12.19.2010

A fome democrática não é má?


Pergunta do dia

Se a fome, em ditadura, era resultado do sistema político, será que a fome, na democracia em curso, é uma coisa natural, um simples resultado de factores exógenos incontroláveis, mera fatalidade de que nenhum político tem culpa?

Perguntando de outra maneira: qual a diferença entre fome fascista e fome democrática?

11.24.2010

O Engenheiro Abranhos


O Engenheiro Abranhos


Eça de Queirós escreveu O Conde de Abranhos em Novembro de 1878. Trata-se de uma sátira ao tipo de político imbecil, torpe, oportunista e hipócrita que proliferava à época. Se Eça fosse vivo, teria na casta que hoje medra entre S. Bento, Belém e as administrações das empresas públicas e privadas – os novos Abranhos – uma fonte inesgotável de inspiração. No lugar do conde, que já não os há, teríamos o engenheiro Abranhos. No mais, seria o mesmo retrato do arrivista sem inteligência e sem escrúpulos, que em vez do fraque, cartola e colarinhos engomados, traja Armani e gravata de seda.

132 anos depois, a maioria do povo português sujeita-se a esta gente medíocre, cretina e impiedosa, porque não passa da tal «raça abjecta» de que Oliveira Martins falava.

Eça sabia, há século e meio, o que milhões de portugueses, com ensino obrigatório, televisão, internet, telemóveis, Magalhães e universidades privadas – tipo pronto a diplomar – não conseguem sequer sonhar.

Raça abjecta? Evidentemente! Com excepções, é claro. Mas se a regra não fosse a abjecção, não seríamos espezinhados, como somos, por esta bafienta e infame linhagem dos Abranhos.

11.07.2010

A máquina de fazer pobres

A máquina de fazer pobres


E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?

Almeida Garrett in Viagens na Minha Terra


Esta pergunta está por responder, apesar de ter sido feita em 1846. Apenas se sabe que são muitos. São milhões, para dizer a verdade. Eram-no em 1846, são-no em 2010. E, pelo que sabemos, serão muitos mais, já a partir de Janeiro de 2011. A partir, até, do próximo minuto.


Os economistas políticos, os moralistas, os advogados, os engenheiros, os senhores doutores que têm opinião sobre tudo, os que governam, os que governaram e os que querem governar, não querem responder a isto, mas sabem a resposta. Por uma simples razão: eles são a máquina que produz os pobres. Os pobres de ontem, os de hoje, os de amanhã. Os de sempre. Os que nasceram e morreram na miséria.


Ao reduzir os salários e as pensões dos portugueses, mas deixando intocáveis os dividendos das grandes empresas, cujos lucros fabulosos resultam da factura que, todos os meses, apresentam aos consumidores, o senhor Presidente da República (por omissão), o senhor primeiro-ministro, os senhores deputados que suportam o governo, o senhor Passos Coelho e restante direita parlamentar, com destaque desenroso para um partido que se alcunha a si próprio de «esquerda e socialista», constituíram-se numa sinistra linha de montagem de mais umas centenas de milhares de pobres. A acrescentar aos mais de 2 milhões que temos.


A República nasceu em 1910. A Liberdade trouxe a Democracia em 1974.


Sim? E depois?






11.04.2010

O défice


Mais vida para além do défice? Onde?


Entre esta democracia - que dá aos accionistas da PT milhões de euros em proveitos (legalmente isentos de impostos) enquanto tira aos famintos as últimas côdeas - e a ditadura de Salazar e Caetano, caída em Abril de 1974, as diferenças são meramente de estilo, de método.

Mas sujeitemos-nos, mansamente, às regras democráticas. É bonito, civilizado e, principalmente, uma interessante forma de eutanásia.

10.31.2010

OGE - Outro Gigantesco Engano


Aleluia!



