2.05.2008

Intermezzo



Terra molhada

No limite do poema emerge a dúvida,
quando a flor silvestre exalta o chão,
mostrando a terra cantada pela inocência da chuva.
Tudo está aqui, e tudo aqui é perceptível,
neste desenho saliente, gravado em cor e calma,
onde só o medo e as perguntas não existem.
Nem o tempo.

Para que servem as palavras, para que serve a fala,
se não podem transformar-me em simples erva
presa à terra molhada,
gloriosamente a festejá-la?

5 comentários:

Graça Pires disse...

As palavras pesam e magoam e são como água bebendo a própria sede...
Excelente o teu poema, meu amigo de sempre. Um beijo.

São disse...

Meu querido João Carlos. o poema é teu e isso é sempre sinónimo de excelência.
Espero sinceramente que nos dês mais vezes o gosto de ler a tua poesia!
Um agraço muito grande!

Divinius disse...

A LUZ QUE TE DEIXO É DA COR DA MINHA VIDA...)
Gostei de ler..)

Mar Arável disse...

A poesia diz mais que a fala

© Piedade Araújo Sol disse...

Que bonito.Ao ler este poema, até me pareceu chegar o cheiro da terra molhada.

beijo