7.24.2007

Portugal - Uma desgraça completa


Uma anedota
chamada governação


Não sei para que lado me hei-de virar. São tantos os temas dignos de aqui serem tratados, dando, cada um deles, para mais de uma crónica, que optei por abordá-los a todos, em prejuízo da abordar cada um deles com a devida profundidade. Deixá-lo! Depois de tudo espremido, afinal o que se verifica é que o país é um autêntico caos económico e social, não passando de puras atoardas do primeiro-ministro (que afinal já não é engenheiro) e do seu camarada do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, as patacoadas sobre os «decimais» animadores da nossa economia.
Call-center, ou o trabalho escravo

Estive ontem num call-center, que é um daqueles sítios onde as pessoas nos telefonam para divulgar produtos, fazer inquéritos de opinião, sondagens, etc. Fiquei a saber que não têm ordenado fixo, recebendo entre 1 e 2 euros por cada inquérito completo que consigam realizar. São pagos a recibo verde (o que quer dizer que 20% do que receberem vai logo para o Fisco). Por outras palavras. Podem passar dias inteiros sem receber um euro, pois, como sabemos, cada vez se reage pior a este tipo de chamadas. Entretanto, os desgraçados, gastam dinheiro em transportes e refeições só para estarem umas horas ao telefone a ouvir negas e, nalguns casos, insultos. É para a generalização deste tipo de relações de trabalho que o Governo e o grande patronato apontam, percebendo muito bem que estão a apontar para qualquer coisa parecida com o trabalho escravo.
O envelhecimento do país e a política do penso-rápido

Por estas e por outras, o país envelhece. No ano passado, registaram-se cerca de 4.300 nascimentos a menos do que no ano anterior. Quem é que quer dar ao mundo filhos num país sem futuro, sem esperança, sem condições dignas de vida? Para mostrar que está atento ao problema, a ave canora que ocupa o poleiro de primeiro-ministro, esganiçou-se e veio anunciar uma série de medidas que, no dizer da criatura, vão incentivar os portugueses a fazer mais portuguesinhos. Maior tempo para as mães acompanharem os recém-nascidos, uns aumentos nos abonos de família, que poderá começar ainda nos últimos 6 meses da gravidez e duplicar ou triplicar o seu valor à medida que outros filhos se acrescentem ao anterior. Esquecem-se de dizer que uma trabalhadora contratada a prazo, caso engravide, vai para o olho da rua, porque ninguém lhe renova o contrato.

No fundo, estamos a falar de pensos rápidos para tratar de fracturas expostas. Os portugueses não querem ter filhos porque não têm emprego certo e bem remunerado e porque não acreditam que o país lhes vá proporcionar um futuro melhor. Não é um abono de família maior que lhes vai resolver esse problema. Os portugueses não podem ter filhos porque não têm condições económicas nem sociais para os sustentarem e criarem e, principalmente, para lhes garantirem um futuro digno. Os portugueses não querem ter filhos porque, mesmo sem eles, podem ver-se lançados na mais profunda miséria ou na simples indigência. Além disso, até o próprio acto de casar e constituir família, com a precariedade de emprego que por aí vai – e mais virá se a flexisegurança for um facto – e com a constante corrosão dos salários, a que se devem juntar os custos com uma vulgar habitação, até essas decisões, em Portugal, se não forem um suicídio, para lá caminham.
Crédito malparado sobre. Estavam à espera de quê?

Aliás, veja-se o caso do crédito malparado, que nos empréstimos concedidos pela banca aos particulares portugueses bateu um novo recorde. Em Maio, os calotes das famílias à banca chegaram aos 2,235 mil milhões de euros, revelou o boletim estatístico do Banco de Portugal. Entre Abril e Maio deste ano, o volume de crédito malparado aumentou em 50 milhões de euros, o que significa uma média diária de acréscimo de 1,6 milhões de euros. A percentagem do crédito de cobrança duvidosa já representa 1,86 do total dos empréstimos concedidos pela banca aos particulares. A subida de juros, decidida pela União Europeia, está a ter consequências devastadoras nos orçamentos das famílias endividadas. Com a corda na garganta, sem poderem pagar, hoje, aquilo que meses atrás estava perfeitamente dentro das seus orçamentos – e juntando a isto a facilidade com que hoje se perde o emprego – como é que o governo e o presidente da República querem que os portugueses tragam filhos a este inferno?
Grávidas sacudidas do Garcia de Orta!