O país respirou de alívio. Depois de negociações verdadeiramente dramáticas, o OGE vai passar. Muito obrigado, PS. Obrigadíssimo, PSD. Com este OGE, Portugal vai salvar-se da bancarrota, reconquistar o prestígio internacional a abrir o caminho a um futuro finalmente radioso. Ou, pelo menos, tranquilo e estável. A crise vai ser vencida. Aleluia!



Apenas me ficou uma dúvida. Se toda a gente detinha - dos governantes actuais aos governantes passados - as receitas para salvar o país e transformá-lo, pelo menos, numa coisa menos fétida, porque se deixou chegar o doente ao estado a que chegou? Desconfio que nenhum dos salvadores da pátria sabe a resposta. Ou, se a sabe - o que é mais certo - prefere guardar um prudente silêncio.



Mas o país vai salvar-se, e isso é que interessa. E vai salvar-se porque vem aí mais fome, mais desemprego, mais crédito malparado, mais falências, mais criminalidade. Todos os indicadores económicos a sociais baterão no fundo, mas o país estará a salvo. Em termos estatísticos, teremos uma acentuada melhoria no que respeita à saúde dos portugueses a ao progressivo envelhecimento da população, pois haverá menos doentes e menos velhos, sem ser necessário recorrer às câmaras de gás. Morrerão natural e antecipadamente em consequências das medidas sabiamente adoptadas.



Parabéns, PS. Parabéns, PSD. Um país roto e faminto, mas grato pela vossa competência, agradece o esforço. E até acha que não merecia tanto.



Chocalham de riso os ossos de Salazar. Mas isso, só os mais velhos ouvem.

10.03.2010

República





República?


De vez em quando cai uma bandeira

e outra se levanta em seu lugar.

Agita-se a nação, unida, inteira,

de mão estendida e esperança no olhar.


De vez em quando alguém cai da cadeira

e a noite rumoreja um despertar.

De vez em quando um cravo é a maneira

que a Liberdade tem de se mostrar.


De vez em quando ao Rei sucede o Ás

e um bando de doutores e engenheiros

(ou disso se gabando, tanto faz).


No trono continuam cem banqueiros,

de gula tão feroz e tão voraz,

que nada resta aos homens verdadeiros.

9.09.2010

Pedófilos e pedofilia


Aos incréus

Muitos anos antes do Processo Casa Pia ter rebentado, já eu sabia, através de uma pessoa das minhas relações que trabalhava na casa de um dos apresentadores do programa ZIP-ZIP, das porcarias em que certos sujeitos estavam envolvidos. A coisa não era totalmente às claras, mas era feita à vontadinha. Quase que uma gracinha de gente rica - ou com uma boa vida - e famosa. Uma extravagância.
Os nomes que essa pessoa referia (um deles, de alguém já falecido) correspondiam, entre outros, a quase todos os que agora foram julgados. Para mim, também por isso, é tudo fumo e fogo da mesma fogueira. Bem real. Não perceber isto é, no mínimo, padecer de uma grande dose de ingenuidade. Dar o benefício da dúvida é, nas actuais circunstâncias - e à luz dos factos divulgados - andar cá por ver andar os carros eléctricos que ainda circulam.

O fenómeno, é verdade, atravessa a nossa sociedade, infectando todas as classes sociais, mas não há dúvida que os ricos, por terem dinheiro, podem ter carne fresca servida à lista. O Bibi, que não pode ter sido o único predador de crianças e jovens, era, também, como ficou mais do que provado (até pela sua confissão), o fornecedor - e disto penso que ninguém duvida. É muito difícil de acreditar que tenha inventado - tal como os jovens utilizados - os nomes dos abusadores. O que é fácil de acreditar é que outros houve que escaparam à justiça. Ou seja: pecou-se por defeito; não por execesso.

