deixados aos cães.

 

 

7.03.2013

Já deram o que tinham a dar

Já deram o que tinham a dar, ouvi dizer.
Foram-se embora porque já deram o que tinham a dar?

NÃO! FORAM-SE EMBORA PORQUE JÁ ROUBARAM O QUE TINHAM A ROUBAR!
PORQUE É PRECISO, AGORA, MUDAR DE LADRÃO. PARA QUE O SAQUE TENHA MAIS EFICIÊNCIA.

A questão, portanto, é a seguinte:  
Voltamos à vaca fria (PS), para daqui a alguns anos voltarmos outra vez à vaca que agora vai arrefecer (PSD)?

Ou exigimos que políticos e banqueiros prestem contas ao país, obrigando-os a que nos digam onde param os milhões dos nossos impostos, mais os milhões das nossas contribuições para Segurança Social, mais os milhões dos fundos comunitários.
Sim! Das duas, uma:

- ou este país muda de vida e corre de vez com os parasitas que se locupletaram com o nosso dinheiro e venderam as nossas empresas ao desbarato, enquanto, pelo meio, em burlas gigantescas – que foram resgatadas com os nossos impostos – levaram o país à falência física e moral, e escolhe para o lugar destes criminosos homens e mulheres sérios e patriotas, que nada tenham a ver com os bandos que, até agora, governaram, gente que nunca se deixou infectar pelo vírus da corrupção, que nunca se amigou com a chusma de políticos e banqueiros que nos levaram a desastre…

- ou volta à falsa solução da alternância e nunca mais a fome e a miséria deixarão de morar nas casas portuguesas.

SIM! NÃO CHEGA MUDAR DE VAMPIROS.

6.28.2013

Era só isto que faltava!
Caiu a máscara à UE
- Banqueiros vão poder deitar a mão ao dinheiro dos  depositantes


A União Europeia acabou de dar o passo necessário para que os banqueiros possam ficar com o dinheiro dos depositantes De borla. A manobra, que começou a ser cozinhada em Chipre, é agora decisão da «democrática» UE. Por enquanto, avançarão os depósitos acima dos 100 mil euros, depois… logo se verá.
O precedente está criado. O método foi aprovado. Os depósitos bancários acima dos 100 mil euros vão mesmo ser chamados a pagar os resgates dos bancos, caso seja necessário. Os ministros das Finanças da zona euro chegaram a acordo sobre as regras para salvar as instituições bancárias em dificuldades. Serão então os bancos e os credores a chegar-se à frente e só depois os depósitos mais altos. Isto é: os banqueiros (privados) declaram que estão em dificuldades, ficam com o dinheiro dos depositantes… e por aqui me sirvo.

E o que é que acontece aos banqueiros que derem cabo dos bancos? Continuam a ser banqueiros? Claro que continuam. São eles que mandam em Portugal, na União Europeia e no mundo. São eles quem manda nos governos. Se alguém tinha dúvidas, a prova aí está.
Será preciso mais alguma coisa para se perceber ao serviço de quem está a União Europeia? Sem dúvida que é ao serviço do grande capital financeiro. Como se não bastasse controlarem todo o sistema financeiro, construindo e desconstruindo crises a seu bel-prazer, os banqueiros passam a ser, de forma absoluta, donos dos dinheiros dos depositantes. Basta declarar que estão em dificuldades.

Para cúmulo da hipocrisia, a União Europeia decreta que avançarão, primeiros, os accionistas e os credores. Mas quem sabe, antecipadamente, que os bancos estão em dificuldades? Aliás: quem é que os pôs em dificuldades? Por acaso, serão os accionistas e os credores – uns e outros obreiros da crise. Na altura de se «chegarem à frente», já nenhum deles terá bens em seu nome.
Por outro lado, e como a maior parte dos depositantes com mais de cem mil euros depositados é, geralmente, gente bem informada, grande parte desses depositantes terá feito aquilo que se percebe: transferido os seus depósitos para sítio seguro.

Então, quem resta para pagar a crise? Quem é?

Será que nem agora o Povo abre os olhos?

Será que é preciso mais alguma coisa para se perceber a manobra que, de há anos a esta parte, está em curso? Este é o saque final.

Perceberam, agora, o que é o capitalismo?
Perceberam, agora, o que é aquilo a que eles chamam Democracia?

Perceberam, agora, quem são, e que interesses servem, na verdade, as pessoas – e os partidos – em que a maioria dos cidadãos tem confiado?

