2.03.2008

Até ver, é o triunfo dos porcos


A democracia agoniza e, com ela, um povo abúlico e desnorteado.
O vírus «socialista» está a cumprir a sua missão. O «engenheiro» também...

Uma espécie de genocídio

Parênteses introdutório: (Não falarei de nenhuma remodelação. Porque não houve remodelação. Só a teríamos, se Sócrates e o PS deixassem o país em paz. Mas a gamela do poder é como a droga. Vicia. E os que a provam não conseguem deixá-la de livre vontade...)


Em Portugal tudo é pequeno. Quase tudo. Apenas a pouca-vergonha, a corrupção e a fúria saqueadora da oligarquia instalada (ou seja: o PS de braço dado com os donos do capital financeiro) são enormes, gigantescas. Por isso, quando os portugueses vão caindo como tordos às portas das urgências hospitalares – ou dentro delas – ou à espera que o INEM decida socorrer o desgraçado que agoniza deitado no passeio, ou caído no corredor da sua casa, não se pode dizer, para sermos rigorosos, que estejamos perante um genocídio. Ainda é cedo. Por enquanto, é apenas uma espécie disso, já que, de facto, as políticas do PS, designadamente nos capítulos da Saúde, relações laborais e Segurança Social, ainda não matam em massa e em ritmo industrial. Mas matam.

É verdade que há, também, as mortes silenciosas e invisíveis (ditas naturais) registadas entre aqueles milhares que vão definhando, escondidos em casebres e casinhotas esconsas das aldeias ou das cidades, ou em qualquer outra paragem deste país em putrefacção. São os que não alcançam os patamares mínimos da dignidade humana, sem meios para se alimentarem capazmente ou – muito menos – para acederem a cuidados de saúde que lhes evite a morte prematura. Morrem anónimos, minadinhos pela incúria e indiferença dos Salazares cor-de-rosa. Morre-se por má nutrição e falta de assistência médica e medicamentosa, porque gente há, aos milhares, que se esconde dentro do seu sofrimento e da sua miséria, de tal modo habituada à dor e ao definhamento, que isso toma por coisa natural, como se a sua condenação à morte lenta não passasse de um desígnio, de um ditame da ordem natural das coisas.

Sócrates, com a sua voz de flauta, que produz sempre os mesmos estranhos e duvidosos requebros – vá lá saber-se se por vaidade, se por gostar de se ouvir no delicodoce registo que a natureza, matreira, lhe deu – garante, sem se rir, que Portugal nunca foi governado tão à esquerda e com tantas preocupações sociais.

Não sei o que pensam deste delírio os dois milhões de pobres, mais os outros novos pobres que não entram nestas estatísticas, nem as famílias dos mortos que já perceberam qual é a política de Saúde do PS, nem o meio milhão (pelo menos) de desempregados, nem as dezenas de mulheres que foram forçadas a parir no meio de uma auto-estrada ou estrada nacional, nem as centenas de milhares de portugueses que, nos últimos anos emigraram, nem os milhões de portugueses que, todos os dias, perdem poder de compra, nem os casais que ficam sem a casa, porque as tais «políticas de esquerda» lhes deram cabo do orçamento familiar, nem os jovens que procuram, em vão, o primeiro emprego, nem os milhares de portugueses que só encontram trabalho precário e mal remunerado, nem os reformados, que sofreram agravamentos fiscais que lhes reduziram as já de si reduzidas reformas, nem aqueles que já evitam acender a luz, à noite, para que a conta da luz não corroa o fraquíssimo rendimento mensal.

Uns morrem, outros engordam...

Recebeu 9,732 milhões de euros de «compensações» e «remunerações variáveis». E enquanto a juntas médicas obrigam cancerosos a trabalhar até à morte, ele não se possa queixar. Paulo Teixeira Pinto, ex-presidente do BCP, passou "à situação de reforma em função de relatório de junta médica" . O banqueiro, de 46 anos, foi considerado inapto para o trabalho, apesar de já ter arranjado um cargo numa consultora financeira.



Sócrates não sabe – ou finge não saber – que milhões de portugueses sabem, hoje em dia (e alguns pela primeira vez nas suas vidas) o que significa a expressão «comer o pão que o diabo amassou». Sócrates não sabe – ou finge não saber – que nunca se viveu tão mal em Portugal e que nunca, neste pobre país, o fosso entre os mais ricos e os mais pobres se alargou até tocar as fronteiras da mais desavergonhada obscenidade.

Sócrates e o seu governo – onde abundam os mais ridículos, mentirosos e incompetentes ministros de que há memória nos últimos anos – mais os seus fiéis deputados na Assembleia da República (ou seja: o Partido Socialista), são todos, material e objectivamente, responsáveis pela miserável situação do país, onde uma economia à deriva só deixa margem de manobra para o grande capital financeiro, que nunca encheu as arcas como agora sucede. São os responsáveis pelas mortes que uma política de saúde criminosa já provocou – ou não pôde evitar.