E, agora, é isso que mais me dói - e enraivece: é ter a certeza que há nomes que não foram divulgados e outros que, apesar de o serem, se livraram do banco dos réus. Porquê? Porque estão bem encostados politicamente. E fosse o PS um partido sem expressão e sem o poder que tem a nível da manupilação dos diversos cordelinhos, e teríamos visto muitos mais nomes sonantes a pagar pelos seus crimes.
Mas Portugal é isto mesmo: um lugar muito mal frequentado.

7.20.2010

Fascistas e glutões - ou os novos vampiros



Afinal, quem é mais fascista?

Anda por aí um interessante texto, que abaixo reproduzo. Se lermos até ao fim, percebemos a pergunta em título. E percebemos porque andam por aí muitos «democratas» a fazer-nos crer que tudo isto é... «democrático». É porque lhes escorre, ou esperam que lhes venha a escorrer.

Tenho dito que esta Democracia é a maior - e melhor - entidade empregadora do país. E o mais eficaz esquema de segurança social. Basta ver como eles se reformam cedo, muito bem e, nalguns casos, várias vezes. É a democracia do glutões.


Mas leiam, leiam...


«Corria o ano de 1960 quando foi publicada no "Diário do Governo" de 6 de Junho a Lei 2105, com a assinatura de Américo Tomaz, Presidente da República, e de A. Oliveira Salazar, Presidente do Conselho de Ministros. Conforme nos descreve Pedro Jorge de Castro no seu livro "Salazar e os milionários", publicado pela Quetzal em 2009, essa lei destinou-se a disciplinar e moralizar as remunerações recebidas pelos gestores do Estado, fosse em que tipo de estabelecimentos fosse. Eram abrangidos os organismos estatais, as empresas concessionárias de serviços públicos onde o Estado tivesse participação accionista, ou ainda aquelas que usufruíssem de financiamentos públicos ou "que explorassem actividades em regime de exclusivo". Não escapava nada onde houvesse investimento do dinheiro dos contribuintes.


E que dizia, em resumo, a Lei 2105 (de António de Oliveira SALAZAR)? Dizia simplesmente que quem quer que ocupasse esses lugares de responsabilidade pública não podia ganhar mais do que um Ministro. Claro que muitos empresários logo procuraram espiolhar as falhas e os buraquinhos por onde a Lei 2105 pudesse ser torneada, o que terão de certo modo conseguido pois a redacção do diploma permitia aos administradores, segundo transcreve o autor do livro, "receber ainda importâncias até ao limite estabelecido, se aos empregados e trabalhadores da empresa for atribuída participação nos lucros".


A publicação desta lei altamente moralizadora, que ocorreu no período do Estado Novo de Salazar, fará muito brevemente 50 anos.


Em 13 de Setembro de 1974, catorze anos depois da lei "fascista", e seguindo sempre as explicações do livro de Pedro Castro, o Governo de Vasco Gonçalves, militar recém-saído do 25 de Abril, pegou na ambiguidade da Lei 2105/60 e, pelo Decreto Lei 446/74, limitou os vencimentos dos gestores públicos e semi-públicos ao salário máximo de 1,5 vezes o vencimento de um Secretário de Estado. Vendo bem, Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar, quando assinaram o Dec.-lei 446/74, pura e simplesmente reduziram os vencimentos dos gestores do Estado do dobro do vencimento de um Ministro para uma vez e meia o vencimento de um Secretário de Estado. O Decreto- Lei 446/74 justificava a alteração nos referidos vencimentos pelo facto da redacção pouco precisa da Lei 2105/60 permitir "interpretações abusivas", o que possibilitava "elevados vencimentos e não menos excessivas pensões de reforma".


Perceberam, agora, como os marmanjos se amanham? Mas é tudo democrático, não é?

5.16.2010

Portugal, hoje como ontem...


Em 100 anos não melhorámos nada

«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.»
Guerra Junqueiro, 1896
Realmente, já nem as orelhas sabemos sacudir, quanto mais dar um coice!