 

6.22.2013

Contra o Terrorismo


- Ao governo dos EUA
- À NSA e à CIA
- Ao Google
- Ao Facebook
- À Microsoft

- E a quem mais possa  interessar, governo (sipaio) português e SIS incluídos.

Eu João Carlos Lopes Pereira, cidadão do mundo com nacionalidade portuguesa, conhecedor da decisão do governos dos EUA em aceder a dados que lhe facultem informação sobre qualquer cidadão de qualquer nacionalidade – logo, sobre a minha vida privada, no sentido de avaliar se constituo um risco para a segurança interna dos EUA e, consequentemente (porque é essa a visão norte-americana das coisas), para a própria humanidade –, permito-me informar-vos do seguinte:
- Autorizo que vasculhem toda a minha vida, passada, presente e futura, pois nada do que penso, digo e faço é, do meu ponto de vista, imoral, ilegítimo ou ilegal. Logo, não é secreto;

- Para vos facilitar o entendimento da pessoa que sou, acrescento:

1 – Considero serem os EUA uma potência terrorista – aliás, a maior organização terrorista do mundo –, capaz de arranjar as mais alvares e descaradas mentiras para, a coberto delas, invadir países e sujeitar os respectivos povos às mais atrozes violências, apenas porque os seus governos não se sujeitaram a prestar vassalagem ao poder emanado de Washington. Só nos últimos 70 anos, milhões de civis (incluindo mulheres, crianças e idosos de todas as raças e credos), foram vítimas de bombardeamentos (com armas convencionais, químicas ou nucleares), abatidos a tiro, presos e torturados directamente pelas forças armadas americanos ou por mercenários a seu soldo, ou foram vítimas de aparelhos repressivos inspirados e apoiados pelos EUA;

2 – Que esse poder nada mais é do que o resultado da obediência cega da administração norte-americana aos lobies económicos e financeiros que a dominam e a usam para os fins que têm por convenientes;

3 – Que, nessa ordem de ideias, os EUA consideram-se autorizados a ter sob observação e controlo todos os movimentos sociais, políticos e culturais do planeta, principalmente porque têm como desígnio o domínio absoluto da economia mundial – sendo o dólar (que não vale o papel em que é reproduzido) um instrumento desse mesmo domínio – com vista a garantir a defesa daquilo a que chamam «os seus interesses vitais»;

4 – Trata-se de algo, como facilmente se conclui, muito semelhante ao conceito de «espaço vital» que Hitler utilizava para justificar a sua política expansionista e de controlo absoluto da humanidade;

5 – A história da humanidade, nos últimos dois séculos, é, pois, um  extenso e sangrento painel que regista várias centenas de intervenções armadas dos EUA em países espalhados por todo o planeta, incluindo apoio expresso e confessado a golpes de cariz ditatorial, de matriz fascista, de que são meros exemplos os golpes de Pinochet, no Chile, e de Suarto, na Indonésia;

6 – Considero, portanto, que os conceitos de democracia e liberdade, made in USA, se desenvolvem em obediência àquilo – e apenas àquilo – que interesse à oligarquia financeira que domina o planeta, sendo considerados proscritos – e, consequentemente, terroristas – todos os que não se sujeitarem ao poder do dólar. Ao poder financeiro;

7 – Seria, pois, supérfluo discriminar os vários ditadores que os EUA apoiaram, apoiam e, certamente, continuarão a apoiar, pois grande ingenuidade seria imaginar que os EUA não estão dispostos a continuar a fabricar os ditadores necessários à manutenção da sua actual hegemonia;

8 – No fundo, vejo os EUA como uma potência colonial, de timbre totalitário, capaz de imolar milhões de pessoas no altar dos seus «interesses vitais», revelando-se como o maior inimigo da Liberdade e dos Direitos Humanos, apesar de se autoproclamar o principal defensor desses valores;

9 – Para que não restam dúvidas do que penso em relação aos perigos que os EUA representam para a humanidade – de que o escândalo do PRISM é apenas mais um infame detalhe – declaro que jamais denunciaria um «terrorista» procurado pelos EUA, tal como jamais avisaria os EUA de qualquer ataque «terrorista» de que, eventualmente, tivesse conhecimento;

 
10 – Concluindo: se o mundo fosse justo e verdadeiramente livre, há muito que vários presidentes dos EUA se teriam sentado, antes de quaisquer outros, no banco dos réus do Tribunal Internacional de Justiça de Haia. Muitos outros, por crimes bem menores – ou, até, por crimes nenhuns – ali foram julgados e condenados, só porque isso convinha aos interesses dos EUA.