«Era evidente, quando o dissemos, há um ano, que o encerramento dos Serviços de Atendimento Permanente sem estar finalizada a reestruturação das Urgências era um crime.» Isto disse o bastonário da Ordem dos Médicos perante os casos mais recentes de mortes por falta de assistência médica. Pedro Nunes disse ainda que, «mais cedo ou mais tarde, estes casos teriam de acontecer», e que «casos idênticos repetir-se-ão, se não for rapidamente repensado o sistema».



O concubinato descarado




No meio desta espécie de genocídio, e como óleo indispensável a lubrificar as grandes negociatas públicas e privadas – e a mistura das duas, num caldeirão de promiscuidades, de que o BCP é um belo exemplo – aí está a voz insuspeita de Marinho Pinto a clamar, do alto do seu estatuto de bastonário da Ordem dos Advogados, aquilo que toda a gente sabe. A corrupção e o clientelismo proliferam como cogumelos venenosos, que crescem e medram até nos mais altos níveis do aparelho do Estado. Não é novidade, mas sabe bem ouvir isto dito assim, de tal modo que o senhor Procurador-Geral da República, como se pela primeira vez de tal coisa tivesse ouvido falar, lá decidiu, com este empurrão, tomar as providências necessárias ao esclarecimento de tão desgraçada denúncia.

Mas a coisa não é nova. Aqui há tempos, alguém disse exactamente isto: «A cooperação prestada por responsáveis dos serviços de contribuições e impostos permitir-me-ia consolidar as suspeitas de que a falsificação de facturas visava diversas finalidades, em que avultavam a evasão fiscal, a obtenção de benefícios fiscais ilícitos, o pagamento de salários e gratificações ocultos ou não autorizados, a realização de negócios com o exterior e a corrupção de agentes da administração e do poder político.»

Estas palavras, então, caíram em saco roto, apesar de terem sido proferidas pelo então Procurador-Geral da República, Cunha Rodrigues. Veremos se, agora, a coisa avança.

Os «manos» e os cunhados (propriamente ditos)

Na semana passada falei de casos em que o tráfico de influências, favorecimento pessoal a partir do poder que se detém, o amiguismo e o clientelismo são moeda corrente atrás dos reposteiros da política. Da nova classe de boys, os chamados «manos», que por estarem ligados a altas figuras do PS, conseguiram os seus jobs na administração pública. Também nas câmaras municipais abundam os cunhados e demais elementos dos agregados familiares dos senhores presidentes e respectivos acólitos. O que é preciso é a malta safar-se, enquanto a coisa está a dar.

Trinta e quatro anos depois do 25 de Abril, a distinta classe política está bem e recomenda-se. Entrou em concubinato descarado com os senhores do cimento, das finanças e de outros valores e instrumentos que vão passando carinhosamente do público para o privado e, entre ternas manifestações de amiganço, satisfazem-se uns aos outros, revezando-se no deter das rédeas, num toma-lá-dá-cá indecente e, até ver, completamente impune.

Mas é um festim caríssimo, onde os chorudos ordenados, as opíparas e várias reformas, os abundantes e sempre disponíveis altos cargos na administração pública ou no privado, as muitas e variadas benesses e mordomias – carro às ordens, gasolina, cartões de crédito, despesas de representação, motorista, telemóvel, linhas de crédito especiais e, principalmente, impunidade absoluta em caso do caldo azedar – exigem dos miseráveis plebeus a contribuição necessária à liquidação da factura.

É um baile macabro, porque, para o consumarem, tiram vida às vidas de cada um de nós – e, como se viu, sacrificam até a vida daqueles que, mais infelizes ou desprotegidos, com ela pagam o facto de terem nascido neste triste e anémico país.

Até ver, é o triunfo dos porcos.

5 comentários:

Maria dos Anjos disse...

Belo texto, mas como disse uma visitante em relação ao anterior, demasiado extenso para blog.

Mas contém verdades indesmentíveis e que reflectem a podridão reinante.

Parece, finalmente, que a estrela de Sócrates começa a declinar. Mas quem paga as mortes, a miséria e o sofrimento que ele e o PS provocarem em milhões de portugueses?

Eduardo P. disse...

Dois dos «criminosos» já saíram do governo. O povinho vai esquecê-los, mas a verdade é que Correia de Campos não pode ficar esquecido. Ele é responsável por tudo o que aconteceu na saúde, incluindo as mortes. Porque assim quis, ou porque Sócrates o obrigou. Mas remodelar não pode ser branquear.

No final de contas, o chefe do bando está lá.

Graça Pires disse...

De facto a política é cansativa. A má política mais cansativa ainda...
Um beijo.

O Puma disse...

SE RETITARMOS AO TEXTO

OS LEITÕES DA BAIRRADA

TUDO ESTÁ CERTO NA TUA REFLEXÃO

ABRAÇO

São disse...

Não sou de desistências, mas estou cada vez mais perto de desistir do país!!
Agora , são os políticos que querem secretismo nos seus rendimentos(!!!) e os patroões a proporem os despedimentos totais para "renovação dos quadros" (?!).

MAS ESTÁ TUDO DOIDO?!

jÁ NÃO EXISTE UM PINGO DE PUDOR?!

Abraço-te!