5.11.2010

Ricardo Rodrigues


A nova estrela «socialista»

Nasceu uma estrela no panorama da política nacional. Chama-se Ricardo Rodrigues e, entre várias especialidades, é perito em furtar gravadores a jornalistas. Como não podia deixar de ser, é socialista – dizendo melhor: é do Partido Socialista, o que, como amargamente aprendemos, não significa ser-se socialista, em termos práticos – e é homem de confiança do senhor engenheiro José Sócrates. Dizendo isto, estaria tudo dito. Dá-se o caso, no entanto, de a rapaziada ser bastante desatenta e, para além do mais, não ter condições de acesso a muita informação que por aí circula, mas que a generalidade da comunicação social esconde. Por isso, é preciso explicar quem é este eminente político, apanhado agora a surripiar uns gravadores aos incautos jornalistas que o entrevistavam.


Ricardo Rodrigues é aquele senhor irascível, muito dado a ataques de mau humor e a tentações censórias, que o PS designou para a Comissão de Ética da Assembleia da República, onde se esforça para que a verdade sobre as tentativas do seu partido controlar a comunicação social não seja apurada. É advogado e foi membro do governo regional dos Açores, do qual se demitiu na sequência do caso Farfalha, um escândalo de pedofilia que abalou a região. O seu nome, aliás, aparece envolvido em outras situações que deixam sérias dúvidas sobre a sua idoneidade e a sua competência. De facto, se como advogado nunca primou pelo sucesso, sendo até acusado de deixar «condenar estupidamente» clientes seus, como cidadão apareceu associado a processos nebulosos que muito deram que falar na sociedade açoriana. Foi a atribulada falência de um jornal do PS, em Ponta Delgada, e o processo dos milhões de euros desviados da Caixa Geral de Depósitos de Vila Franca do Campo, onde foi constituído arguido e, segundo José Maria Martins, que, como advogado, esteve no mesmo processo, «alguém se encarregou de o safar», contrariando a posição da Polícia Judiciária. Ao afirmar isto, José Maria Martins desafiou mesmo Ricardo Rodrigues a processá-lo, coisa que até agora – e que se saiba – não foi feito.


Ora, era precisamente sobre estas matérias que os jornalistas da revista Sábado estavam a questioná-lo quando o senhor deputado resolveu agarrar nos gravadores, metê-los no bolso e dar a conversa como acabada. O senhor deputado, para justificar o seu acto, disse que as perguntas constituíam uma «violência psicológica insuportável». Ficámos a saber que, na lógica dos socialistas – tal como, anteriormente, na lógica dos fascistas – os jornalistas não podem fazer perguntas que desagradem aos senhores entrevistados, sempre que os entrevistados sejam eles. E como, por enquanto, não se pode prendê-los, opta-se por lhes palmar os gravadores. Não basta não responder – ou, até, aproveitar o momento para esclarecer dúvidas, repor a verdade, desmontar boatos e limpar o nome. Nada disso. A solução e confiscar o material de gravação, metê-lo ao bolso… e por aqui me sirvo. Ficámos a saber, também, o que pensam os socialistas da liberdade de imprensa e do direito a informar e ser informado, já que a acção mereceu palmas e apoio incondicional dos seus correligionários e apaniguados.


Se o senhor deputado socialista tem caldinhos na sua vida – e não serão poucos, pelos vistos – e não quer ser questionado sobre eles, não se meta na vida pública, pois todos temos o direito de escrutinar a vida daqueles que ocupam lugares que exigem um passado limpo de qualquer mancha. A um deputado da nação exige-se uma vida transparente, e a comunicação social tem o direito – e o dever – de a passar a pente fino, não só para informar e esclarecer a opinião pública, como, também, para dar ao visado a oportunidade de demonstrar que é uma pessoa imaculada e digna de deter um cargo que foi obtido através do voto, e é pago por todos nós. O senhor deputado não quis – ou não pôde – mostrar-nos que é uma pessoa de bem. Ao invés – e como o seu acto atesta – deu-nos a entender que não é pessoa de princípios, nem de confiança. E, por acréscimo, que não prima pela estabilidade emocional nem pela inteligência.