(Publicado no Facebook, no blog www.umaterrasemamos.blogspot.com, lido na Rádio Baía, enviado para os principais órgãos de comunicação social, Grupos Parlamentares e Presidência da República).

5.26.2013


Pós - Troika


 

Quando vivermos (quase) todos em casas destas;

Quando voltarmos a trabalhar de sol-a-sol:

Quando a semana de trabalho for de sete dias;

Quando o ordenado for uma sopa e um pão;

Quando a reforma for a título póstumo…

… estaremos, finalmente, no caminho certo.

 

Portugal será, então, um país resgatado.

- Moderno

- Produtivo

- E aberto ao investimento

5.20.2013


Eles querem mesmo comer tudo


 
Quando já não houver mais nada a retirar dos salários

e pensões, os bancos ficarão com o dinheiro das nossas

poupanças. Primeiro, as que forem superiores a 100 mil euros.

Depois, como não será suficiente, colocar-se-á a fasquia

um pouco mais abaixo. E assim por diante, até que eles

tenham comido tudo e não nos deixarem nada.

É assim que têm feito, com relativo sucesso.

E assim que continuarão a fazer.

Se continuarmos carneiros, obviamente.

3.26.2013


AVISO

O Café do Canto está com problemas


Ficam informados todos os clientes do Café do Canto, propriedade do senhor Hermengardo Montoso, que, tendo em vista evitar a falência do mesmo, vão ser chamados a participar na recuperação económica deste estabelecimento.

 

Mais se informa que  será exigido a cada cliente a entrega de uma verba correspondente a 40% do seu consumo médio diário, reportado aos últimos 12 meses. O Plano de Recuperação Económica do Café do Canto, também conhecido como Resgate, foi aprovado pelo Governo, depois de auscultados o FMI, o BCE e o Goldman & Sachs.

 

Mais se informa que o Café do Canto, tal como qualquer banco, é privado, cabendo assim aos seus clientes sanear todo o tipo de problemas que a respectiva gestão tenha provocado e não queira, não saiba ou não possa resolver.

Nota - Não se aceitam reclamações do tipo: «Eu bem avisei que entrar na CEE ia dar merda». Ou ainda: «Ai, quiseste entrar no Euro, não quiseste? Agora, não te queixes. Paga e não bufes».

 
A Bem da Europa!

Toma lá, que é democrático.

 

3.24.2013

O seu dinheiro é mesmo seu?
 
 
Um dia, dizem-lhe que, devido à situação económica do país, que «andou a viver acima das suas possibilidades», os ordenados e pensões foram congelados. Na prática, você vai passar a poder comprar menos coisas porque, entretanto, subiram o g...ás, a electricidade, a água, os transportes, as taxas moderadoras, a prestação da casa, os seguros obrigatórios, o selo do carro, as portagens, os combustíveis, os livros e o material escolar dos seus filhos ou netos e, claro está, os preços daquilo que se come.

No outro dia, dizem-lhe que a crise se agravou, porque «andámos a viver acima das nossas possibilidades», e que vão ser necessários mais alguns sacrifícios. Nessa altura, aumentam-se os impostos directos e indirectos, reduzem-se os escalões do IRS – outra forma de pagarmos mais impostos – dizem-lhe que a sua casa, apesar de valar cada vez menos, passou a valer o dobro, de maneira que o IMI passou, também ele, para o dobro. Como o IVA aumentou, tudo aquilo que se compra para (sobre)viver também aumentou, de maneira que você, se até aqui comprava menos, agora quase não compra nada que não seja absolutamente essencial. Nalguns casos – e cada vez mais casos – nem isso.

No dia seguinte, porque as medidas tomadas não estão a alcançar os resultados ambicionados (houve muita gente que avisou para isso mesmo, garantindo, até, que teriam um efeito contrário ao que se dizia pretender) você foi informado que, a somar a tudo o que já lhe tinha sido exigido, ainda lhe iriam ficar com parte do que ganha, sejam rendimentos do trabalho, sejam reformas e pensões, devidas por anos e anos de descontos e que – pensava você - eram sagradas, intocáveis.