Falando de ter filhos, é bom que se saiba o que está a acontecer no Hospital Garcia de Orta. Segundo sei, existe um braço de ferro entre a administração e os médicos, porque as horas extraordinárias não estão a ser pagas. O quadro de pessoal está deficitário, o que se reflecte, também, na área da obstetrícia. Porque saíram muitos médicos e existem outros que, como têm mais de 50 anos, não trabalham entre as 20 e as 8 da manhã, há dias em que não há pessoal para manter o serviço operacional, dependendo dos turnos, pois as equipas são constituídas por um obstetra e dois internistas. Ora, porque os abortos não podem esperar, as parturientes da zona de influência do HGO só dão á luz neste hospital se o parto estiver eminente, caso contrário são encaminhadas para outras unidades hospitalares, como o Amadora-Sintra, para o Barreiro e até para mais longe.
Sobe número de portugueses em Espanha. Pudera!
Sinal de que o país está de rastos – e que talvez a ideia de formar um outro país, chamado Ibéria, como Saramago sugeriu, não seja tão utópica quanto isso – está o facto de o número de trabalhadores portugueses em Espanha ter outra vez aumentado, estando quase nos 80 mil. Contudo, o número total de portugueses a viver em Espanha é significativamente mais elevado, estimado por alguns responsáveis em próximo de 100 mil, já que o valor oficial de perto de 80 mil apenas representa os trabalhadores registados na Segurança Social, sem contabilizar os seus familiares.
Portugueses cada vez mais pessimistas. Que novidade!

Por tudo isto, depois dos húngaros, os portugueses são os cidadãos da UE «menos satisfeitos com a sua vida em geral» e, inclusive, 60% considera que a situação económica e o emprego vão piorar «nos próximos 12 meses», de acordo com o eurobarómetro, divulgado pela Comissão Europeia. Desde 2001 que o pessimismo em Portugal está a aumentar. Mas agora os portugueses assumem-se como os cidadãos mais pessimistas da Europa a 25. A tal ponto, que apenas 51% dos cidadãos afirma que a sua «vida em geral» vai melhorar nos próximos cinco anos. «O que revela algum realismo» admite a nota que acompanha o eurobarómetro, «em resultado do clima de crise prolongada» que se vive em Portugal».

O que mais «aflige» os portugueses? «Desemprego», «situação económica» e «inflação», responde o inquérito elaborado pela Comissão, vindo logo a seguir o «sistema de saúde» e o «crime». O desemprego é a preocupação central de 64% dos portugueses. Cerca de 30% dos portugueses afirmam que a União Europeia é a principal causa do desemprego. E, para o futuro, receiam a transferência de empregos para outros países. «Isto coloca Portugal entre os países que mais identificam a União com o aumento do desemprego», afirma o relatório.
Para os portugueses, a estabilidade económica não é associada com a UE, a tal ponto que, pela primeira vez em dez anos, o número de nacionais que declaram como «positivo» pertencer à EU, desceu abaixo dos 50%. É que, diz o relatório, ao avaliarem a sua situação económica e financeira, «consideram que a UE teve um papel negativo. Por isso, em relação ao futuro da União, dizem os cidadãos nacionais - principalmente os residentes em áreas urbanas -, deverá centrar-se na luta contra o desemprego, a pobreza e a exclusão».
Só há um remédio: Correr com eles!

E se juntarmos a tudo isto a que se está a passar com os professores obrigados a exercer a sua profissão mesmo afectados por doenças graves e altamente incapacitantes (e de cujos novos casos todos os dias temos conhecimento) tivemos aqui, em meia dúzia de palavras, um retrato real – mas devastador – do país de Sócrates e do PS.

Rematando: nas mãos de Sócrates e do Partido Socialista (salvo seja…), Portugal transformou-se num autêntico país negreiro.

Por isso, sem medo de bufos e de esbirros, de polícias e processos judiciais, de represálias e físicas ou cobardes ameaças anónimas, acho que chegou o momento de dar-mos as mãos, juntarmos as nossas forças e corrermos, o mais depressa possível, com esta gente do poder.

De uma vez para sempre.

1 comentário:

Anónimo disse...

Mesmo que correcemos com estes actuais politicos, na esperança de melhores politicos, seria apenas uma perda de tempo. Apenas se mudariam as pessoas, mas os problemas sociais jamais ficariam resolvidos. Cada povo, cada mundo apenas tem o que merece.