Resumindo: está muito bem no PS.


Estava eu nestas cogitações, quando me chega a notícia que o distinto deputado foi nomeado para consultor do primeiro-ministro em matéria de segurança interna. Curioso, fui à procura de mais dados sobre o cavalheiro, tendo esbarrado com a informação de que também faz parte do Conselho Superior do Ministério Público. Cada vez mais interessado, vasculhei até me surpreender, a pontos de quase cair para o lado: sua excelência foi um dos obreiros, durante a legislatura passada, das alterações do Código Penal e de Processo Penal, dotando-os de artigos de protecção em matéria de investigação criminal a políticos. Ou, por palavras mais simples: domesticar a investigação criminal, subordinando-a ao poder político. A Lei deixou, pura e simplesmente, de ser igual para todos.


Portugal, conduzido pelo Partido Socialista, está à beira da falência. Mas no que respeita à decência é à ética, já faliu há muito tempo.


Como o senhor deputado Ricardo Rodrigues abundantemente testemunha.

5.01.2010

25 de Abril de 2010


A fome é problema de quem a passa

Os democratas, os revolucionários, os patriotas (quase todos) estão muito bem aconchegados nos seus cargos, nas suas reformas (nos seus tachos, ou jobs, como se queira), ou entretidos a falar sozinhos, ou em circuito fechado, nos centros de trabalho.

Desligaram-se da vida, foram engolidos pela «democracia» em curso. São meninos bem comportados, politicamente correctos, inodoros, incolores, insípidos.Venha o cheque ao fim do mês, e o resto é conversa.


2.07.2010

Portugal estilhaçado




A divulgação das escutas que implicam Sócrates numa teia conspirativa para controlar a comunicação social e restringir, assim, a liberdade de opinião e expressão e, também, para condicionar a actuação do presidente da República, foi um magnífico exemplo de consciência e acção cívicas e patrióticas.


Na mesma semana em que Sócrates – em alto e bom som, ao que consta – exigiu o silenciamento de um jornalista incómodo, na senda do que já fizera em relação a outros jornalistas e órgãos de comunicação social, a divulgação das escutas do Face Oculta não só nos dá a verdadeira imagem da sua desprezível estatura moral e política – o que não será uma novidade absoluta – mas do ambiente de verdadeira promiscuidade que se estabeleceu entre o poder judicial e o poder político.

Referi, há tempos, neste mesmo espaço, que Sócrates estava a ser cozinhado em lume brando, e em lenha que ele próprio carregara. Disse, também – e cito:
Sócrates, como político, entrou em coma. Resiste, ainda, porque está ligado à máquina dos interesses partidários e económicos – enfim, da conjuntura politica actual. Respira, porque está ventilado, mas já cheira a defunto. Já fede.

Não me preocupa a agonia de Sócrates, mas a agonia em que, por culpa dele e das suas políticas, está Portugal e estão os portugueses. E quando Sócrates se for, dele apenas ficando uma justa nódoa para a página que a história lhe reservar, iremos ver se a lição nos serviu para alguma coisa.

1.26.2010

Pinto da Costa - um bom rapaz


O xadrez da nacional-vigarice


Oscilo entre o espanto, a indignação, a revolta, o merecido escárnio e uma angustiante dúvida sobre o que, enquanto povo, ainda nos reservará o futuro, caso se mantenha o ambiente social e político que sustentou, absolveu e tentou abafar esse escabroso processo, Apito Dourado, de seu nome. E pergunto-me quem se terá sentido mais incomodado com a divulgação das escutas.