Entretanto – e enquanto lhe diminuíam a massa salarial – obrigavam-no a trabalhar mais horas, a ser pior remunerados pelo trabalho extraordinário, a fazer aquilo para que não foi contratado, a não ter horário fixo nem dia de descanso obrigatório, ou seja, a estar praticamente disponível, a qualquer hora e a qualquer dia, para a sua entidade patronal. Você deixou de ser uma pessoa com vida própria, para passar a ser mais uma ferramenta da sua empresa.

Agora, você – que nunca andou a viver acima das suas possibilidades – está à beira de deixar de poder cumprir as suas obrigações perante entidades com as quais, baseado naquilo que ganhava, assumiu, de boa-fé, compromissos absolutamente ao seu alcance. E, de repente, a sua mulher foi despedida. E os seus filhos, que também tinham a vida deles organizada, batem-lhe à porta a pedir ajuda, porque o desemprego também bateu à porta deles.

Então, você começa a pensar que nada do que tem é seu. Nem o ordenado – ou a reforma – nem a casa, nem o carro, nem o fogão, nem a cama, nem o relógio, nem a aliança de casamento. Nem – e é isso o que mais o assusta – futuro. Nada do que tem é seu. Você, os seus filhos, os seus pais, se ainda os tiver, os seus amigos, os seus colegas, toda a gente não é dona de nada, nem daquilo que comprou com dinheiro honestamente ganho. O governo pode entrar em sua casa e fazer de si gato-sapato. De si e de toda a gente.

Nisto, você pensa: de toda a gente? Ou só de gente como eu? Será que o governo entra em caso do senhor Belmiro como entra na minha? E na do senhor Ulrich? E na do senhor Soares dos Santos? Afinal, porque será que o governo me tira dinheiro, trabalho, saúde, educação e anos de vida mas, coloca milhares de milhões de euros em bancos privados? Que fiz eu de mal, que os banqueiros fizeram tão bem?

Nessa altura, você repara na televisão e percebe que, em Chipre, nem o dinheiro que as pessoas como você tinham nos bancos está a salvo da sangria. Assusta-se, mas logo aparece na TV uma cara conhecida, quase sorridente. Calma, diz o tipo: aqui, em Portugal, nada disso vai acontecer.

Quando está quase a recuperar do susto, você lembra-se que foi precisamente aquele filho da puta que ainda há poucos meses lhe dizia que os seus subsídios de férias e de Natal eram sagrados, e que nunca seriam pela austeridade e pelo aumento de impostos que a crise seria vencida.

É verdade: você também foi um dos que acreditou no gajo, não foi?

3.06.2013


Os avós e os netos

A manifestação do dia 2 de Março deixou claro que são cada vez mais – e mais diversos quanto à sua origem social, idade e situação financeira – os cidadãos que se indignam face às políticas governamentais. Para quem, como eu, tem marcado presença, ao longo dos anos, nas incontáveis acções de protesto contra as políticas de sucessivos governos, é indesmentível que assistimos agora a algo de novo: aparecem a manifestar a sua indignação – e, em muitos casos, a sua revolta – pessoas que, segundo elas próprias afirmam, sempre se tinham manifestado… contra as manifestações.

Jorge Jesus disse, há dias, citando Marx, que a prática é o critério da verdade. De alguma forma, esta expressão aplica-se a todo um mundo de novos manifestantes que aparecem a exigir o fim das políticas do governo, já que foi preciso sentirem na pele a «prática» de uma vergasta chamada austeridade para, finalmente, abrirem os olhos para uma «verdade» que lhes passava ao lado. Ainda não lutam por outra política, mas lutarem pelo «fim destas políticas» já é um passo em frente.

Primeiro, foram os mais jovens, lançados para o gueto da dependência paterna, desempregados crónicos ou sujeitos a trabalhos precários e ocasionais, miseravelmente pagos, portugueses a quem um bufão pífio que nunca trabalhou, sempre abrigado no alpendre partidário onde confluem dinheiros públicos e fundos comunitários – estou a falar da Tecnoforma, por exemplo – pede para não serem piegas e que vejam lá se o melhor não será pirarem-se daqui para fora.

Agora, são os avós, que, de um dia para o outro, vêem as suas pensões reduzidas brutalmente, depois de uma vida de trabalho e de descontos, logo num momento em que são chamados a ajudar os filhos e os netos, pois o desemprego real já passa do milhão e meio – e continua a aumentar – coisa que do facínora que é primeiro-ministro só merece o comentário de que estamos perante algo perfeitamente previsível.