Pinto da Costa? Certamente que não, pois está provado que os seus padrões morais não lhe permitem ter complexos de qualquer natureza. É o que se diz um descarado compulsivo, alguém para quem a vergonha e o bom-senso são coisas absolutamente desconhecidas. Vai continuar a destilar a sua ironia rançosa, a percorrer a sua senda de conspirações e vilezas, a promover ódios incendiários e, no fundo, a alimentar-se dessa amálgama de sordidez e perversão. É esta a sua natureza, dela não pode sair.

Mas se Pinto da Costa não perde o sono com estes sucedimentos, já muitos responsáveis judiciários e políticos, que têm mais massa encefálica que o dirigente tripeiro – ou, pelo menos, têm-na em melhor estado – perceberam que a divulgação das escutas representa um duro golpe para a sua credibilidade e para o seu estatuto. Perceberam que, a partir de agora, é justo concluir que se as coisas são assim com a corrupção no futebol, então é porque são assim – ou pior – em todos os outros casos sabidos ou a saber, incluindo, principalmente, os pesadíssimos processos que envolvem gente graúda do nosso país. Já se sabia – e agora provou-se – que há gente intocável, e que o poder legislativo e certos sectores da justiça – do arremedo dela – sabem como se fazem as coisas para proteger quem deve ser protegido.


Pinto da Costa é, feitas as contas, uma figura menor, um simples peão, no xadrez da nacional-vigarice. Mas é intocável porque, no dia em que um peãozinho destes cair, caem torres, cavalos, bispos, rainhas e reis.

Perceberam?

1.10.2010

1.03.2010

EDP - uma arma da exploração nacional

A EDP tem razões para sorrir. Ou melhor: os seus accionistas têm razões para sorrir.
Depois de terem recebido esta jóia da coroa das mãos do governo, aumentam as tarifas como querem
e, ainda por cima, só pagam impostos sobre 50% dos dividendos que recebem.
Se…

Se a EDP estivesse nacionalizada, os 5.400 milhões de lucro líquido que obteve nos últimos 5 anos e nove meses, teriam servido para permitir que os aumentos que aí vêm, na ordem dos 2,9%, se ficassem por muito menos. Um por cento, não mais. E permitiriam que a maioria desse lucro fosse canalizada para reforçar os orçamentos da Saúde e da Educação, ou da Segurança Social, por exemplo.

Assim, como foi privatizada, os lucros vão encher os bolsos dos accionistas que, ainda por cima, pagam impostos apenas sobre 50% dos valores que embolsam em dividendos.

Se a EDP fosse uma empresa nacionalizada, os seus lucros permitiriam que os portugueses tivessem melhor Saúde, melhor Educação, ou melhor Segurança Social, e pudessem consumir mais, porque uma electricidade mais barata permite mais poder de compra e a produção de bens e serviços menos caros, logo mais acessíveis.

Isto é: se a EDP fosse uma empresa pública, os portugueses viveriam melhor e o país poderia desenvolver-se. E o que se passa com a EDP, passa-se com todos os sectores estratégicos da nossa economia.

Se o PS fosse um partido de esquerda, mesmo que socialista só de nome, nacionalizava a EDP, para não permitir que os portugueses pagassem, com língua de palmo, os lucros fabulosos dos ricos. E para que o país saísse desta apagada e vil tristeza em que está hibernado.

Mas isso era
Se…

1.01.2010

Apostas mútuas? Com estes?!


Mais vale prevenir...

Sempre que o responsável máximo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é do PS, deixo, pura e simplesmente, de participar nos concurso de apostas mútuas e de comprar lotaria.

Não é por ser mauzinho ou por alergia a tudo o que me cheira a «socialistas» (salvo seja... ). É porque há muitas probabilidades de estar a ser intrujado. Os tipos são capazes de tudo. Não me espantaria nada, por isso, que, um dia destes, a bronca estoirasse. Qualquer coisa do género:
O jackpot saiu à casa!... e a casa ser no Largo do Rato.

Ná, à cautela... Com aquela gente, nunca se sabe.