O que falta que a maioria dos portugueses perceba – especialmente estes, os que agora a violência das políticas trazem às ruas – é que nada do que está a acontecer resulta de algo que oscila entre a fatalidade de uma Crise inoportuna e a incompetência de meia dúzia de políticos.

Quando os portugueses perceberem que a Crise e as políticas do governo se enquadram numa vasta e consciente manobra de pilhagem destinada a transferir uma fatia cada vez maior da riqueza produzida dos bolsos de quem trabalha para os cofres do capital financeiro, então a tal luzinha ao fundo do túnel deixará de ser uma miragem. Nessa altura, todos terão percebido que Gaspar e Coelho não eram umas lamentáveis aberrações políticas, mas diligentes carrascos a cumprirem a sua nefanda missão.

Na verdade, um cartaz que apareceu na manifestação de 2 de Fevereiro resumia tudo isto muito bem:

Só deixam de nos morder se lhes partirmos os dentes.

3.01.2013

EU VOU
 
NO DIA 2 DE MARÇO,
AJUDAR PORTUGAL
A LIBERTAR-SE DO JUGO.
DOS SIPAIOS, DOS VENDIDOS,
DOS MIGUÉIS DE VASCONCELOS,
DOS VAMPIROS.
 
PORQUE ELES
 
 
SÓ PARAM
DE
NOS MORDER
SE LHES PARTIRMOS
OS DENTES

2.07.2013


Seita é seita
 

 
 
Franquelim Alves, um dos novos secretários de Estado agora empossados, é o mesmo Franquelim Alves que foi administrador do grupo Sociedade Lusa de Negócios/BPN, organização criminosa que levou a cabo a maior fraude financeira algumas vez acontecida em Portugal. Chegou a pensar-se que se estaria perante uma confrangedora coincidência de nomes, mas cedo se concluiu que não. Um antigo responsável da instituição onde – e quando – o crime sucedeu, acabava de entrar no governo de Portugal. Por sugestão de Santos Pereira, vontade de Passos Coelho e com o ámen de Cavaco.

Isso mesmo: enquanto a seita de altos figurões do PSD, com alguns socialistas à mistura, se entretinha a meter no seu próprio bolso – e no bolso dos amigos – algo que pode chegar a mais de sete mil milhões de euros, o senhor Franquelim olhava para o lado e mantinha um prudente silêncio. Mais tarde, haveria de confessar que percebera tudo o que se passava mas, por razões de prudente estratégia – não foi em nome do interessa nacional, mas quase – preferiu ficar mudo e quedo. E até assinou um relatório de contas perfeitamente criminoso.

Como se não bastasse estar a coberto de qualquer acusação, como, aliás, muitos outros responsáveis pela cratera que, segundo se estima, lesou o país nos tais mais de sete mil milhões de euros – o mais certo é verificarmos, um dia destes, que tudo o que aconteceu não teve autores – Franquelim ainda foi premiado com um lugar no governo, substituindo Carlos Nuno Oliveira, na secretaria de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação.

Se já era escabroso que o Estado só quisesse estar no BPN para assumir os prejuízos, o que chamar então ao facto de ser o espírito empreendedor, competitivo e inovador, made in BPN, a estar bem dentro do aparelho do Estado? A coisa só explica porque uma seita é sempre uma seita e, quando assim é, o resto é conversa fiada.

Cientes do que estavam a fazer, os energúmenos que governam (salvo seja!) este arremedo de país, tiveram o cuidado de omitir, no currículo do novo governante, a sua dignificante passagem pelo BPN. Sempre inteligente e subtil, Passos Coelho apressou-se a esclarecer o país que tal omissão se justificava pelo facto de toda a gente saber esse precioso detalhe do passado do novo secretário de Estado.

Já o Álvaro – o dos pastéis de nata – depois de muito esmifrar os neurónios, descobriu que a criatura que ele chamou ao governo até fora o primeiro cidadão deste país a denunciar, por comovente e heroica epístola, a gigantesca burla. Azar! Sabe-se que há uma missiva a tocar no assunto, mas não é do atual secretário de Estado, e sim de toda a administração da SLN. E só surge depois de se saber das irregularidades no grupo.


Portugal não é só um lugar mal frequentado. É, principalmente, um covil de gente que, por falta de adjectivos, já não é possível qualificar.

Lá do alto, o Cardeal Cavaco abençoa a seita que descobriu o Maná.

2.05.2013


O banqueiro e o seu gás
Ziklon-B
 
 
Quando um banqueiro com o rei na barriga, que julga que a história parou em Portugal e no mundo, se atreve a dizer que os portugueses que ainda não alcançaram o invejável estatuto de sem-abrigo estão aptos a aguentar com mais austeridade no pelo, está dito e confessado, embora involuntariamente, o que é a natureza do sistema capitalista. A sua matriz desumana e predadora.



O homem que lavrou a sentença chama-se Fernando Ulrich. Aqui há uns meses largos, já tinha manifestado outro dos seus pontos de vista, que se resume a isto: um trabalhador deveria poder ser despedido no preciso momento em que a sua entidade patronal entendesse. Desta vez – e em defesa da sua opinião – ainda teve tempo para perguntar a um jornalista: "Se você andar aí na rua, e infelizmente encontramos pessoas que são sem-abrigo, isso não lhe pode acontecer a si ou a mim porquê? Isso também nos pode acontecer”.
Como deveríamos perceber, se não fôssemos uns pobres mentecaptos, ser-se sem-abrigo é algo que pode acontecer, natural e frequentemente, assim como acontece a chuva, uma manhã de nevoeiro ou uma tarde de sol. Acontece porque acontece, não tem causas, a não ser causas naturais. É uma coisa má, mas sem culpados. Um homem pode perder a sua fonte de subsistência e a da sua família, ver-se atirado para a mais profunda miséria, ser transformado num ser humano destroçado a quem nada mais resta do que estender a mão à caridade e dormir entre cartões e plásticos nas arcadas do Terreiro do Paço, mas isso é só porque as coisas são mesmo assim.
Não acredito que Fernando Ulrich não saiba aquilo que Almeida Garrett, aqui há 170 anos, já sabia: que são precisos muito pobres para se fazer um rico. Por outras palavras: que ele, Fernando Ulrich, banqueiro de pança cheia com o dinheiro que é dos outros, é o autor de muitas centenas de sem-abrigo que por aí se esvaem sem pão e sem esperança; que ele, Fernando Ulrich, come, por consequência, seres humanos ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar; que ele, Fernando Ulrich, é a prova viva de como a sociedade que o enriquece – o sistema político e económico onde medra – é uma máquina infernal de fazer pobres. Que ele, Fernando Ulrich, acha que até se ser um sem-abrigo, é natural que um homem tenha que aguentar aquilo que ele acha que se deve aguentar. E de bico calado. Para quê? Para, por exemplo, ele enriquecer mais com milhares de milhões de euros saídos dos bolsos – e do esforço produtivo – de milhões de seres humanos. 
Portugal é, hoje em dia, um imenso campo de concentração, um Auschwitz moderno, diferindo do outro, do verdadeiro, em alguns pequenos detalhes: não se impede os prisioneiros de saírem, mas apenas para se poupar nas câmaras de gás e nas dores de cabeça; não se usa o gás Zyklon B nem os fornos crematórios: usa-se a Crise; e não se pretende o extermínio total dos prisioneiros: apenas o dos mais fracos e velhos. Os outros, os produtivos, são usados para sustentar Fernando Ulrich e os seus pares.
É verdade: o que é que aconteceu aos carrascos de Auschwitz? Acabaram pendurados numa corda, não foi?


 
 
 
 

1.20.2013


Têm fome? E depois?

Há quem esteja muito pior…

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este, por exemplo…

Há cada vez mais crianças a passar fome em Portugal.

Há crianças que chegam doentes ao Hospital de Santa

Maria, em Lisboa, por terem fome.

Cerca de 94 mil crianças são, em média, assistidas por dia

pelos bancos alimentares, número que seria ainda maior

se incluísse a Madeira, que não é abrangida pela rede.

 
A culpa é do desempenho da economia, diz Gaspar.

 
Nada que não estivesse nas previsões do governo,

diz Passos.

 
Ai aguentam, aguentam, diz o banqueiro.


Para além disso, há quem esteja muito pior.

Olhem para África, por exemplo.

1.06.2013


A explicação da Crise

 
No ano de 2012, as sete maiores fortunas portuguesas viram o seu património aumentado 13%, acompanhando, de resto, a tendência mundial.
 
Ou seja: no ano passado, TODOS os ricos ficaram mais ricos. E TODOS os pobres ficaram mais pobres

 Confirma-se o que disse o poeta:

 
Estas crises que acontecem

são de efeitos desiguais.

Aos pobres, mais emagrecem;

aos ricos… engordam mais.

 
Está explicada a Crise?

Ou é preciso fazer um desenho?